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Cochichos entre Lula e Motta, baixo quórum de autoridades e acenos à indicação de Messias: os bastidores da sessão de abertura do Judiciário

Cochichos entre Lula e Motta, baixo quórum de autoridades e acenos à indicação de Messias: os bastidores da sessão de abertura do Judiciário

Sob a pressão do caso Master e dos debates sobre um código de conduta para ministros de tribunais superiores, a sessão solene de abertura do ano do Judiciário no Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira contou com cochichos entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), acenos ao advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado para ocupar uma cadeira na Corte, presença da esposa do ministro Alexandre de Moraes na primeira fileira — mas um prestígio menor de autoridades e integrantes do mundo político do que em anos anteriores. 

Apesar do caráter institucional do evento, o plenário do STF registrou muitos assentos vazios, inclusive em áreas tradicionalmente ocupadas por integrantes do governo federal e lideranças políticas. Ministros do Palácio do Planalto foram poucos, e a baixa presença chamou a atenção de magistrados e assessores, que compararam o cenário com cerimônias anteriores, mais cheias e politicamente disputadas. 

Sentados lado a lado, Lula e Hugo Motta mantiveram conversas ao pé do ouvido ao longo da cerimônia, em um sinal de melhora nas relações entre o Executivo e a Câmara. O clima entre os próprios ministros do Supremo, contudo, foi observado como mais tenso do que o habitual. 

Os desdobramentos do caso Master pairaram sobre a cerimônia e a discussão sobre o código de ética para integrantes de tribunais superiores, que enfrenta resistência entre uma ala de ministros, dominou o discurso do presidente da Corte, Edson Fachin — que ao final foi aplaudido, mas de forma pouco efusiva por parte de alguns colegas. Houve pouco espaço para descontração entre os ministros, que trocaram cumprimentos rápidos e conversas discretas.

Na primeira fileira, em frente ao plenário, estavam, no local reservado para os familiares, a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa de Alexandre de Moraes, a advogada Valeska Teixeira, esposa do ministro Cristiano Zanin, e Rosana Fachin, esposa do presidente do STF.  

Outro foco de atenção foi o advogado-geral da União, Jorge Messias, indicado por Lula para o STF, mas que ainda aguarda a sabatina no Senado para ser nomeado efetivamente. Messias passou parte da cerimônia em conversas com o recém-empossado ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, gesto interpretado por aliados como mais um sinal de prestígio e articulação em torno de seu nome. Em outro aceno, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Beto Simonetti, citou nominalmente Messias em seu discurso ao lado do presidente do Senado, Davi Alcolumbre — que se opôs à indicação de Messias.