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CPI do Crime aprova convocações de Castro, Ibaneis e ex-diretor do Banco Central

CPI do Crime aprova convocações de Castro, Ibaneis e ex-diretor do Banco Central

A CPI do Crime Organizado aprovou nesta terça-feira a convocação do ex-diretor do Banco Central Renato Dias de Brito Gomes, para depor como testemunha, e dos ex-governadores Cláudio Castro (RJ) e Ibaneis Rocha (DF), ampliando a frente política da investigação sobre o caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.

Na mesma sessão, o colegiado avançou sobre o núcleo financeiro da apuração ao incluir a quebra de sigilo do fundo Laguz I.

Os pedidos que incluem Castro e Ibaneis foram apresentados pelo relator, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE). Também foram aprovados requerimentos para ouvir o desembargador do TRF-2 Macário Ramos Júdice Neto, denunciado pela Procuradoria-Geral da República no caso que apura suposto vazamento de informações ao Comando Vermelho.

No caso de Ibaneis, a relatoria sustenta que a convocação está ligada a operações do escritório de advocacia fundado pelo governador com fundos associados ao ecossistema investigado, incluindo cessões de créditos a estruturas ligadas à Reag e ao Banco Master, além de decisões envolvendo o BRB na tentativa de aquisição da instituição financeira. Nesse contexto, a CPI aprovou a quebra de sigilo do fundo Laguz I após identificar contratos milionários com o escritório.

Relatórios de inteligência apontam operações realizadas em 2023 que somam cerca de R$ 43 milhões em movimentações entre o escritório e o fundo, vinculadas à cessão de créditos judiciais. O Laguz I era à época administrado pela Reag.

O requerimento prevê acesso a dados bancários, fiscais, telefônicos, telemáticos e relatórios do Coaf entre 2019 e 2026. A justificativa cita indícios de uso de FIDCs para lavagem de dinheiro e aponta que o Laguz I aparece em comunicações de operações suspeitas associadas à Reag, investigada por inflar ativos e ocultar patrimônio no contexto do Banco Master.

Já a oitiva de Castro busca esclarecer o ambiente de atuação do crime organizado no Rio, com foco em financiamento e lavagem de dinheiro, especialmente no contexto da chamada “narcomilícia”.

Na mesma sessão, a CPI aprovou requerimentos de informação a órgãos federais. O Banco Central deverá enviar dados sobre processos envolvendo o conglomerado Master, incluindo a atuação de servidores e a transferência de controle do Banco Máxima para Vorcaro e sócios.

Na sessão, estava prevista a oitiva de Campos Neto, que informou, por meio de seu advogado, que não compareceria à CPI. Diante disso, foi apresentado e aprovado um requerimento extrapauta que o qualifica como testemunha e solicita uma nova convocação.

O ministro do STF André Mendonça concedeu um habeas corpus que converteu a convocação em convite, tornando facultativa a presença do depoente. Por esse motivo, a CPI apresentou uma nova convocação, aprovada na sessão de hoje.