O PSB de São Paulo escalou o ministro do Empreendedorismo, Márcio França, para direcionar críticas à gestão do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) na propaganda partidária gratuita a que tem direito este ano no rádio e na TV. A escolha visa a posicioná-lo como candidato ao governo, em um momento em que o presidente Lula e o PT ainda não bateram o martelo sobre quem será o candidato ao Executivo paulista e uma ala da sigla defende trocar o vice na chapa presidencial, posto hoje de Geraldo Alckmin, também do PSB.
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— A novidade agora nas estradas de SP tem um nome super chique, em inglês, o “free flow”. É um pedágio sem cabine e sem opção. Passou, pagou. Em bom português, você nem vê de onde vem a pancada. É assim que o Tarcísio trata o cidadão comum (...). Desconto só para os empresários amigos — diz o ministro, na peça exibida desde quinta-feira.
A tecnologia é instalada gradualmente nas rodovias paulistas — passou a funcionar esta semana na Raposo Tavares, por exemplo. Um aspecto ignorado pelo ministro, contudo, é que a prática também tem sido adotada pela gestão federal, sob responsabilidade do ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB).
O PSB avalia que a pauta tem “gerado muito desgaste para o governador” no interior do estado, com deputados da própria base pedindo a retirada dos equipamentos e descontos para moradores de determinadas cidades. Isso porque os pedágios estão mais espalhados e, dessa forma, oneram os usuários com maior frequência, ainda que em uma menor extensão da pista. Outra reclamação se deve a dificuldades no pagamento, que estariam levando a multas por evasão.
“Além de agilizar os deslocamentos, o free flow nas novas concessões trará justiça tarifária ao permitir que o motorista pague apenas pelo trecho efetivamente percorrido”, rebate a Secretaria de Parcerias em Investimentos de São Paulo.
Alckmin também aparece em peças de propaganda exibidas ao eleitorado paulista, mas com retórica modulada às eleições presidenciais. Ele foca no discurso de Brasil soberano, adotado pelo governo Lula diante do tarifaço anunciado pelo presidente americano, Donald Trump, e reforçado na Assembleia Geral das Nações Unidas.
Imagem de negociador
O ex-governador de São Paulo por dois mandatos foi apontado como negociador “número um” pelo petista durante a crise, deflagrada a partir da atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) nos EUA em favor do pai, Jair Bolsonaro. Ele tem melhor trânsito do que Lula entre os empresários por seu histórico no PSDB e como governador, e ganhou pontos com a lista de exceções aplicada.
— Desde o tarifaço, estou empenhado em negociar uma solução que alivie o impacto sobre a nossa população, buscando mais acordos comerciais e investimentos para proteger com isso milhares de empregos por todo o Brasil — afirma Alckmin no material do PSB paulista.
O deputado estadual Caio França e a deputada federal Tabata Amaral completam o raciocínio, lembrando que bolsonaristas estenderam uma enorme bandeira americana em ato no dia 7 de Setembro, na Avenida Paulista. A ideia foi se contrapor à extrema direita, combinada a uma defesa “da bandeira da indústria, do emprego e da soberania nacional”.
- Geraldo Alckmin
- Márcio França
- Tarcísio de Freitas