A CPI do INSS iniciou os trabalhos nesta semana com o depoimento de Igor Dias Delecrode, dirigente da Associação AASAP, apontado como peça central no esquema de descontos indevidos de aposentados e pensionistas. Delecrode, contudo, apresentou habeas corpus concedido pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para permanecer calado durante todo o interrogatório do colegiado.
Ao ser indagado pelo relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), sobre a formação do empresário em tecnologia, Delecrode disse que atua na área "somente em hobby".
Na sequência, ele se recusou a responder às perguntas do relator sobre a participação das empresas das quais ele era sócio nas fraudes do INSS. O foco de atuação foi na área de tecnologia, como certificação digital e biometria falsificadas.
— Ele é o coração de toda a safadeza, deveria estar preso — disse o relator, que reclamou da sequência de concessão de habeas corpus pelo STF aos depoentes na CPI.
O nome de Delecrode aparece em requerimentos aprovados pela comissão como responsável por interligar quatro entidades — AASAP, Amar Brasil, Master Prev e ANDAPP — suspeitas de movimentar cerca de R$ 700 milhões em mensalidades automáticas cobradas de aposentados sem autorização.
Uma das convocações foi apresentada pelo deputado Kim Kataguiri (União-SP), que descreve o dirigente como um possível “testa de ferro” de atores ocultos no esquema.
Durante a sessão, o parlamentar cobrou explicações do empresário sobre como ele chegou à direção das associações, quais eram os mecanismos de cobrança e gestão financeira e se havia coordenação com outros líderes do esquema. Mas ele se recusou a responder.
Celular apreendido pela CPI
Após duas horas e meia de oitiva sem sucesso, a CPI aprovou a apreensão do celular que o depoente usava na sessão. O requerimento foi apresentado pelo relator e aprovado em votação simbólica pelo colegiado. O aparelho foi lacrado, a pedido do depoente e entregue à Polícia Legislativa.
Essa decisão é autônoma da CPI, explicou o presidente da Comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG). Delecrode se recusou a informar a senha de acesso do aparelho. O advogado do empresário, presente na sessão, recomendou que a CPI faça o pedido judicialmente.
A justificativa oficial é que o celular do depoente pode conter dados importantes para a investigação.
Ao final da sessão, o advogado do empresário apelou ao presidente da CPI pela devolução do celular, mas o pedido foi negado.