O ministro da Educação, Camilo Santana (PT), anunciou nesta segunda-feira que deve deixar a pasta para se dedicar à campanha à reeleição do governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o pleito de outubro. Camilo destacou que tem até março para tomar a decisão, mas argumentou que o cargo o deixa distante do estado que governou por dois mandatos e do qual foi eleito senador em 2022. A movimentação ocorre após o ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) se lançar ao governo do Ceará e aparecer à frente nas pesquisas.
— Poderei voltar (ao cargo de senador) para me dedicar, porque vocês sabem que o papel de ministro é no Brasil inteiro, muitas vezes fica ausente no nosso estado. Vou me dedicar muito para que não haja retrocesso no Brasil e no Ceará — disse em conversas com jornalistas no Ministério da Educação (MEC). — Temos até março para tomar a decisão. Quero dizer aqui claramente que meu candidato é Elmano Freitas. Vou trabalhar pra ele e o presidente Lula serem reeleitos
Camilo enfatizou seu apoio à candidatura de Elmano. O ministro, no entanto, também é considerado um nome que pode assumir a dianteira da chapa caso a candidatura de Ciro Gomes ameace a reeleição do atual governador.
— Qualquer saída do ministério será para me dedicar à reeleição de Elmano e do presidente Lula. Temos uma grande equipe do MEC. O ministério está rodando bem — disse o ministro da Educação. — Não tenho dúvida que minha saída ou não, jamais vai afetar o encaminhamento das ações do MEC.
Uma pesquisa Ipsos-Ipec feita entre 13 e 16 de dezembro reforçou as dificuldades de Elmano no estado ao mostrar o tucano na liderança da corrida estadual, com 44% das intenções de voto. O governador apareceu em seguida, com 34%. Ainda segundo o instituto, em um eventual segundo turno, Ciro, que já governou o Ceará entre 1991 e 1994, venceria o petista por uma diferença de dez pontos percentuais (49% a 39%).
Para o PT e o entorno de Lula, é considerado imprescindível não perder o governo para o antigo aliado do presidente. O PT está à frente do Ceará desde 2015. Reduto eleitoral de Lula, o estado é terceiro maior colégio eleitoral do Nordeste.
Camilo é considerado um cabo eleitoral estratégico no Ceará. Durante o pleito, o ministro da Educação tirou duas semanas de férias para se dedicar à campanha de Evandro Leitão (PT) para a prefeitura de Fortaleza — único petista eleito para comandar uma capital na eleição passada.
Leitão começou a campanha atrás de Capitão Wagner (União) e André Fernandes (PL) nas pesquisas. No segundo turno, o aliado de Lula superou o candidato do PL, que tinha apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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