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CPI do INSS chega ao final com incerteza sobre votação de relatório e tem base do governo pronta para versão alternativa

CPI do INSS chega ao final com incerteza sobre votação de relatório e tem base do governo pronta para versão alternativa

A CPI do INSS realiza nesta sexta-feira a votação do relatório do deputado Alfredo Gaspar (União-AL), em meio a uma disputa aberta entre oposição e base do governo pelo desfecho político da comissão. O parecer será lido pelo relator, mas há dúvidas entre integrantes do colegiado se haverá tempo e votos para aprová-lo ainda hoje.

Nos bastidores, parlamentares governistas afirmam já ter maioria para rejeitar o relatório de Gaspar e articulam a apresentação de um voto em separado como alternativa. A estratégia, discutida ao longo da semana com aval do Palácio do Planalto, prevê substituir o texto do relator por uma versão alinhada à base aliada, que busca reorientar as conclusões da CPI.

— Temos votos suficientes para não aprovar o texto do relator — afirmou o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que participa da elaboração do documento alternativo.

A sessão ocorre um dia após o Supremo Tribunal Federal (STF) barrar a prorrogação dos trabalhos da CPI, o que impôs um prazo final para o encerramento das atividades até este sábado. Com isso, a leitura e eventual votação do relatório se tornaram o último ato de uma comissão marcada por embates políticos e sucessivas disputas de narrativa.

O relatório alternativo preparado pela base governista sustenta que as fraudes no INSS tiveram caráter estrutural e se desenvolveram ao longo de anos, com maior permissividade durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro. O documento aponta a existência de um esquema organizado, com participação de entidades associativas, operadores financeiros, servidores públicos e intermediários, e defende que as irregularidades não foram casos isolados, mas parte de uma engrenagem sistêmica .

Além de rebater as conclusões do relator, governistas argumentam que o parecer de Gaspar tem motivação eleitoral e não reflete o conjunto de provas colhidas pela comissão. A avaliação, compartilhada por integrantes da base, é que o texto da oposição buscaria desgastar o governo Lula às vésperas da disputa de 2026 .

O voto em separado também propõe uma lista ampliada de responsabilizações, com a possibilidade de indiciamento de mais de uma centena de pessoas e encaminhamentos ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal, além de medidas legislativas e administrativas para combater fraudes no sistema previdenciário .

Do lado da oposição, a expectativa é que Gaspar apresente um relatório com críticas à atuação do governo no enfrentamento das fraudes e menções a personagens ligados ao entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ainda que sem pedido de indiciamento do empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.

A sessão final da CPI ocorre após semanas de tensionamento entre governo e oposição e em um contexto de atuação conjunta entre PT e Centrão para encerrar os trabalhos da comissão. A decisão do STF que impediu a prorrogação foi interpretada por aliados do Planalto como um fator decisivo para limitar o avanço das investigações.

Cenários

Se aprovado, o relatório de Gaspar será o documento final da CPI e servirá de base para eventuais encaminhamentos a órgãos de controle e propostas legislativas. Caso seja rejeitado, a base governista tentará aprovar o voto em separado, transformando o texto alternativo no relatório oficial da comissão.

Há ainda a possibilidade de a sessão se encerrar apenas com a leitura do parecer, sem votação, o que deixaria a CPI sem um relatório formal aprovado — cenário que integrantes do governo dizem querer evitar para não reforçar a narrativa de esvaziamento das investigações.