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Ata em que ex-diretor relata reunião com Vorcaro acendeu alerta no BC e intensificou investigação interna

Ata em que ex-diretor relata reunião com Vorcaro acendeu alerta no BC e intensificou investigação interna

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A atuação de Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, que eram, respectivamente, chefe e adjunto do departamento de supervisão bancária do Banco Central no caso Master, começou a ser monitorada pelo alto escalão da autoridade monetária já em setembro do ano passado. Naquele mês, o BC vetou a tentativa de aquisição do banco de Daniel Vorcaro pelo Banco de Brasília (BRB).

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A suspeição começou a ficar mais forte, porém, em novembro, mês em que o Master foi liquidado pelo Banco Central e em que Vorcaro chegou a ser preso. O motivo foi uma ata redigida por Souza — que havia sido diretor de Fiscalização no período de maior crescimento do Master —, sobre uma reunião realizada em 17 de novembro, às vésperas da liquidação.

O advogado que defende Paulo Sérgio diz que ele não atuou em favor da defesa de Daniel Vorcaro e ressaltou que o servidor trabalhou na minuta do voto de liquidação do Master e na comunicação da investigação sobre o banco ao Ministério Público Federal (MPF) para adoção das medidas cabíveis. O BC não se manifestou.

Pedido da defesa de Vorcaro

A ata que despertou atenção do BC foi feita após um requerimento formal da defesa de Vorcaro, no qual eram pedidos detalhes do encontro. A resposta foi que a reunião, da qual também haviam participado Belline Santana e o diretor de Fiscalização, Ailton Aquino, não tinha sido gravada ou registrada, mas Souza detalha os termos do encontro realizado virtualmente.

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Ele cita, inclusive, a informação de que o chefe do Master teria informado que viajaria para o exterior para negociar uma nova tentativa de venda do banco para investidores árabes.

Esse material foi usado posteriormente pela defesa do ex-banqueiro para conseguir sua liberação da cadeia, ainda que com uso de tornozeleira eletrônica. Neste mês, Vorcaro voltou a ser preso por ordem do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF) e agora negocia um acordo de delação premiada.

O documento redigido por Souza era encaminhado para o seu superior, Santana. Interlocutores do Banco Central apontam que a situação foi atípica e que isso acendeu de vez o alerta sobre a postura dos dois servidores, que já era vista como muito benevolente aos gestores do Master. A partir daí, a cúpula do BC determinou um cruzamento de dados para ver se eles estavam tendo algum tipo de relação irregular com Vorcaro.

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Com os dados preliminares, o primeiro a ser afastado foi Paulo Sérgio Souza, ainda em dezembro. Em janeiro, já com a sindicância aberta, o ex-diretor pede saída do cargo. No fim do mesmo mês, Belline — que também já tinha sido afastado por conta da investigação formal — faz movimento similar e pede para deixar o posto.

O Banco Central tentou manter o caso distante do grande público até que O GLOBO revelou em fevereiro a existência da apuração interna. A justificativa formal estava sendo que a situação do Master demandava que se apurasse o que ocorreu e o episódio era comparado a uma queda de avião.

Porém, na mesma decisão que prendeu Vorcaro, Mendonça disse que os técnicos funcionavam como uma espécie de "consultores" do banqueiro. Além de serem afastados dos cargos, Paulo Souza e Belline Santana estão sendo monitorados por tornozeleira eletrônica, proibidos de deixar os municípios onde residem e terão de entregar os passaportes para a PF.

Também não podem entrar no BC e acessar seus sistemas. Além disso, não podem se comunicar com outros investigados e com testemunhas.

A defesa de Paulo Sérgio disse que desconhece totalmente a informação de que estaria no radar do BC desde setembro e afirmou que ele participou de todos os principais trabalhos de investigação das ocorrências que culminaram em comunicação do caso Master ao MPF. Sobre a ata, afirmou que o documento foi revisado e autorizado pelos seus superiores.

“Paulo Sérgio jamais poderia imaginar que o teor da ata poderia servir como justificativa para a revogação da prisão. Não tendo Paulo Sérgio, em qualquer momento, atuado em favor da defesa de Daniel Vorcaro", afirmou a defesa.

Processo aberto

Com os dados da polícia e a apuração interna do BC, foi aberto um processo administrativo (PAD) que pode levar à demissão dos dois do serviço público. A própria Controladoria-Geral da União (CGU) está avaliando os dados da investigação e irá conduzir o PAD, até porque Souza foi diretor e estaria na alçada do órgão de controle.

O caso gerou forte comoção interna entre os servidores do BC, que inicialmente se solidarizavam com os dois, mas depois das revelações da polícia passaram a cobrar punição. Após as informações virem à tona, diretores e chefes de departamento mantiveram contatos mais diretos com seus subordinados para explicar o que havia acontecido. Além disso, funcionários relatam que tem havido maior preocupação com a obediência aos procedimentos internos.

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