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‘Ceciliano e Bacellar são a mesma coisa, e não serei refém do mesmo grupo que Castro’, afirma Paes sobre eleição indireta no Rio

‘Ceciliano e Bacellar são a mesma coisa, e não serei refém do mesmo grupo que Castro’, afirma Paes sobre eleição indireta no Rio

Ao admitir oficialmente nesta segunda-feira que será candidato ao governo do Rio, o prefeito Eduardo Paes (PSD) fez críticas duras a André Ceciliano (PT), ex-presidente da Assembleia Legislativa e possível candidato a governador na eleição indireta que o Rio terá quando Cláudio Castro (PL) se desincompatibilizar para disputar o Senado. Ele associou Ceciliano, hoje secretário no Palácio do Planalto, às práticas do também ex-chefe da Alerj Rodrigo Bacellar (União), preso e afastado da função no ano passado. O petista rebateu o que classificou como "fala nervosinha" de Paes e alegou que nunca se colocou como candidato a governador.

— O padrinho da candidatura do André Ceciliano é o Bacellar. Ceciliano e Bacellar são a mesma coisa. E não serei refém do mesmo grupo do qual o governador Cláudio Castro é refém — afirmou o prefeito ao GLOBO depois do anúncio de que será candidato em outubro.

O Rio está sem vice-governador desde que Thiago Pampolha foi para o Tribunal de Contas do Estado (TCE). A Assembleia Legislativa, portanto, precisará eleger alguém para comandar o Palácio Guanabara até o fim do ano. Castro tende a se desincompatibilizar no início de abril. A votação indireta ocorreria perto do meio do ano.

Bacellar foi preso e afastado do comando da Alerj por supostamente ter vazado ao deputado TH Joias a investigação que apura o elo dele com o Comando Vermelho. Nesta segunda-feira, Paes conectou o caso à eventual candidatura de Ceciliano.

— Se Bacellar estiver patrocinando alguma candidatura para essas práticas de conexão com o crime, com o Comando Vermelho, continuarem no estado, não vai ter o apoio do PSD. Quem votar em candidatura patrocinada pelo deputado Bacellar será expulso do partido — garantiu. — É o que me parece do que se especula da candidatura do André Ceciliano, que aliás era o único nome do PT que não tinha declarado voto em mim, e sim no deputado Bacellar para governador. A candidatura dele, para mim, significa a continuidade do Bacellar.

Segundo o prefeito, esse recado foi passado a Lula na conversa que eles tiveram na semana passada.

— Falei isso ao presidente Lula, que tem que tomar muito cuidado. Como é um candidatura patrocinada pelo deputado Bacellar, ligado ao Comando Vermelho, o presidente Lula e o PT têm que tomar muito cuidado para não parecer que estão prometendo proteger deputados.

Paes disse que não será candidato na eleição indireta. Seu foco está em outubro. Para a disputa na Assembleia, o que se comenta na política do Rio é que há um acordo entre ele e Castro para que o secretário estadual de Casa Civil, Nicola Miccione (PL), seja eleito e não atrapalhe as pretensões do prefeito na disputa direta, em outubro.

Ceciliano, por sua vez, representaria uma ameaça porque, em tese, viraria um possível candidato à reeleição na disputa direta se vencesse a indireta.

Petista rebate: 'Em nenhum momento coloquei meu nome'

Depois dos ataques de Paes, Ceciliano enviou uma nota para rebatê-lo. Chamou as declarações de “fala nervosinha” e negou que tenha se movimentado para viabilizar uma candidatura.

— Em nenhum momento coloquei meu nome como candidato a coisa alguma em 2026, a não ser a deputado estadual, mas percebo na fala nervosinha do prefeito que ele está dando uma importância a mim maior do que eu imaginava, e isso me deixa sinceramente lisonjeado — disse. — Tenho sido procurado por deputados de diferentes matizes ideológicas sobre a possibilidade de disputar essa eleição indireta, mas já disse que esse projeto só fará sentido se, de alguma forma, isso vier a contribuir para a reeleição do presidente Lula no Rio, que precisa de um palanque no estado berço do bolsonarismo.

Segundo o secretário de assuntos legislativos do Planalto, Paes e o entorno dele “já deram todos os indicativos que pretendem se manter neutros em relação à eleição presidencial e já estão se aliando a nomes do bolsonarismo no estado, como o pastor Silas Malafaia e governador Cláudio Castro”.

  • Eduardo Paes