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Após cancelar visita a Bolsonaro alegando compromissos já marcados, Tarcísio terá apenas despachos internos no Bandeirantes

Após cancelar visita a Bolsonaro alegando compromissos já marcados, Tarcísio terá apenas despachos internos no Bandeirantes

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), não divulgou compromissos públicos em sua agenda nesta quinta-feira (22). Segundo sua assessoria pessoal, ele terá apenas despachos internos no Palácio dos Bandeirantes.

Tarcísio tinha viagem marcada para Brasília hoje, onde visitaria o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal (PM-DF), conhecido como Papudinha. O encontro chegou a ser confirmado pelo governador na terça-feira (20), mas foi cancelado horas depois, sob a alegação de que ele já tinha agendamentos em São Paulo.

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Segundo assessores do Palácio dos Bandeirantes, o governador fez apenas despachos internos ao longo da tarde e não recebeu interlocutores. Ao GLOBO, eles deram a justificativa de que Tarcísio está "se preservando" e "cuidando da cozinha".

Deputados bolsonaristas na Assembleia Legislativa do Estado (Alesp) disseram ao GLOBO que tampouco foram informados de agendas inadiáveis no Palácio nesta quinta. Um deles ressaltou que a ausência de compromissos na agenda reforça a impressão de que o governador quis passar um recado ao ex-presidente e a Flávio.

Apesar do recolhimento, Tarcísio não evitou as críticas nas redes sociais. No X, uma postagem do governador sobre as obras da Linha 6-Laranja do metrô rendeu mais de mil comentários, a maioria negativos e em alusão ao cancelamento da visita que faria ao ex-presidente Bolsonaro. Também houve cobranças para que apoiasse a caminhada do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em defesa de uma anistia ao ex-presidente Bolsonaro.

O encontro cancelado entre Bolsonaro e Tarcísio, segundo o senador Flávio Bolsonaro, indicado pelo pai para concorrer à presidência, teria o objetivo de reforçar ao governador que sua reeleição em São Paulo seria prioritária para o projeto do ex-presidente. Isso irritou Tarcísio, que ainda sonha em concorrer ao Palácio do Planalto, embora ele tenha dito mais de uma vez que iria apoiar Flávio "no momento certo", segundo interlocutores.

A pressão do entorno bolsonarista para que ele apoiasse de maneira mais firme a empreitada eleitoral do filho mais velho do ex-presidente é o principal motivo para a "irritação" do governador paulista, ainda de acordo com aliados.

A orientação do governador é não fechar portas nem assumir compromissos adicionais agora. A estratégia é empurrar para abril qualquer definição mais clara sobre o grau de engajamento na eleição presidencial, sob o argumento de que, com Bolsonaro preso e o bolsonarismo em reacomodação, qualquer gesto pode virar “carimbo” de alinhamento.

A visita havia sido autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e seria o primeiro encontro entre os dois após a prisão do ex-presidente, no fim de novembro — e também a primeira conversa desde que Bolsonaro indicou Flávio como pré-candidato ao Planalto, em dezembro. A solicitação havia sido apresentada pela defesa do ex-presidente.