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Caiado ataca PT, critica falta de 'experiência' de Flávio Bolsonaro e promete anistia para tentar virar voto

Caiado ataca PT, critica falta de 'experiência' de Flávio Bolsonaro e promete anistia para tentar virar voto

Confirmado na segunda-feira como pré-candidato do PSD à Presidência, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, se lançou na disputa com a promessa de “desativar” a polarização no país. Em seu primeiro discurso, fez ataques ao PT, do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e acenou ao eleitor do ex-presidente Jair Bolsonaro em duas frentes: alfinetou Flávio Bolsonaro (PL), nome da família na corrida ao Planalto, por não ter “experiência” e “vivência” para o diálogo entre Poderes que o cargo exige. E disse que, em seu primeiro ato, concederia anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro, inclusive o ex-presidente, como forma de pacificar o país.

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O anúncio foi feito na sede do partido em São Paulo. Com 4% das intenções de voto nas pesquisas Datafolha e Genial/Quaest, Caiado frisou que o PSD — partido ao qual se filiou este ano após ficar sem espaço no União Brasil — tem uma “estrutura sólida” para concorrer em outubro. O governador foi escolhido pelo presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, após a desistência do governador do Paraná, Ratinho Junior, de quem Caiado recebeu apoio na segunda-feira. O goiano venceu uma disputa interna contra o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, que fez críticas à opção do partido de lançar o correligionário (leia mais na página 5).

Caiado centrou seu primeiro discurso na promessa de romper com a polarização, quadro que, segundo ele, “não é traço da política nacional”.

— (A polarização) é sustentada por um projeto político por aqueles que realmente se beneficiam dela. Pode ser desativada? Sim, pode. Por alguém que não é parte dela. É o que pretendo fazer chegando à Presidência — defendeu o governador de Goiás. — Não entramos no jogo ainda. Vamos para o debate. Bolha foi feita para ser rompida.

Ao mesmo tempo, o governador sinalizou que pretende conceder uma anistia “ampla, geral e irrestrita” aos envolvidos nos ataques do 8 de Janeiro e a Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe de Estado, caso eleito presidente. Essa medida dependeria de aprovação no Congresso. Caiado, como chefe do Executivo, poderia ainda recorrer a um indulto, que funciona como perdão.

— Meu objetivo é pacificar o Brasil ao anistiar todos, inclusive o ex-presidente, dando mostras que a partir dali vou cuidar das pessoas — afirmou.

Apesar do aceno ao eleitorado do ex-presidente e dos ataques ao PT e a Lula, Caiado também criticou Flávio, com quem deve disputar o eleitorado da direita, ao argumentar que uma experiência prévia no Executivo é necessária para fazer bom governo e inviabilizar a volta do PT.

— Difícil é governar para o PT não ser mais opção no país. Ganhar não é a maior dificuldade, e vamos ganhar. Mas (quem ganhar) vai saber governar, ou vai aprender a governar na cadeira? — questionou, ao evocar sua experiência como governador.

Em outro momento, Caiado voltou a tratar sobre o assunto.

— O ímpeto da idade, às vezes, ultrapassa o momento de equilíbrio. E não se governa com decreto, mas dialogando, sentando à mesa. Não se governa com queda de braço. (...) Na democracia tem que se conviver harmonicamente. O que precisa é de experiência. Não cabe a improvisação neste momento — afirmou.

Cálculo político

A opção de lançar Caiado passou por uma consulta do partido aos diretórios estaduais. O entendimento é que a maioria das lideranças da sigla no Nordeste estará com Lula em qualquer cenário e que esses estados não dariam palanque nem para Caiado nem para Leite. Já nos diretórios do Centro-Oeste, Sudeste e em parte do Sul foi identificada uma resistência a Leite, enquanto Caiado, na avaliação da cúpula nacional do PSD, consegue atrair com mais facilidade apoios internos do que o gaúcho.

Com Caiado, o cenário traçado do partido é que ele une o PSD do Centro-Oeste, já que, além de governar Goiás, tem forte presença sobre o setor do agronegócio. Essa influência sobre os ruralistas também ajuda Caiado no Rio Grande do Sul, mesmo que Leite não se engaje fortemente na campanha, já que o estado tem forte presença do agro.

Na segunda-feira, Kassab disse que a decisão de escolher o goiano foi motivada pelo fato de Caiado ter “mais chances” de alcançar o segundo turno e, segundo ele, vencer a disputa contra Lula ou Flávio. O presidente do PSD, que tenta posicionar a candidatura em um meio-termo entre o PT e o PL, rechaçou a leitura de que o governador será a “terceira via” no pleito e o definiu como “alternativa aos brasileiros”.

— A decisão foi por uma questão eleitoral, entendendo que Ronaldo Caiado tem mais chances de chegar no segundo turno. Isso (escolher Caiado) não quer dizer que o Ratinho não teria sido um excelente candidato e um grande presidente. E da mesma maneira o Eduardo Leite, com a sua juventude, a sua vontade de acertar e sua excelente gestão.

Aceno ao agro

Ao discursar na segunda-feira, o pré-candidato do PSD aproveitou o momento para reforçar sua proximidade com o agronegócio, segmento que tem resistido a aderir de imediato à pré-campanha do filho de Bolsonaro, e eleitores que defendem um discurso linha-dura contra o crime organizado, classificado por ele como uma ameaça à soberania do país.

— O agro era um setor que não era pop, nem era tech, e o Caiado já o defendia desde 1976. Hoje, sem dúvida, é o setor mais competitivo do país, que mostra o que existe de mais moderno e com respeito ao meio ambiente — disse.

Caiado também rejeitou a pecha de que é radical:

— Ninguém atinge a aprovação que tenho em Goiás sendo radical. Sou uma pessoa que aprendi a cuidar de vidas. Um homem que acredita na ciência, na pesquisa, no avanço tecnológico.

Caiado renunciará ao governo de Goiás nos próximos dias para cumprir a desincompatibilização até seis meses antes do primeiro turno. Além de governador, o goiano foi deputado federal, por cinco mandatos, uma vez senador e concorreu, pela primeira vez, a presidente em 1989. Caiado é também conhecido por ter fundado, na década de 1980, a União Democrática Ruralista (UDR), entidade ligada ao agronegócio que tentava se contrapor ao MST.

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