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Bolsonaro teve 'quadro de confusão mental e alucinações' que pode ter sido induzido por medicamentos , diz boletim médico

Bolsonaro teve 'quadro de confusão mental e alucinações' que pode ter sido induzido por medicamentos , diz boletim médico

Jair Bolsonaro relatou a seus médicos ter tido um quadro de "confusão mental e alucinações" na noite de sexta-feira, segundo seu boletim médico. Os médicos do ex-presidente dizem que o episódio pode ter sido resultado do efeito colateral da Pregabalina, receitada a Bolsonaro por uma médica que não é integrante da equipe que cuida do ex-presidente.

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Bolsonaro teve sua prisão preventiva decretada na manhã de sábado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que citou na decisão o risco de fuga e a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica. Em audiência de custódia no STF neste domingo, Bolsonaro disse que teve "alucinações" e que pensou que havia uma escuta no equipamento e que, por isso, danificou-o com um ferro de solda.

Em boletim médico anexado à manifestação da defesa do ex-presidente, a equipe médica de Bolsonaro afirma que o quadro foi "possivelmente induzido pelo uso do medicamento Pregabalina, receitado por outra médica, com o objetivo de otimizar o tratamento, porém sem o conhecimento ou consentimento" dos médicos Claudio Birolini e Leandro Echenique, que assinam o documento.

A Pregabalina é um remédio anticonvulsivante e modulador de dor neuropática. No boletim médico, Birolini e Echenique dizem que "esse medicamento apresenta importante interação com os medicamentos que ele (Bolsonaro) utiliza regularmente para tratamento das crises de coluço (Clorpromazina e a Gabapentina) e tem como reconhecidos efeitos colaterais, a alteração do estado mental com a possibilidade de confusão mental, desorientação, coordenação anormal, sedação, transtorno de equilíbrio, alucinações e transtornos cognitivos".

Os médicos de Bolsonaro ressaltam que o uso da Pregabalina foi "suspenso imediatamente, sem sintomas residuais neste momento" e que vão realizar avaliações periódicas no ex-presidente.

Moraes atendeu a um pedido da Polícia Federal, respaldado pela Procuradoria-Geral da República. Em sua decisão, Moraes citou a tentativa de violação da tornozeleira eletrônica à 0h08 de sábado, além do "elevado risco de fuga" em meio à aglomeração de bolsonaristas esperada ao redor da residência do ex-presidente, convocada por seu filho, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

Antes de ser transferido para uma sala de 12 metros quadrados na Superintendência da PF no Distrito Federal, Bolsonaro já estava em prisão domiciliar preventiva, desde 4 de agosto por ter descumprido medidas cautelares decretadas por Moraes. Em setembro, o ex-presidente foi condenado pela Primeira Turma do STF a 27 anos e três meses de prisão por crimes contra a democracia, entre os quais golpe de Estado e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito. Na semana passada, o STF rejeitou recurso apresentado pela defesa de Bolsonaro. Com isso, a expectativa já era de que o ex-presidente passasse a cumprir pena em uma prisão nos próximos dias.

Neste domingo, Bolsonaro disse, durante uma audiência de custódia no STF, que teve uma alucinação de que haveria uma escuta em sua tornozeleira eletrônica e também uma "certa paranoia", que o motivaram a danificar o equipamento com um ferro de solda. O ex-presidente disse que agiu sozinho e que o equipamento que usou já estava em sua casa. Ao final do depoimento, a prisão preventiva de Bolsonaro foi mantida.

"O depoente afirmou que estava com 'alucinação' de que tinha alguma escuta na tornozeleira, tentando então abrir a tampa", diz a ata da audiência, que durou meia hora neste domingo.

Ainda na madrugada de sábado, quando agentes estiveram em sua casa após o alerta de dano à tornozeleira, Bolsonaro já havia reconhecido que usou um ferro de solda para tentar se desfazer da tornozeleira, atitude que respaldou a ordem de prisão expedida por Moraes.

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