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Conselho do governo do DF suspende conselheiro que pediu para inspecionar cela de Bolsonaro na PF

Conselho do governo do DF suspende conselheiro que pediu para inspecionar cela de Bolsonaro na PF

O Conselho Distrital de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos do governo do Distrito Federal determinou a suspensão do conselheiro Adolfo Moisés da Rocha das suas funções, após ele ter pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para vistoriar a cela especial onde o ex-presidente Jair Bolsonaro está preso.

A solicitação de Rocha foi feita sem a autorização do Conselho, o que violaria normas internas. Treze conselheiros votaram pela suspensão. Alguns deles disseram que ele praticou atos "fora de sua competência" e deveria ter encaminhado o pedido para ser discussão previamente no colegiado. A suspensão foi decidida em 17 de dezembro.

Na sessão, a defesa de Rocha disse que ele "não agiu na qualidade de conselheiro, mas sim como defensor de Direitos Humanos, razão pela qual não comunicou previamente à Presidência [do Conselho]".

De acordo com a decisão do Conselho, ele está suspenso de suas funções até a "devida apuração dos fatos".

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No fim de novembro, Rocha protocolou um pedido ao ministro do STF Alexandre de Moraes, explicando que queria visitar a carceragem para checar "as condições físicas, sanitárias, estruturais e procedimentais da unidade, assim como o respeito às garantias fundamentais asseguradas a pessoas privadas de liberdade, sem qualquer interferência no mérito processual ou no conteúdo das decisões judiciais".

“A inspeção será conduzida de forma padronizada e metódica, utilizando-se o Formulário 6 – Resposta a Notícia Inédita ou em Processamento – Individual ou Coletiva de Tortura ou Maus-Tratos, instrumento de boas práticas no âmbito do Conselho Nacional de Justiça para o registro técnico, documentado e sistematizado de inspeções em locais de privação de liberdade. Esse formulário assegura rigor, transparência e delimitação estrita da atividade à finalidade institucional, conforme os protocolos internos do Conselho”, dizia ele, no documento.

Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por envolvimento na trama golpista, o ex-presidente está preso em regime fechado na superintendência da Polícia Federal, em Brasília, desde novembro.