O deputado estadual Renato Freitas (PT-PR) detalhou a sua versão da briga na rua que o levou a ser alvo de ao menos quatro pedidos de cassação na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep). O parlamentar afirmou que acompanhava uma amiga num médico quando um desconhecido "tocou o carro" em cima deles e "agiu como um pitboy", com xingamentos e intimidação "para a porrada".
Pelo Instagram, Freitas disse que o ódio dele, na sua avaliação, "só se motiva por racismo ou extremismo ideológico". Ele disse ter tentado evitar o embate, mas reconheceu que caiu numa provocação.
"Sabendo disso não abaixei a bola e confrontei, ele percebendo que eu não estava sozinho, recuou. Mas logo em seguida veio ele e mais dois de apoio, filmando, e dizendo que estávamos em dois contra um. E que agora a briga deveria ser mano a mano. Eu tentei evitar o quanto pude, embora agora eu perceba que pude pouco, pois caí na provocação que me pareceu planejada", disse ele.
Freitas afirma que evitou iniciar qualquer agressão.
"Mas quando desviei o olhar e a atenção, ele, de forma covarde, deu o primeiro soco na minha cabeça. Então o conflito se iniciou; dei dois chutes nas pernas pois não queria uma briga sangrenta na rua, mas tomei um soco no nariz e o sangue na rua acabou sendo o meu. Então parti para cima, dei um chute na cabeça dele (cortado nos vídeos, já que eles é que eram os cinegrafistas), meu tênis voou do meu pé (reparem que meu amigo depois do corte está com meu tênis na mão). Depois disso, sem muita dificuldade, imobilizei o “pitboy” numa guilhotina. Foi quando alguns curiosos, que pelo visto torciam para ele, apareceram e separaram a briga", relatou.
Nas imagens, o deputado, de camisa amarela, discute com um homem vestido de preto — cujo nome não foi divulgado. Um assessor do petista, de azul, estava junto. O deputado pede que o homem de preto se afaste, mas ele se aproxima e leva um empurrão do parlamentar, que é agredido no rosto. Na sequência do confronto, o petista dá dois chutes na perna do homem, que lhe dá um soco no rosto. O petista acaba por imobilizar o homem.
Mais cedo, Freitas disse que entrou na briga pelo mesmo motivo que o fazia brigar na rua no Ensino Fundamental: "humilhação, racismo, injúria, violência, agressão".
— Eu não aprendi a baixar a cabeça. Não me orgulho de estar brigando na rua, jamais. Você que está me assistindo, não inveje o homem violento, e nem siga nenhum dos seus caminhos. Mas o fato é que hoje eu estava com a minha amiga, também negra, nós dois atravessando uma rua, e o cara tocou o carro em cima de nós para dar um choque, para mostrar que ele tem um carro, que ele tem poder ou sei lá o quê — relatou o parlamentar.
A briga virou tema de provocação por parte de adversários políticos de Renato Freitas, como integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL), entre outros perfis ligados à direita e ao conservadorismo.
O parlamentar disse que registraria boletim de ocorrência. Pelo X, o presidente nacional do PT, Edinho Silva, manifestou "total apoio" a Renato Freitas, a quem descreveu como "liderança reconhecida na luta antirracista, por igualdade, democracia e direitos". O petista classificou o episódio contra o correligionário como "inadmissível e criminoso".