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‘Bancada da bala’ cobra Tarcísio por mais investimentos na segurança em São Paulo

‘Bancada da bala’ cobra Tarcísio por mais investimentos na segurança em São Paulo

Deputados da “bancada da bala” da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), pressionados pelas polícias, subiram o tom contra o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) nas últimas semanas. A insatisfação chegou ao ápice com o veto parcial a um projeto de lei complementar que permitia aos policiais militares contabilizar até 10 anos de serviço fora da carreira no serviço público para fins de aposentadoria, dobrando o limite atual. O governo não concordou com a medida e alegou inadequação às regras federais e impacto orçamentário.

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Desde o fim do recesso, parlamentares do PL têm discutido com o presidente da Casa, André do Prado, do mesmo partido, a possibilidade de derrubada do veto. O político é um dos cotados para a vice de Tarcísio nas eleições de outubro. Eles argumentam que o governo descumpriu promessa feita no Palácio dos Bandeirantes, em dezembro do ano passado, após seis meses de espera para o envio do texto aprovado ao Executivo, quando passa a contar o prazo da sanção. O veto ocorreu no recesso da virada do ano e foi assinado pelo atual vice, Felício Ramuth (PSD).

— Ele se comprometeu comigo na frente de outros deputados. Falou para mim: ‘Vou sancionar o seu projeto de lei, diminui o tempo de averbação de 15 para 10 anos que eu sanciono’ — afirma o deputado estadual Major Mecca (PL), que pertence à maioria governista. — O governo não cumpriu o que foi tratado. Isso é uma postura de enorme desrespeito. Não só a mim, parlamentar, mas principalmente aos policiais militares do Estado de São Paulo.

A crítica agora se soma a outras recorrentes no plenário, como a ausência de reajuste salarial todos os anos para as forças de segurança pública, o contingenciamento de recursos, a falta de equipamentos e a demora em liberar cartas de crédito para um programa de financiamento de moradias a juros subsidiados, com 40 mil policiais na fila.

— A gente está buscando cobrar o governo de uma forma um pouco mais justa para que ele acorde, porque ainda há tempo este ano — declara o deputado do PL. — Eu visito os quartéis, as delegacias, estou lá na ponta da linha testemunhando o abandono, o sucateamento das unidades policiais. Estou acompanhando a falta de uniforme, o cansaço, o estresse físico e psicológico a que os policiais estão sendo submetidos com salário de miséria.

A oposição reitera que a insatisfação se repete em todas as polícias e atribui os cortes nos investimentos a uma estratégia eleitoral do governador, que deve disputar a reeleição tendo como principal adversário o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT).

— O governo tem um calendário eleitoral, que obviamente é a prioridade dele — argumenta Reis (PT), outro deputado com origens na segurança pública. — Esse calendário pressupõe a entrega de obras grandes, como a linha Ouro, o Rodoanel. É uma agenda ideológica e eleitoral que acaba sufocando o funcionalismo público. A gente só está vendo a PM na rua porque eles precisam vender as suas folgas, mas isso eleva o estresse e provoca o adoecimento.

Reis comenta que os colegas aliados de Tarcísio “estão numa sinuca de bico”, porque foram eleitos com um discurso crítico a João Doria na área da segurança, mas enfrentam uma insatisfação “ainda maior” das categorias com o atual governo.

— Eles votaram neles esperando que os problemas fossem solucionados, que tivesse a valorização salarial, a estruturação da polícia, o plano de carreira, tudo o que foi prometido. Foi um péssimo negócio para a bancada da bala, que agora está calibrando o discurso para buscar uma reaproximação com a base das polícias que eles perderam — completa.

Outra pauta que vem provocando reprovação na Alesp é a demora na regulamentação da Lei Orgânica da Polícia Civil. Depois de quase um ano de discussões sem resultados, o governo criou um novo Grupo de Trabalho (GT) para elaborar uma outra proposta. A medida, criticam os policiais, ignora o tempo de debate acumulado anteriormente e exclui representantes da Superintendência da Polícia Técnico-Científica da composição oficial do grupo.

Bruno Lazzari, presidente do Sindicato dos Peritos Criminais do Estado de São Paulo (Sincresp), ressalta que a exclusão da categoria ocorre em um momento em que a Polícia Técnico-Científica intensifica a cobrança por investimentos e reajuste salarial.

— O principal ponto de divergência é o retorno do pagamento por subsídio, que não permite nenhum tipo de benefício, como quinquênio e sexta parte. Hoje, a Polícia Civil de São Paulo está entre os últimos cinco estados em termos salariais, apesar de ser uma das que mais trabalham. E sem vislumbrar nenhuma garantia de aumento — destaca Lazzari.

O governo paulista foi procurado para comentar sobre as críticas na Alesp, entre outros pontos levantados por integrantes das forças de segurança, e respondeu com uma nota que menciona investimentos na área, mas não especificamente a atuação dos parlamentares da base.

Segundo a administração estadual, o montante destinado à Secretaria de Segurança Pública foi elevado de R$ 15 bilhões, em 2022, para R$ 21,4 bilhões, este ano, quando se exclui da conta o gasto com aposentadorias e pensões. O governo afirma ainda que "tem avançado na recomposição dos efetivos, na valorização dos profissionais e na modernização das polícias".