O petista Edegar Pretto, ex-presidente da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), anunciou nesta quinta-feira que desistiu da pré-candidatura ao governo do Rio Grande do Sul para apoiar a ex-deputada estadual Juliana Brizola (PDT). Na terça-feira, a direção nacional do PT já havia anunciado a escolha da ex-parlamentar para encabeçar a chapa da esquerda ao Executivo estadual.
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A informação de que Edegar aceitou retirar candidatura foi antecipada nesta quinta-feira pelo colunista do GLOBO Bernardo Mello Franco.
— Tenho na Juliana o compromisso do Rio Grande do Sul com o projeto de reeleição do presidente Lula. Precisamos agora dos partidos mobilizados — afirmou em coletiva de imprensa após reunião com lideranças do PV, PSB e Rede, onde Edegar defendeu a consolidação de uma frente ampla no estado.
Em entrevista ao GLOBO, Edegar também disse que o diretório estadual antes comprendia que a estratégia de tê-lo como candidato "era mais correta para a reeleição de Lula, mas ocorreu a nacionalização da tática eleitoral pela importância do PDT estar fechado com Lula”.
— Nosso partido fará o encontro da Executiva amanhã para que façamos um diálogo com a nossa base social. Tínhamos produzido até aqui uma pré candidatura muito mobilizada — disse. — Tem um sentimento na nossa militância que aos poucos teremos que ir superando. Estaremos fazendo uma migração para essa nova direção. No diálogo que fiz com lideranças ontem, compartilhei a necessidade dessa migração porque eu não faria um enfrentamento da decisão da nacional.
A decisão do PT foi comunicada a partir de uma resolução aprovada pela Comissão da Executiva Nacional por meio do Grupo de Trabalho Eleitoral (GTE), responsável por definir a estratégia nas urnas. A escolha deixa a sigla sem candidato próprio no estado pela primeira vez na história.
Ao tratar da situação eleitoral gaúcha, o partido orienta "a definição da construção de uma tática eleitoral conjunta com o PDT e demais partidos do campo democrático, sob a liderança da companheira Juliana Brizola, como expressão política dessa estratégia no estado". O texto também faz um aceno a Edegar e o coloca como "a liderança com maior legitimidade para liderar essa construção", junto aos pedetistas.
O documento também diz que a tática política no RS "deve estar alinhada à leitura nacional e internacional da conjuntura, com encaminhamentos coerentes e responsáveis" e diz que "não há nada mais importante que a reeleição do presidente Lula".
Resistências à Juliana Brizola
A interferência contrariou a posição defendida por Edegar e pelos ex-governadores petistas Tarso Genro (2011-2015) e Olívio Dutra (1999-2003), que se manifestaram contra a escolha de Juliana Brizola para encabeçar o palanque durante uma plenária do partido na segunda-feira.
Os petistas gaúchos defenderam Edegar como “a melhor opção para a construção da vitória” nas eleições e argumentam que a decisão de apoiá-lo foi tomada de maneira ampla e democrática, em convenção realizada ainda em novembro do ano passado, com o endosso dos partidos aliados PSOL, PCdoB, PV, Rede e PSB.
A decisão de Edegar foi comunicada à Genro e Dutra na quarta-feira. Segundo interlocutores, ambos compreenderam que havia pouca margem para a manutenção da pré-candidatura diante da posição do PT nacional.
Procurado pelo GLOBO, Genro afirmou nesta quinta-feira que seguirá "tranquilamente" a orientação do PT de apoio à candidatura de Juliana Brizola caso a comissão executiva e o diretório regional do partido consolidem a aliança no estado. Já Dutra não quis se manifestar.
Em meio ao imbróglio, o PSOL, que desejava a candidatura de Edegar, ameaça lançar um nome para o Palácio Piratini caso o PDT vença a queda de braço e desmanche o acordo já formalizado no estado. A aliança formada com o petista ocorre desde a eleição passada, em 2022, quando ele marcou 26,7% dos votos para o governo contra 26,8% de Leite — uma diferença de cerca de dois mil votos —, que avançou para disputar o segundo turno.
O presidente nacional do PT, Edinho Silva, no entanto, classificou como “etnocentrismo político inaceitável” a manutenção de dois palanques em detrimento da unificação pretendida.