O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), inaugurou na segunda-feira uma nova fase do projeto de concorrer ao governo do estado ao admitir de forma oficial, em declaração à imprensa, que vai encarar a disputa. Ele também reiterou que apoiará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), embora tenha refutado o interesse em nacionalizar a campanha e direcionado ataques ao petista André Ceciliano, secretário de Assuntos Legislativos do Palácio do Planalto e ex-presidente da Assembleia Legislativa, que rebateu o que chamou de “fala nervosinha” do prefeito.
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— Sou pré-candidato ao governo do Rio de Janeiro — disse Paes após comandar a primeira reunião de secretariado do ano. — Acho que o estado carece de liderança política, gestão, autoridade, conduta correta na hora de conduzir as políticas públicas. É algo que vem na minha cabeça há algum tempo. Ao longo dos últimos meses fui formando minha decisão sobre isso.
Eleição suplementar
Ao lado de Paes, ao fazer a declaração, estavam duas figuras-chave: o vice Eduardo Cavaliere (PSD), que assumirá a prefeitura, e o deputado federal Pedro Paulo, presidente do PSD no estado. Para ficar apto a disputar o governo, o prefeito precisa se desincompatibilizar do cargo até 4 de abril, seis meses antes do dia da votação. A tendência, contudo, é que ele passe a prefeitura para Cavaliere em 20 de março.
Além do pleito de outubro, Paes comentou sobre a eleição indireta que o Rio precisará enfrentar se o governador Cláudio Castro (PL) se desincompatibilizar do cargo em abril para disputar o Senado. O Rio está sem vice-governador desde que Thiago Pampolha foi para o Tribunal de Contas do Estado (TCE). A Assembleia Legislativa, portanto, teria que eleger alguém para comandar o Palácio Guanabara até o fim do ano.
Paes teceu críticas duras ao ex-presidente da Alerj André Ceciliano (PT), cuja candidatura é ventilada para a disputa indireta. Ele associou o petista a Rodrigo Bacellar (União), que foi preso e afastado do comando da Alerj por ter vazado ao deputado TH Joias a investigação que apura o elo dele com o Comando Vermelho.
— Se Bacellar estiver patrocinando alguma candidatura para essas práticas de conexão com o crime, com o Comando Vermelho, continuarem no estado, não vai ter o apoio do PSD. Quem votar em candidatura patrocinada pelo deputado Bacellar será expulso do partido — garantiu. — É o que me parece do que se especula da candidatura do André Ceciliano, que aliás era o único nome do PT que não tinha declarado voto em mim, e sim no deputado Bacellar para governador. A candidatura dele, para mim, significa a continuidade do Bacellar.
Segundo o prefeito, esse recado foi passado a Lula na conversa que tiveram na semana passada.
— Falei isso ao presidente Lula, que tem que tomar muito cuidado. Como é uma candidatura patrocinada pelo deputado Bacellar, ligado ao Comando Vermelho, o presidente Lula e o PT têm que tomar muito cuidado para não parecer que estão prometendo proteger deputados — alegou. — O padrinho da candidatura do André Ceciliano é o Bacellar. Ceciliano e Bacellar são a mesma coisa. E não serei refém do mesmo grupo do qual o governador Cláudio Castro é refém.
Depois dos ataques de Paes, Ceciliano enviou uma nota para rebatê-lo. Chamou as declarações de “fala nervosinha” e negou que tenha se movimentado para viabilizar candidatura.
— Em nenhum momento coloquei meu nome como candidato a coisa alguma em 2026, a não ser a deputado estadual, mas percebo na fala nervosinha do prefeito que ele está dando uma importância a mim maior do que eu imaginava — disse. — Tenho sido procurado por deputados de diferentes matizes ideológicas sobre a possibilidade de disputar essa eleição indireta, mas já disse que esse projeto só fará sentido se, de alguma forma, isso vier a contribuir para a reeleição do presidente Lula no Rio, que precisa de um palanque no estado berço do bolsonarismo.
Segundo o secretário do Planalto, Paes e o entorno dele “já deram todos os indicativos de que pretendem se manter neutros em relação à eleição presidencial e já estão se aliando a nomes do bolsonarismo no estado, como o pastor Silas Malafaia e o governador Cláudio Castro”.
Apoio de Lula
Até então, o mais perto que Paes havia chegado de admitir a candidatura tinha sido em visitas informais a prefeitos do interior, como fez no último fim de semana em Santo Antônio de Pádua, no Noroeste Fluminense. O anúncio marca ainda o descumprimento da promessa, feita na campanha municipal de 2024, de que ficaria até o fim do novo mandato.
Paes tem tentado atrair o apoio de prefeitos e dirigentes de partidos que lhe dariam capilaridade no estado. Um dos desafios do carioca é expandir sua votação para fora da capital. Alguns nomes já despontam como opções de vice da chapa. Ex-prefeito de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, Rogério Lisboa (PP) é considerado o favorito ao posto.
Diferentemente de São Paulo e Minas Gerais, o Rio concentra mais de 70% do eleitorado na Região Metropolitana. É por isso que a Baixada e municípios que fazem limite com a capital na parte leste do cinturão metropolitano, como São Gonçalo, são cruciais.
Outro ponto a ser observado na campanha de Paes é o casamento entre a eleição de governador e a presidencial. Aliados, o prefeito e o presidente Lula estavam distantes nos últimos meses, mas se reuniram na semana passada para contornar crises. O petista tem avaliação ruim no Rio, e há temores no PT de que o candidato a governador possa abandoná-lo. Na segunda-feira, no entanto, o prefeito reforçou o apoio, apesar de indicar que não pretende nacionalizar a campanha.
— Minha decisão é de apoiar a candidatura do presidente Lula, nunca tive dúvida disso — afirmou. — (Mas) Não é ele quem vai governar o Rio de Janeiro se eu ganhar a eleição. Eu vou tratar do Rio de Janeiro.
Ainda nessa linha, apontou que, ao conversar com o presidente, deixou claro que também precisa fazer alianças com grupos diferentes:
— O presidente Lula me disse que gostaria de ver a deputada Benedita da Silva de volta ao Senado. Eu disse que seria uma honra, mas que também vou buscar a aliança mais ampla possível. O Rio precisa de união, de força, inclusive nessas alianças pode ter alguém que não concorde comigo sobre a eleição presidencial.
Hoje no quarto mandato, o político de 56 anos é o prefeito mais longevo da história da cidade. Superou seu antigo padrinho político, Cesar Maia, que exerceu a função por três períodos. Já Cavaliere, classificado na segunda-feira por Paes como “capaz” e “preparado”, tem 31 anos e será o mais jovem a comandar o Rio.
(Colaborou Luiz Ernesto Magalhães)
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