A apresentação do parecer final da CPI do INSS pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), foi marcada por um início tumultuado nesta sexta-feira e terminou com o deputado Lindbergh Farias chamando o relator de “estuprador”, em meio a um bate-boca no plenário da comissão. A confusão começou após a leitura de um discurso do ministro Luís Roberto Barroso, de 2018, que desencadeou uma sequência de provocações entre os parlamentares.
Antes de entrar propriamente no conteúdo do relatório, Gaspar resgatou um episódio de tensão no Supremo Tribunal Federal envolvendo Barroso e o ministro Gilmar Mendes. Na ocasião, durante julgamento sobre doações de campanha, Barroso chamou o colega de “pessoa horrível, mistura do mal com o atraso, com pitadas de psicopatia”, em um dos momentos mais duros da história recente da Corte.
A leitura do trecho no ambiente já polarizado da CPI elevou o tom entre os parlamentares. Durante a exposição, Lindbergh reagiu com irritação às falas do relator, interrompendo a sessão e dando início à troca de acusações. Sem apresentar provas ou explicar a que se referia, afirmou que o relator era "estuprador".
— Olha, me chamou de estuprador, eu estuprei, corruptos como vossa excelência. Ladrão, corrupto — retrucou Gaspar
CPI do INSS: início da leitura do relatório tem bate-boca entre Lindbergh e relator
O presidente da CPI, Carlos Viana, tentou conter os ânimos.
— Ele não pode ofender as pessoas, chamou o relator de estuprador, isso é muito grave. Ao chamar essa comissão de circo, vossa excelência está chamando de palhaços todos os aposentados brasileiros. Ele começou toda a ofensa. Isso vai ficar para o conselho de ética.
No intervalo da sessão, Gaspar disse em entrevista que vai processar Lindbergh e levar ao caso ao Conselho de Ética. O relator afirmou que Lindbergh é "criminoso e usuário de drogas".
O episódio escancarou a tensão que marca a reta final da CPI, em um momento em que o relatório — que prevê mais de 200 pedidos de indiciamento — deve ser votado sob forte disputa política. A base do governo atua para barrar a aprovação do parecer, após promover mudanças na composição da comissão para alterar a correlação de forças.
Mais tarde, Lindbergh e a senadora Soraya Thronicke (Podemos-MS) anunciaram que entraram com um pedido de notícia de fato na Polícia Federal.