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Alcolumbre aguarda comunicação formal de decisão do STF sobre CPI do INSS antes de definir próximos passos

Alcolumbre aguarda comunicação formal de decisão do STF sobre CPI do INSS antes de definir próximos passos

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou a aliados que vai aguardar a comunicação formal da decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), antes de definir quais medidas e providências adotará sobre a prorrogação da CPI do INSS.

A posição foi relatada nos bastidores após Mendonça determinar que o Congresso leia, em até 48 horas, o requerimento que pede a extensão dos trabalhos da comissão. Segundo interlocutores, Alcolumbre pretende analisar o teor da decisão e suas implicações regimentais antes de qualquer decisão.

A reação ocorre em meio ao incômodo crescente na cúpula do Congresso com a judicialização da CPI. Lideranças da Câmara e do Senado têm avaliado que o recurso ao STF para destravar a prorrogação agravou a tensão entre os Poderes e reduziu o espaço para uma solução política dentro do Legislativo.

Nos bastidores, aliados de Alcolumbre afirmam que, mesmo antes da decisão, a tendência já era restringir uma eventual prorrogação ao tempo necessário para conclusão do relatório final, sem ampliação das investigações. A avaliação é de que a condução da comissão, somada a vazamentos de informações sigilosas e ao ambiente pré-eleitoral, desgastou o colegiado e diminuiu o apoio à sua continuidade.

O presidente da CPI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), o relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL) e o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) acionaram a Corte pedindo que a extensão fosse determinada por 120 dias, já que Alcolumbre não dava sinais de que convocaria a sessão do Congresso para ler o requerimento.

Ao decidir pela extensão, Mendonça citou o precedente da CPI da Covid, que passou a funcionar no Congresso por determinação do então ministro do STF Luís Roberto Barroso. A Constituição estabelece que o funcionamento das comissões parlamentares de inquérito é um direito das minorias no Parlamento e que elas devem funcionar quando são preenchidos os requisitos legais.

"A criação de comissões parlamentares de inquérito é prerrogativa político-jurídica das minorias parlamentares (...) Nesse contexto, o reconhecimento do direito da minoria parlamentar de instalar uma CPMI, sem que a maioria ou a direção do parlamento crie obstáculos desprovidos de um alicerce constitucional, produz efeitos significativos no plano jurídico. Ele impõe, por decorrência lógica, a aceitação da conclusão de que a mesma minoria também possui o direito de decidir se haverá ou não prorrogação do funcionamento da citada comissão".