A deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) anunciou, na última terça-feira, que deixará o PDT e retornará ao PSOL para disputar as próximas eleições. A parlamentar, que tentará se reeleger em outubro, afirmou que a mudança foi definida por "maior alinhamento ideológico" e por discordâncias com o diretório mineiro de seu partido atual, que, segundo ela, apoia as gestões de Romeu Zema (Novo) no estado de Minas e de Álvaro Damião (União Brasil) na prefeitura de Belo Horizonte. À direita, ambos defendem pautas contrárias às agendas de Duda.
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— O PDT na esfera estadual é base do Zema, e, na municipal de Belo Horizonte, é base do União Brasil. Ou seja, em Minas Gerais e em sua capital, há um PDT de direita, apoiando governos privatistas, ultraliberais e antipovo. E eu tentei, enquanto fui filiada ao partido, trazê-lo (o PDT de Minas) mais para a esquerda, para as suas raízes trabalhistas. No entanto, não foi possível. Então, por uma questão de maior alinhamento ideológico e de coerência política, eu não poderia continuar no PDT por causa do cenário em Minas Gerais e em Belo Horizonte — declarou Duda, sobre a saída da legenda dirigida por Carlos Lupi.
A parlamentar afirmou que, por meses, tentou conversar com o presidente do PDT sobre sua insatisfação com o diretório mineiro do partido, que, de acordo com ela estaria indo contra as raízes da legenda. Segundo Duda, Lupi tentou intervir para diminuir a grande proximidade da sigla com partidos de direita em Minas Gerais, mas não surtiu efeito porque ele não é responsável por construir chapas estaduais e municipais.
— É importante exaltar que essa questão do alinhamento ideológico e também político não se refere ao PDT nacionalmente, porque o PDT nacionalmente é a base do governo Lula, e, de modo geral, tem votado com pautas mais ligadas ao centro-esquerda — disse a deputada.
A parlamentar realizou a troca quatro dias antes do fim da janela partidária, período em que o Tribunal Superior Eleitoral permite que deputados troquem de partido sem perderem seus mandatos. O prazo máximo para legisladores federais, estaduais e distritais mudarem de sigla é dia 3 de abril.
Mulher transexual, Salabert tinha deixado o PSOL em 2019, quando se desentendeu com o partido e chegou a acusar a legenda de "transfobia estrutural". Na épora, ela disse que o PSOL se apropriava da luta e da identidade trans para privilegiar figuras e candidaturas já privilegiadas. Ambientalista e defensora dos animais, a parlamentar também acusava a legenda de colocar a causa animal em segundo plano.
— Acho que primeiro é importante reforçar que a minha saída do PSOL foi uma saída pedagógica, ela tinha o objetivo de orientar o partido que algumas mudanças eram necessárias. E, no decorrer desses anos, o partido alterou suas estruturas. Então, a crítica que eu fiz em 2019 já não vale mais para hoje, porque hoje o PSOL é um partido com um peso ambiental muito grande. E hoje o PSOL tem dado estrutura para as candidaturas trans ocuparem, de fato, os espaços legislativos. Nesse sentido, as críticas que eu pontuei na época não cabem mais ao PSOL — afirmou.
Ela conta que, nesse período de saída do PDT, recebeu convites do PT e da Rede. Vereadora mais votada em Belo Horizonte nas eleições de 2020, Duda chegou a Câmara dos Deputados em 2022, sendo a primeira deputada federal transexual da história de Minas Gerais. No congresso, pelo PDT, ela ganhou notoriedade por defender pautas em torno de questões ambientais, da educação e da população LGBTQIAP+.