UNO MEDIA

Derrite sugeriu a Tarcísio mandar policiais ao Rio para fazer patrulhamento de rotina

Derrite sugeriu a Tarcísio mandar policiais ao Rio para fazer patrulhamento de rotina

O secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite (PP), sugeriu ontem ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) que oferecesse parte do efetivo policial do estado para realizar patrulhamento de rotina no Rio de Janeiro, em meio à crise de segurança deflagrada por uma megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão.

— O que falei para o governador é que, creio eu, os esforços para contenção dessa crise em áreas deflagradas e ocupadas vão acontecer por parte das forças estaduais do Rio de Janeiro. Eventualmente se houver necessidade do apoio das forças de segurança para patrulhamento em outras áreas, para que não haja prejuízo da atividade policial, isso pode ser feito — afirmou o secretário, em Brasília, ao anunciar que se licenciaria do cargo para relatar um projeto de lei no Congresso.

A proposta teria ainda a simpatia de outros governadores de direita, como Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina. O assunto foi abordado durante reunião de mais cedo em que, segundo apurou o GLOBO, estavam presentes Tarcísio de Freitas (São Paulo), Romeu Zema (Minas Gerais), Ronaldo Caiado (Goiás) e Mauro Mendes (Mato Grosso).

Segundo Mello, trata-se de uma "troca de recursos estratégicos" que deslocaria, além do efetivo das ruas, profissionais da área de inteligência.

O grupo organiza ainda um encontro presencial no Rio, nesta quinta-feira, 30, que deve ocorrer no final da tarde. A agenda está sendo acertada com o governador fluminense, Cláudio Castro (PL). Ronaldo Caiado e Ratinho Júnior, governador do Paraná, já aceitaram o convite de Mello. Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, foi convidado, mas não deve ir.

— Vamos amanhã para o Rio de Janeiro levar apoio, solidariedade e também ofertar o que ele precisar de força de segurança — declarou o goiano.

Caiado, pré-candidato a presidente em 2026, tem investido na versão de que os policiais do Rio fizeram a operação mesmo sem apoio logístico do governo federal, em linha com a disputa política aberta pelo próprio Castro. O Ministério da Justiça, por sua vez, alega que não foi acionado previamente. A PF confirmou uma consulta, mas disse que o modelo da operação não justificava a atuação conjunta.

Derrite não atendeu aos pedidos do GLOBO para detalhar a viabilidade do plano e o encaminhamento pelo chefe. Mais cedo, não soube dizer se o plano teria ido para frente:

— Creio que o governador Tarcísio possa ter oferecido esse apoio, mas essa é uma questão que está sendo decidida entre eles. O que eu garanti a ele é que voluntários do estado de São Paulo não faltarão caso seja necessário — completou ele.

Indagado sobre a existência de um plano operacional concreto, o "número dois" da pasta, delegado Osvaldo Nico Gonçalves, limitou-se a dizer, próximo ao meio-dia, que "ainda não". A reportagem pediu um posicionamento oficial do governo do estado e aguarda retorno.

A megaoperação policial realizada nesta terça-feira, 28, na Zona Norte do Rio de Janeiro, resultou em ao menos 119 mortos e 113 presos, tornando-se a ação mais letal da história do estado e do país. O recorde anterior era do massacre do Carandiru, em 1992.

  • Cláudio Castro
  • Guilherme Derrite
  • Tarcísio de Freitas