O ex-presidente Jair Bolsonaro deixou no fim da tarde desta quarta-feira o hospital DF Star, em Brasília, após passar cerca de cinco horas no local para a realização de exames autorizados pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele retornou à Superintendência da Polícia Federal, onde cumpre pena. O transporte e a segurança foram realizados pela PF, conforme determinação judicial.
Bolsonaro foi diagnosticado com traumatismo craniano leve após uma queda ocorrida na madrugada de terça-feira na Superintendência da PF. Segundo o médico Brasil Ramos Caiado, os exames realizados no DF Star identificaram apenas lesões em partes moles, sem qualquer comprometimento intracraniano.
— Observamos uma lesão em partes moles da região temporal direita e da região frontal direita, caracterizando traumatismo craniano leve. Intracraniano não há lesão. Isso é bom para ele. Essa lesão não é preocupante — afirmou o médico.
O ex-presidente passou por tomografia, ressonância magnética e eletroencefalograma, que apresentou resultado normal.
Caiado explicou que, inicialmente, a equipe médica considerou a hipótese de que Bolsonaro tivesse caído da cama. No entanto, após conversa com o ex-presidente e análise do local do impacto, os médicos passaram a avaliar que ele se levantou, tentou caminhar e acabou caindo, batendo a cabeça.
— Inicialmente pensamos que foi da cama. Mas depois, conversando com ele, relembrando os fatos, e observando que a contusão foi do lado direito, isso nos leva a crer que ele levantou, tentou caminhar e caiu — disse.
Ainda de acordo com o médico, há uma suspeita inicial de interação medicamentosa. Bolsonaro faz uso de diferentes medicamentos para o controle de crises persistentes de soluço, e a equipe avalia se esse conjunto pode ter provocado desorientação, tontura e desequilíbrio.
— Ele faz uso de vários medicamentos para as crises de soluço, e estamos com um problema agora: se esses quadros forem recorrentes e colocarem o paciente em zona de risco, precisamos avaliar se mantemos a medicação ou lidamos com um quadro degradante de soluços — afirmou Caiado.
O médico ressaltou ainda que não houve confirmação de crise convulsiva e que o episódio não prejudicou a recuperação da cirurgia recente de hérnia à qual o ex-presidente foi submetido.
Michelle e Carlos no hospital
Após a alta, Michelle Bolsonaro afirmou que ainda há incerteza sobre o momento exato da queda dentro da unidade da PF e disse que o ex-presidente não se recorda do episódio.
— A gente não sabe o exato momento em que ele se acidentou. Ele não se lembra — afirmou.
Michelle também declarou que a defesa pretende reforçar o pedido de conversão da prisão em domiciliar, citando comorbidades e o que considera demora no atendimento após a queda.
O ex-vereador Carlos Bolsonaro criticou as condições do local da prisão e afirmou haver divergência entre os registros formais e a rotina enfrentada pelo pai.
— O que está nos autos não está acontecendo na vida real — disse, ao mencionar ruídos constantes, umidade no quarto e falhas estruturais que, segundo ele, agravam o quadro clínico do ex-presidente.
Apoiadores e os deputados Coronel Chrisóstomo (PL-RO) e Bia Kicis (PL-DF) também estiveram no local para prestar apoio.
Segundo a Polícia Federal, relatório médico elaborado anteriormente já indicava que o ex-presidente estava consciente, orientado e sem sinais de déficit neurológico, apresentando apenas lesões superficiais e leve desequilíbrio ao ficar em pé.
A autorização para a realização dos exames foi concedida após pedido da defesa e apresentação de laudos médicos ao STF. Inicialmente, Moraes avaliou que não havia necessidade de remoção imediata, mas liberou o deslocamento após receber a documentação solicitada.
Bolsonaro está preso desde o fim de novembro na Superintendência da Polícia Federal em Brasília, onde cumpre pena de 27 anos e três meses, imposta pelo STF por envolvimento na tentativa de golpe de Estado.