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Despedida de ministros tem tom eleitoral, críticas a Sidônio e Alckmin confirmado como vice; saiba as mudanças na Esplanada

Despedida de ministros tem tom eleitoral, críticas a Sidônio e Alckmin confirmado como vice; saiba as mudanças na Esplanada

A despedida de 18 ministros que pretendem disputar a eleição neste ano foi marcada na terça-feira pelo anúncio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que Geraldo Alckmin (PSB), continuará a ser o seu companheiro de chapa na disputa à reeleição, encerrando a especulação de que o MDB poderia fazer uma dobradinha com o PT. Na reunião ministerial, realizada pela manhã, também houve espaço para críticas internas, gafe e um ataque direto do ministro da Casa Civil, Rui Costa, à comunicação do governo, sob gestão do colega Sidônio Palmeira.

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Lula aproveitou ainda o encontro para ensaiar o discurso que adotará na campanha. Sem marca clara da gestão que seja reconhecida pela população, o presidente planeja ter como foco central na campanha a comparação entre o seu governo e o de Jair Bolsonaro, pai do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), seu principal adversário nas urnas.

Mudanças na Esplanada — Foto: Editoria de Arte
Mudanças na Esplanada — Foto: Editoria de Arte

Substituto de Gleisi

Com a saída de ministros, o governo Lula passa por uma ampla reformulação. Até terça-feira, nove delas foram oficializadas no diário oficial, mas outras sete ocorrerão nos próximos dias. Ainda há dúvidas, porém, sobre quem será o nome a comandar a articulação política no lugar de Gleisi Hoffmann (Secretaria de Relações Institucionais).

As trocas abrem espaço para uma nova composição, com ascensão de números dois das pastas e ajustes políticos na base aliada.

A permanência de Alckmin ajuda a afunilar a definição dos nomes que vão compor o palanque do petista na eleição de São Paulo. A tendência é que Lula conte com Fernando Haddad (PT) como candidato a governador e as ex-ministras Simone Tebet (PSB) e Marina Silva (Rede) na disputa pelo Senado. Resta a definição do candidato a vice-governador. O posto pode ficar com o ministro do Empreendedorismo, Márcio França.

— Alckmin vai ter que deixar o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio) porque ele é candidato a vice-presidente outra vez — disse Lula na terça-feira na presença dos outros ministros.

Alckmin chegou a ter sua permanência ameaçada, com o PT discutindo usar o posto para atrair o MDB. Além disso, a avaliação de Lula era que Alckmin poderia ser mais útil como candidato ao Senado em São Paulo para fortalecer o seu palanque. O plano, no entanto, esbarrou na resistência do ex-tucano em disputar São Paulo e na negativa da maior parte do MDB a uma aliança com o PT.

Durante a fala inicial na reunião, Rui Costa citou ao menos três vezes o nome de Sidônio ao dizer que era preciso comunicar à população sobre as propostas e conquistas do governo federal. Um político que estava presente na reunião classificou esse momento como de grande constrangimento para Sidônio, já que a fala do chefe da Casa Civil foi interpretada pelos participantes como uma cobrança pública.

De acordo com relatos, Sidônio demonstrou incômodo e buscou rebater Rui. A fala do chefe da Secom não foi transmitida à imprensa.

Isso acontece num momento em que governistas colocam dúvidas sobre o desempenho de Sidônio à frente da Secom diante de levantamentos que mostram maior reprovação à gestão petista e que a rejeição a Lula chega a 46%, segundo Datafolha de março.

O publicitário, que foi marqueteiro de Lula na campanha de 2022, chegou ao Planalto no início de 2025 com a missão de azeitar a comunicação do governo — apontada naquela época como um dos principais problemas da gestão petista.

Em um dos momentos, o chefe da Casa Civil disse ter dúvidas se o “povo sabe” das conquistas do governo.

— A minha dúvida, Sidônio, é se o povo sabe disso. Acho que a gente tem que colocar como foco comparar e mostrar. O povo tem o direito de conhecer esses números, esses dados, porque, repito, é a mudança da água para o vinho — afirmou.

De acordo com relatos, o ministro da Secom, em sua fala, rebateu a cobrança de Rui Costa, ainda que sem citá-lo nominalmente. Sidônio atribuiu os problemas ao seu antecessor no cargo, o deputado Paulo Pimenta (PT), que comandou a Secom entre janeiro de 2023 e janeiro de 2025.

As críticas foram feitas sem citar o nome de Pimenta. De acordo com relatos, Sidônio afirmou que faltou ao governo ter alardeado logo no início do mandato de Lula as condições herdadas da gestão de Bolsonaro.

— Deve ser um mal-entendido. O slogan “União e Reconstrução” não foi criado por mim. A estratégia de não polarizar na transição, coordenada pelo Alckmin, não foi definida por mim. Sidônio não pensa isso e não diria isso. Tenho certeza que deve ser um mal entendido — afirmou o ex-ministro Paulo Pimenta.

A aposta do presidente e do seu entorno é que os eleitores poderão ser convencidos de que hoje o país está melhor do que há quatro anos. Lula repetiu esse raciocínio seguidas vezes durante o discurso na reunião.

Num momento de sinceridade, reconheceu que não conseguiu levar o Brasil a uma “situação esplendorosa que todos nós gostaríamos”, mas em seguida acrescentou que a situação está “muito melhor do que nós encontramos, infinitamente melhor”.

Microfone aberto

No início da reunião, o ministro José Múcio (Defesa) foi traído pelo microfone. Conforme mostrou a coluna de Lauro Jardim, do GLOBO, Múcio conversava reservadamente com Rui Costa, após breve apresentação do chefe da Casa Civil, quando um trecho do papo acabou sendo captado:

— Fiz mais que o Ministério das Mulheres todinho — disse, embora o contexto não tenha vazado no sistema de som.

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