A CPI do Crime Organizado do Senado aprovou nesta quarta-feira a quebra de sigilo bancário, fiscal, telefônico e telemático do empresário Fabiano Campos Zettel, pastor e cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do antigo Banco Master. Zettel foi alvo da última fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que investiga suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o banco.
Os senadores também aprovaram a quebra dos mesmos sigilos de Luiz Philippi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, apontado nas investigações como operador ligado ao grupo investigado. Mourão morreu após atentar contra a própria vida enquanto estava detido na carceragem da Polícia Federal em Minas Gerais.
As medidas fazem parte de um pacote de 27 requerimentos aprovados em bloco pela CPI para aprofundar as investigações sobre operações financeiras suspeitas ligadas ao Banco Master.
No caso de Zettel, os parlamentares autorizaram o envio de pedido ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para a elaboração de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) e transferência dos sigilos do empresário, com dados entre 2020 e 2026. O objetivo é rastrear movimentações financeiras que possam ter ligação com estruturas investigadas no caso.
Já em relação a Mourão, a CPI aprovou requerimento semelhante para acesso a relatórios do Coaf e transferência de seus sigilos bancário, fiscal, telefônico e telemático no período de janeiro de 2020 a março de 2026.
Além das quebras de sigilo, a comissão aprovou convocações de ex-dirigentes do Banco Central para prestar esclarecimentos sobre a supervisão de operações financeiras relacionadas ao caso. Foram chamados para depor Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de fiscalização do BC, e Bellini Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária da autarquia.
Os dois foram afastados de suas funções após investigações internas do Banco Central e deverão explicar à CPI como o órgão acompanhou operações que hoje estão sob investigação.
Outro requerimento aprovado solicita ao ministro do Supremo Tribunal Federal André Mendonça o envio de informações e documentos relacionados à morte de Mourão.
A CPI também aprovou pedidos de informações à Polícia Federal sobre a Operação Compliance Zero e à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e à empresa Prime You Táxi Aéreo para identificar passageiros de um jato Embraer Legacy 650, de prefixo PP-NLR, ligado à empresa Prime Aviation e utilizado desde janeiro de 2025.
A pedido do relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), foi retirado da pauta o requerimento que solicitava a quebra de sigilo do ex-ministro da Cidadania João Roma, apresentado pelo senador Humberto Costa (PT-PE). Vieira avaliou que a fundamentação do pedido era insuficiente.