UNO MEDIA

Alcolumbre defende 'paz entre Poderes', mas afirma que Congresso não abre mão de 'prerrogativas'

Alcolumbre defende 'paz entre Poderes', mas afirma que Congresso não abre mão de 'prerrogativas'

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmou nesta segunda-feira que o Congresso Nacional inicia 2026 consciente de sua responsabilidade institucional e disposto a atuar como espaço de mediação política em um ano marcado pelo calendário eleitoral. Ao discursar na sessão solene de abertura do ano legislativo, Alcolumbre fez um apelo por diálogo e paz entre os Poderes, mas ressaltou que a busca por pacificação não implica abrir mão das prerrogativas do Parlamento.

'Cadê ele?' Alcolumbre recepciona Fachin no Congresso

— Precisamos, mais do que nunca, de diálogo, de bom senso e de paz. Paz entre as instituições nacionais, paz entre os Poderes da República. Mas é preciso afirmar com absoluta clareza: defender a paz nunca foi e nunca será sinônimo de omissão. Nossa luta é pelo Estado de Direito, pelas prerrogativas parlamentares e pela autoridade deste Congresso Nacional. Desses valores jamais abriremos mão — afirmou.

No discurso, Alcolumbre destacou decisões tomadas pelo Congresso em 2025 e atribuiu ao Legislativo o protagonismo em pautas estruturantes. Ele citou o avanço da regulamentação da reforma tributária e medidas como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês. Ele acrescentou que, na condição de chefe do Poder, não atuará para ampliar conflitos.

— A discordância faz parte da política. O debate faz parte da vida pública. Mas precisamos afirmar com responsabilidade: o dissenso não pode se transformar em ódio. A discordância não pode se transformar em violência — completou Alcolumbre.

A volta do Congresso

O Congresso retoma os trabalhos em um ano considerado curto, por causa das eleições, quando tradicionalmente o Legislativo fica esvaziado. Nesse cenário, Alcolumbre terá de se equilibrar entre as demandas da oposição, como a deliberação de temas como o veto presidencial ao projeto de lei da dosimetria, e do governo, com a aprovação de pautas consideradas prioritárias e a sabatina de autoridades —principalmente de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Considerado um dos pontos de governabilidade de Lula no Congresso em boa parte do ano passado, Alcolumbre se afastou do Planalto e passou a criticar publicamente a gestão petista após ser contrariado com a indicação de Messias ao Supremo. O presidente do Senado trabalhava pelo nome de seu antecessor, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e passou a trabalhar pela rejeição do nome escolhido por Lula.

No fim do ano, no entanto, se reuniu com o presidente. Aliados do petista descreveram a conversa como positiva e amistosa e afirmaram que a indicação de Messias estaria mais pavimentada. Também num esforço de se aproximar da cúpula do Legislativo, o presidente convidou os presidentes das duas Casas, além de líderes, para um encontro informal na quarta-feira.

Além das demandas de governistas, Alcolumbre também será pressionado pela oposição em temas considerados estratégicos para desgastar a imagem do Planalto e do Supremo, cuja atuação de seus ministros tem sido alvo de queixas dos parlamentares.

No Senado também deve ter foco a CPI do INSS, que investiga fraudes em descontos aplicados a aposentados e pensionistas, e as discussões sobre a crise do Banco Master. Nesse segundo caso, há uma divergência sobre a necessidade de criar uma comissão de inquérito para analisar o caso ou se os trabalhos ficarão restritos a um grupo criado no contexto da Comissão de Assuntos Econômicos (CAE).

  • Davi Alcolumbre
  • Jorge Messias
  • Lula
  • Rodrigo Pacheco
  • STF