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Dirceu diz em festa de 80 anos que campanha não é 'Lulinha paz e amor', defende 'revolução política e social' e ataca Flávio

Dirceu diz em festa de 80 anos que campanha não é 'Lulinha paz e amor', defende 'revolução política e social' e ataca Flávio

O ex-ministro José Dirceu afirmou na noite desta terça-feira durante a festa de aniversário de 80 anos que a próxima campanha presidencial não pode ser "Lulinha paz e amor", falou em "revolução social" e fez ataques ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), provável adversário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição de outubro.

O evento reuniu o vice-presidente Geraldo Alckmin, ministros, o embaixador da China no Brasil, Zhu Qingqiao, estrelas da advocacia e lideranças políticas de diferentes partidos.

— Não é uma campanha de "Lulinha, paz e amor".Nós temos que ganhar a maioria do povo brasileiro. Tenho dito e repetido: uma revolução política e social. Que mude em primeiro lugar a legislação eleitoral no Brasil. Reforma política e reforma tributária radical — afirmou Dirceu.

"Lulinha paz e amor" é uma referência à estratégia adotada pelo presidente na campanha de 2002, quando foi eleito pela primeira vez e precisava tirar a pecha de radical para atrair mais parcelas da sociedade, como o empresariado.

A celebração aconteceu em um restaurante à beira do Lago Paranoá e teve comandas individuais. Ou seja, cada um pagou a sua conta. As comidas foram servidas em buffet a quilo.

Dirceu, que pretende na eleição de outubro voltar à Câmara depois de 22 anos, apresentou o seu jingle de campanha. O ex-ministro será candidato a deputado em São Paulo. “Eu e você, você e eu, estamos do seu lado Zé Dirceu”, diz a letra do single, que foi tocada na comemoração intercalada com hits da MPB.

O dono da festa passou a maior parte do tempo junto a um painel com seu nome recebendo cumprimentos e posando para fotos. Havia uma fila para os anônimos, mas os rostos conhecidos podiam furar e abreviar a espera pelo encontro com o dono da festa.

Os ministros José Mucio (Defesa) e Wolney Queiroz (Previdência) chegaram antes mesmo de Dirceu. Sentado em uma mesa ao lado da entrada, Mucio conseguiu cumprimentar o aniversariante logo na chegada e lhe deu de presente uma gravata. Logo depois de falar com Dirceu, o ministro da Defesa foi interpelado pelo deputado Rui Falcão (PT-SP).

Na festa de Dirceu de dois anos atrás, o parlamentar havia perguntado a Mucio, em tom provocativo, até quando ele passaria a mão na cabeça dos militares. A discussão tinha como pano de fundo a orientação do governo na época de desencorajar atos oficiais em memória dos 60 anos do golpe de 1964.

— Mucio, hoje eu só quero te abraçar e dizer que sou a favor do projeto nuclear — afirmou o deputado.

O ministro cumprimentou cordialmente Falcão, mas não respondeu.

Além de Mucio, um dos poucos que chegou com presente foi o ex-ministro do Turismo Celso Sabino (União-PA), que levou uma garrafa de cachaça de jambu para o aniversariante. O ex-presidente da Câmara Rodrigo Maia também prestigiou Dirceu.

Alckmin fez uma passagem rápida, cumprimentou o dono da festa, posou para fotos e foi embora antes do discurso de Dirceu e do parabéns. Mesmo assim, foi citado pelo aniversariante logo no começo de sua fala.

—A presença aqui do vice-presidente Geraldo Alckmin simboliza o momento que estamos vivendo. O Brasil vê de novo ameaçada a sua democracia e a sua soberania.

Em seguida, Dirceu atacou duramente Flávio Bolsonaro e o vinculou ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

— Não vamos nos enganar, a volta do bolsonarismo chama-se Flávio Bolsonaro. Ele é golpista como o pai e tem a mesma origem de extrema-direita do pai. E o mais grave: ele tomou um lado no mundo hoje, o lado do Trump, o lado da guerra. E nós não podemos em nenhum momento imaginar o Brasil governado por ele, o Brasil será governado pelo Trump, pelos interesses dos Estados Unidos.

Dirceu também argumentou que o discurso antipolítica e autoritário se beneficia quando se levanta a bandeira do combate à corrupção.

— É verdade que é preciso ir ao fundo no caso do Master e do caso do INSS, mas é preciso lembrar do Jânio Quadros, do (Fernando) Collor, do Bolsonaro e da própria ditadura. A ditadura foi dada em nome da luta contra a corrupção em primeiro lugar, depois a subversão

A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, chegou logo depois do discurso e do parabéns. Entre os ministros, marcaram presença ainda Camilo Santana (Educação) e Esther Dweck (Gestão).

Ex-companheiro de prisão de Dirceu na Papuda, quando o ex-ministro estava condenado pela Lava-Jato em 2018, o ex-senador Luiz Estevão também compareceu. Os criminalistas Pierpaolo Bottini e Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, eram os mais conhecidos entre uma lista extensa de advogados na festa.