A Polícia Federal cumpre neste sábado dez mandados de prisão domiciliar determinados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no âmbito dos processos da trama golpista. As ações ocorrem após a tentativa de fuga do ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal Silvinei Vasques, que foi preso ontem no Paraguai ao tentar embarcar para El Salvador, e têm o objetivo de evitar novas evasões.
Os alvos são os condenados por integrar o núcleo 2, 3 e 4 do plano golpista para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro no poder no fim de 2022. Os membros do núcleo 1, que inclui Bolsonaro, já começaram a cumprir a pena.
Entre os alvos dos mandados de prisão domiciliar estão o ex-assessor da Presidência da República Filipe Martins, a delegada da PF Marilia Ferreira de Alencar, e os militares Giancarlo Gomes Rodrigues, Angelo Martins Denicoli, Fabricio Moreira de Bastos, Sergio Ricardo Cavaliere, Bernardo Romão Correa Netto e Ailton Gonçalves Moraes Barros.
Eles já foram sentenciados nas ações penais da trama golpista, mas ainda há possibilidade de entrar com recursos antes do trânsito em julgado (encerramento do caso).
Diante do fato novo da tentativa de fuga de Silvinei, Moraes ordenou a prisão domiciliar desses alvos, com o uso de tornozeleira eletrônica, entrega de passaportes, proibição de visitas, veto ao uso de redes sociais e suspensão dos documentos de porte de arma de fogo .
As ordens judiciais estão sendo cumpridas nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Goiás, Bahia, Tocantins e no Distrito Federal. Algumas diligências contaram com o apoio do Exército Brasileiro.
Em vídeo, o advogado de Filipe Martins, Jeffrey Chiquini, classificou a decisão como "absurda" e "vingativa" e declarou que não há "nenhuma alteração no quadro fático" contra o seu cliente.
— O que o Filipe Martins tem a ver com a fuga de outro réu? — questionou o defensor, e completou:
— Filipe Martins estava até hoje com tornozeleira eletrônica e não podia sair da sua cidade. Hoje, no meio do recesso, semana de festas, ele tem uma prisão domiciliar decretada, sem qualquer motivo.
Conforme a decisão, o ex-assessor da Presidência não poderá mais receber visitas sem autorização judicial nem sair de casa. Ele segue utilizando a tornozeleira eletrônica. O mandado foi informado por agentes da PF que foram hoje à sua residência, em Ponta Grossa (PR).
Ex-diretor da PRF
Na noite desta sexta-feira, a Polícia Nacional do Paraguai entregou Silvinei Vasques às autoridades brasileiras em Foz do Iguaçu (PR), após ele ter sido detido no aeroporto internacional de Assunção, onde pegaria um voo com destino final a El Salvador. Vasques percorreu um trajeto de mais de 1.300 quilômetros de São José, na Região Metropolitana de Florianópolis, à capital do Paraguai.
Após a descoberta da fuga, o policial rodoviário federal teve a prisão preventiva decretada por Moraes e será transferido a Brasília neste sábado.
Segundo as investigações da PF, o plano de evasão envolveu a confecção de um passaporte paraguaio, a saída de casa na noite de Natal, a locação de um carro e a violação da tornozeleira eletrônica, que parou de funcionar no meio do trajeto provavelmente por falta de bateria.
Silvinei não foi o único aliado de Bolsonaro que fugiu do país após se tornar alvo de processos no Supremo. Também deixaram o Brasil o ex-diretor-geral da Abin e deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e a deputada Carla Zambelli (PL-SP). Os dois primeiros parlamentares vivem hoje livremente nos Estados Unidos e Zambelli está presa na Itália.