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Após atuação de Zema, MG aprova privatização que pode turbinar caixa para candidatura de vice em 2026

Após atuação de Zema, MG aprova privatização que pode turbinar caixa para candidatura de vice em 2026

A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou nesta quarta-feira, em segundo turno, o projeto de lei que autoriza a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), uma das principais bandeiras do governador Romeu Zema (Novo). A proposta passou por 53 votos a 19, após rejeição das emendas apresentadas pela oposição. Eram necessários 48 votos para aprovação do projeto. Trabalhadores da estatal protestaram nas galerias durante a sessão.

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A votação ocorre pouco mais de um mês depois de a base governista ter conseguido aprovar uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que retirou a exigência de referendo popular para a venda da companhia, abrindo caminho para a desestatização. O movimento é visto por aliados e adversários como peça central da estratégia do Palácio Tiradentes para reforçar o caixa do estado a partir de 2026, ano em que o vice-governador Mateus Simões (PSD) deve disputar a sucessão de Zema.

De autoria do governador, o projeto autoriza o estado, hoje controlador de 50,03% das ações, a deixar o comando da empresa, presente em cerca de 75% dos municípios mineiros. A Copasa atua em 637 cidades com abastecimento de água e, em 308 delas, também presta serviços de esgoto, números que incluem os municípios atendidos pela Copanor, subsidiária responsável pelo Norte e Nordeste de Minas.

Zema sustenta que a privatização é necessária para “modernizar” a estatal, atrair investimentos e ajudar no equacionamento da dívida mineira com a União, estimada em cerca de R$ 180 bilhões. Em 2024, a Copasa registrou lucro líquido de R$ 1,3 bilhão; de janeiro a setembro deste ano, o resultado superou R$ 1,07 bilhão.

A oposição tentou obstruir a pauta e criticou o projeto. Líder do bloco contrário à venda, o deputado Ulysses Gomes (PT) afirmou que a desestatização tende a precarizar serviços essenciais.

— A consequência da privatização, sobretudo de serviços essenciais como energia e saneamento básico, na absoluta maioria [dos locais] onde aconteceu, foi danosa na vida do cidadão — disse.

Aprovado na forma de um substitutivo da Comissão de Fiscalização Financeira e Orçamentária, o texto estabelece metas de universalização de água e esgoto e de melhoria da qualidade da água tratada após a privatização. Prevê ainda a manutenção dos contratos de trabalho dos empregados do quadro permanente por 18 meses. Passado esse prazo, o estado poderá remanejar servidores para outras empresas públicas, sem garantia de permanência.

Os recursos obtidos com a venda poderão ser usados para amortizar a dívida com a União e para cumprir exigências do Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag). Parte do montante também poderá ser destinada a um fundo estadual de saneamento básico.

Nos bastidores, o governo mineiro já sinalizou que não pretende repassar integralmente à União o dinheiro da privatização. Em ofício enviado ao Tesouro Nacional após a aprovação da PEC, Zema informou que os valores seriam aplicados em investimentos de infraestrutura, estratégia semelhante à adotada pelo governador do Rio, Cláudio Castro (PL), com a concessão da Cedae. A expectativa da gestão é arrecadar cerca de R$ 4 bilhões com a Copasa e destravar aproximadamente R$ 1,4 bilhão em obras em 2026, o que pode favorecer a candidatura de Simões.

A oposição questiona a pressa do governo e a ausência de estudos de impacto detalhados, além de alertar para risco de aumento de tarifas e demissões. O Palácio Tiradentes, por sua vez, afirma que a venda é condição para viabilizar investimentos e reorganizar as finanças do estado.