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Boulos deve intensificar relação do governo com os movimentos sociais de olho na campanha de Lula à reeleição

Boulos deve intensificar relação do governo com os movimentos sociais de olho na campanha de Lula à reeleição

Anunciado ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos terá como principal missão na pasta aproximar os movimentos sociais do governo de olho na eleição do ano que vem.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva gostaria de ver as entidades mais engajadas em pautas do Palácio do Planalto e mobilizadas para propagar as iniciativas da gestão federal.

Na campanha presidencial, os movimentos sociais poderiam atuar como cabos eleitorais de Lula. Havia uma avaliação no entorno do presidente que Márcio Macêdo, que comandou a Secretaria-Geral por quase três anos, não conseguiu imprimir uma marca durante a sua passagem pela pasta.

No período em que esteve à frente da Secretaria-Geral, Macêdo sempre foi alvo de fogo amigo dentro do Palácio do Planalto e em altas do PT que avaliava que o ex-ministro tinha atuação apagada em uma pasta que sempre teve protagonismo em governo petistas, com capacidade de articulação e de formular políticas. Nos primeiros dois mandatos de Lula, a cadeira foi ocupada por Luiz Dulci, aliado histórico do petista e um dos fundadores do PT.

O entorno presidencial também argumentava que Macêdo acabou "esquecido" por Lula, com poucas agendas com o petista e ainda menos protagonismo em sua pasta.

Até ser eleito deputado federal em 2022 pelo PSOL, Boulos era líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). A princípio, a sua escolha não agrada movimentos mais ligados ao PT, como o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST).

O novo ministro também deve ter papel na negociação para a criação de regras para trabalhadores que atuam por meio de aplicativos, seja de entregas ou de transporte. Essa foi uma promessa de Lula na eleição de 2022 não cumprida até agora.

Boulos tem uma relação próxima com Lula desde a década passada. O então líder sem-teto esteve com o petista no momento de seu prisão em 2018. Boulos era, inclusive, defensor da tese vencida que Lula deveria resistir e não se entregar à Polícia Federal após a decretação da ordem de prisão pelo juiz Sergio Moro em virtude da condenação no caso do tríplex Guarujá.

Naquele ano, Boulos foi a candidato a presidente da República pelo PSOL. Lula enviou um vídeo para evento de lançamento de sua pré-candidatura, apesar de, naquele momento, ainda se colocar como postulante ao mesmo cargo (em seguida o líder petista foi substituído por Fernando Haddad).

Em 2020, Boulos concorreu a prefeito de São Paulo pelo PSOL. A poucos dias do primeiro turno, Lula tentou forçar o então do candidato do PT, Jilmar Tatto, a sair da disputa para apoiar o psolista. Boulos acabou passando para o segundo turno e perdeu para Bruno Covas (PSDB).

Quatro anos depois, Lula fez com que o PT apoiasse uma nova candidatura de Boulos a prefeito da capital paulista. O candidato do PSOL chegou novamente ao segundo turno, mas perdeu para Ricardo Nunes (MDB).

A expectativa é que Boulos fique no cargo no governo federal até o fim do terceiro mandato de Lula em dezembro do ano que vem. Assim, o novo ministro não deve disputar a eleição de 2026, o que fará o PSOL sair em busca de outro puxador de votos em São Paulo para não perder espaço no Congresso.

A mudança leva o governo Lula a chegar à décima terceira troca no primeiro escalão. Desde o início do terceiro mandato do petista, em janeiro de 2023, a média é de uma mudança do gênero a cada 76 dias, ou dois meses e meio.

Veja as mudanças anteriores

Gonçalves Dias (sem partido)

Deixou o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência da República em abril de 2023, após virem à tona vídeos de sua postura durante os atos de 8 de janeiro daquele ano

Daniela Carneiro (União Brasil)

Em julho de 2023, foi substituída no Ministério do Turismo por Celso Sabino, do mesmo partido, em busca de mais apoio da sigla no Congresso

Ana Moser (sem partido)

A ex-jogadora de vôlei deixou o Ministério do Esporte em setembro de 2023 para dar lugar a André Fufuca (PP), mais uma vez numa costura política junto ao Centrão

Márcio França (PSB)

Nas mesmas tratativas, Silvio Costa Filho (Republicanos) assumiu a pasta de Portos e Aeroportos. França foi realocado no então recém-criado Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte

Flávio Dino (PSB)

Deixou a Esplanada no início de 2024 para assumir uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) e foi substituído por Ricardo Lewandowski (sem partido) no Ministério da Justiça e Segurança Pública

Silvio Almeida (sem partido)

Acusado de assédio por Anielle Franco, ministra da Igualdade Racial, acabou sendo trocado por Macaé Evaristo (PT) na pasta de Direitos Humanos e Cidadania em setembro do ano passado

Paulo Pimenta (PT)

Nísia Trindade (sem partido)

Um mês depois, em fevereiro, a ministra da Saúde não resistiu a diferentes pressões e deu lugar a Alexandre Padilha (PT)

Alexandre Padilha (PT)

Antes de assumir a pasta da Saúde, Padilha ocupava a Secretaria de Relações Institucionais (SRI) da Presidência da República, que passou a ser comandada por Gleisi Hoffmann (PT)

Juscelino Filho (União Brasil)

Entregou o cargo de ministro das Comunicações para focar na própria defesa após ser denunciado pela PGR por suspeita de desvio de emendas parlamentares

Carlos Lupi (PDT)

O ministro da Previdência, Carlos Lupi pediu demissão do cargo de ministro da Previdência em maio, nove dias após uma operação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) revelar um esquema bilionário de desvios em aposentadorias e pensões do INSS

Cida Gonçalves (PT)

A ex-ministro das Mulheres foi substituída do cargo por Lula pela assistente social e professora Márcia Lopes em maio deste ano, diante de descontentamento no Planalto quanto à gestão da pasta e processos na Comissão de Ética da Presidência contra a então titular