ACONTECE NO RIO
O governador Cláudio Castro (PL) classificou a megaoperação que resultou em ao menos 124 mortos — entre eles quatro policiais — como um "sucesso" e afirmou que "de vítimas lá só tivemos os policiais". A declaração foi dada após o mandatário ter se reunido na manhã de quarta-feira com integrantes da cúpula da segurança pública do estado e governadores de direita aliados para um balanço da investida contra o Comando Vermelho, realizada na véspera. Enquanto falava no Palácio da Guanabara, 60 corpos levados por moradores das favelas para a Praça São Lucas, na Estrada José Rucas, no Complexo da Penha, na Zona Norte do Rio, eram removidos e encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) para serem identificados e reconhecidos pelos parentes.
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Castro se reuniu, via teleconferência, com os governadores de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil), de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL-SC) e de Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil).
— Fiquei feliz em ver que todos eles perceberam o impacto de algumas ações judiciais tiveram o impacto no crescimento dessas organizações criminosas no Rio. Os governadores percebem isso claramente. Vejo como o início de um novo momento em que poderemos livrar os fluminenses, mas também os brasileiros, da criminalidade — disse o governador, em tom de comemoração, durante uma entrevista coletiva no Palácio Guanabara. — Nós não furtaremos de fazer a nossa parte, mostramos um duro golpe na criminalidade.
Na ocasião, Castro também prestou solidariedade aos familiares dos quatro policiais que foram mortos durante a operação:
— Mais uma vez, queria me solidarizar com as famílias dos nossos quatro guerreiros que ontem deram a vida para libertar a população. Aquelas foram as verdadeiras quatro vítimas que tivemos ontem. De vítima ontem lá, só tivemos os policiais e eu rogo a Deus pela vida desses policiais e pelo conforto às suas famílias — acrescentou. — Tirando a vida dos policiais, o resto, a operação foi um "sucesso".
'Ou soma, ou suma'
O governador também respondeu às críticas de autoridades do governo federal:
— Eu queria deixar uma fala muito clara. O governador desse estado e nenhuma secretaria vai ficar respondendo a qualquer ministro ou outro agente que queira transformar esse momento em uma batalha política. Quem quiser somar, estará muito bem-vindo. Aos outros, o nosso único recado é: suma. Ou soma, ou suma. Não entraremos nessa armadilha de ficar querendo polarizar ou politizar uma das maiores ações que já fizemos. Esperamos um foco no Rio de Janeiro, de integração e de financiamento, já que há tanta preocupação, espero que eles nos ajudem sim — disse Castro.
O governador também afirmou que acompanha a reunião que acontece em Brasília hoje, aguarda um novo contato do governo e o envio de uma autoridade federal para o Rio.
— Ontem, a única tratativa minha foi com o ministro da Casa Civil, Rui Costa, sobre a questão das transferências para mais vagas nos presídios federais [para as lideranças presas após a operação]. Qualquer coisa diferente disso, nós estamos esperando uma sinalização deles hoje. Já sinalizaram que virão, mas ainda não sinalizaram quem virá e nem que horas será isso.
Castro também voltou a negar a informação de que teria pedido ajuda ao governo federal e disse que a decisão de decretação da Garantia da Lei e Ordem (GLO) seria decisão do Planalto. Na véspera, entretanto, ele afirmou que o estado estava "sozinho nesta guerra", ao se referir à megaoperação. Após a declaração, Castro foi rebatido pelo Ministério da Justiça, que informou não ter recebido qualquer pedido de ajuda.
Na coletiva desta quarta-feira, Castro adiantou que não descarta a possibilidade de outras soluções de colaboração elaboradas futuramente.
Número de mortos
Castro disse que, até o momento, o balanço oficial confirma apenas 58 mortos, sendo 54 suspeitos e os quatro policiais. O governador afirmou, no entanto, que os números tendem a mudar, na medida que são realizadas as perícias pelo IML.
— Nós não contabilizamos imagens e fotos a partir do momento que eles chegam ao IML. A polícia faz esse trabalho. Daqui a pouco fica uma guerra dos números. Por enquanto, são 58, sendo o 54 suspeitos e quatro policiais. E esse dado vai mudar, e não é maior ainda porque o trabalho da perícia não terminou. Nós garantimos hoje que são criminosos.
PEC da Segurança
Mais cedo, ao GLOBO, Caiado disse que o grupo de governadores pretende para ir ao Rio para discutir medidas de enfrentamento ao crime organizado e oferecer apoio de suas perspectivas forças estaduais.
No ano passado, o mesmo grupo de governadores se manifestou contrário à PEC da Segurança apresentada pelo governo federal. Durante um encontro de representantes estaduais do Consórcio Sul-Sudeste, em novembro do ano passado, os mandatários assinaram um documento que afirmava que a proposta visa centralizar os sistemas de segurança estaduais, o que poderia enfraquecer suas administrações.
Nesta segunda-feira, Castro, no entanto, negou que o assunto foi tratado no encontro com os governadores.
— A agenda aqui não é política, não foi tratado sobre a PEC, ninguém falou de PEC. O assunto foi 100% do Rio de Janeiro. E o problema das lideranças criminosas deles (de outras unidades da federação), que estão aqui no Estado. Não teve essa conversa — disse.
- Jorginho Mello
- Mauro Mendes
- Romeu Zema
- Ronaldo Caiado
- Tarcísio de Freitas