A senadora Eliziane Gama se filiou ao PT nesta quinta-feira, após deixar o PSD em meio à mudança de rumo do partido no cenário nacional. A decisão ocorre na esteira do lançamento da pré-candidatura presidencial do governador de Goiás, Ronaldo Caiado, que levou a sigla a se reposicionar como alternativa ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Sua ficha foi abonada pessoalmente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em Salvador.
Nos bastidores, a entrada de Caiado na disputa foi determinante para a saída da parlamentar. Próxima de Lula e alinhada ao Planalto no Senado, Eliziane avaliou que a permanência no PSD se tornaria incompatível com a nova estratégia nacional do partido.
O movimento ocorre em meio a uma reconfiguração mais ampla do PSD. Ontem, o partido perdeu Rodrigo Pacheco, que se filiou ao PSB, em um gesto interpretado como distanciamento da linha adotada pela legenda comandada por Gilberto Kassab.
No caso de Pacheco, a filiação do agora governador Mateus Simões ao PSD tensionou o ambiente interno em Minas e tornou insustentável sua permanência. Ele entrou no novo partido deixando em aberto a possibilidade de concorrer ao governo do estado.
Com atuação destacada em colegiados de investigação, Eliziane ganhou projeção nacional como relatora da CPI dos atos golpistas de 8 de janeiro e integrou também a CPI do INSS. Nos dois casos, alinhou-se ao governo Lula e se consolidou como uma das vozes mais ativas da base no Senado.
Indicação de Messias
Próxima do advogado-geral da União, Jorge Messias, Eliziane é vista como peça-chave na articulação para viabilizar sua indicação ao Supremo Tribunal Federal. No Senado, ela é um dos principais elos do governo junto à bancada evangélica, segmento que Messias também faz parte. A senadora é membro da Assembleia de Deus, enquanto o AGU frequenta a Igreja Batista.
A senadora deve atuar na linha de frente da força-tarefa que visa acelerar a tramitação.
Aliados reconhecem que o processo enfrenta desgaste e resistência no Senado. Há a expectativa de que Eliziane ajude a pressionar pela formalização do envio da mensagem à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), hoje travada nas mãos do presidente da Casa, Davi Alcolumbre. Interlocutores relatam que Alcolumbre não demonstra pressa em avançar com o tema, em meio ao mal-estar com o Planalto.
No Maranhão, a mudança partidária tem efeito direto na disputa local. A ida de Eliziane para o PT reforça o palanque lulista no estado e amplia o peso político da pré-candidatura do vice-governador Felipe Camarão. O movimento ocorre em meio ao racha no grupo que hoje comanda o estado, após o governador Carlos Brandão lançar um nome próprio para a sucessão, em paralelo ao projeto do aliado petista. O escolhido foi seu sobrinho, Orleans Brandão.
Ao anunciar a saída, Eliziane afirmou que o PSD “decidiu seguir um novo trilho político no país” e indicou divergência com o novo posicionamento da legenda. A decisão está diretamente ligada à estratégia nacional do partido, que vinha discutindo nomes próprios para a disputa presidencial — como Eduardo Leite e Ratinho Júnior — antes de consolidar Caiado como opção.
“O PSD decidiu seguir um novo trilho político no país. Eu respeito, mas tenho um pensamento diferente, que é público no Brasil”, afirmou em nota.
Ela agradeceu a Kassab e a lideranças do partido pela convivência nos últimos anos.