A deputada estadual Lud Falcão (Podemos) afirmou que o vice-governador Matheus Simões (Novo) ameaçou "fechar as portas do Executivo" para ela, caso não recebesse um pedido de desculpas do marido da parlamentar. Ela é casada com o presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) e prefeito da cidade de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, que havia publicado ontem uma crítica a Simões nas redes sociais.
— Vice-governador, depois de poucos minutos, o senhor me ligou ameaçando que, se o meu marido não te ligasse até meia-noite para pedir desculpas, o senhor não deixaria nenhum porteiro do estado de Minas Gerais atender os meus pedidos — disse a deputada em um relato publicado em seu perfil no Instagram nesta quarta-feira.
Na fala, ela faz referência a um vídeo postado por Luís Eduardo criticando o trecho de um discurso de Simões em um evento público. Na ocasião, o vice-governador disse, em tom irônico, que um prefeito do interior do estado afirmou que concederia servidores para ajudar a PM, mas o apoio, na verdade, seria de "dois estagiários”. Em resposta, Falcão afirma que o comentário seria uma ofensa para as prefeituras do interior do estado.
— Eu lamento muito esse tipo de fala do vice-governador e eu prefiro acreditar que seja desconhecimento da realidade da cidade do interior de Minas. Porque quando ele reduz o que nós, prefeitos e prefeitas, temos feito para auxiliar as forças policiais a ‘dois estagiários’, fica claro que o vice-governador não está sabendo o que realmente se passa nas cidades de Minas fora da capital e nem o que nós mineiros vivenciamos todos os dias — ele disse.
Procurado para comentar sobre o caso e a acusação feita pela deputada, Simões não se manifestou. Ao GLOBO, a Secretaria de Estado de Comunicação Social (Secom) afirmou que "não comenta entrevistas ou declarações".
No passado, ele e Falcão foram correligionários dentro do Novo. O prefeito, no entanto, se desfiliou do partido no ano passado e ainda não encontrou outra sigla. Ele, no entanto, também está na direção da AMM, que representa 837 das 853 cidades do estado e tem feito reiteradas críticas ao governo do estado, principalmente em função do avanço do debate sobre a privatização da Companhia de Saneamento Básico de Minas (Copasa).
Já Simões também deixou o Novo no ano passado e se filiou ao PSD para disputar o governo do estado. Como mostrou o GLOBO, o vice-governador, por sua vez, trabalha para manter a aliança com o antigo partido e estar no palanque do governador Romeu Zema (Novo), que se coloca como pré-candidato à presidência. Nacionalmente, no entanto, a sigla comandada por Gilberto Kassab investe no nome do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD) para concorrer ao Planalto.