O senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) afirmou a dirigentes do MDB, durante almoço realizado nesta quarta-feira, que o partido não é neste momento uma opção para sua eventual filiação, por já ter o ex-vereador de Belo Horizonte Gabriel Azevedo como pré-candidato ao governo de Minas Gerais em 2026.
Participam do encontro, realizado no apartamento funcional do senador, na Asa Sul, em Brasília, o presidente do MDB mineiro, deputado Newton Cardoso Jr., o próprio Azevedo e o presidente nacional do PSDB, Aécio Neves.
Segundo interlocutores do MDB mineiro, a legenda chegou a cogitar filiar o senador, mas somente se isso acontecesse depois do dia 4 abril, período que, pela Justiça Eleitoral, impossibilitaria Pacheco de ser candidato pelo partido. A hipótese acabou descartada por ambos os lados durante a conversa e o parlamentar não chegou a ser formalmente convidado para entrar no partido.
Apesar de o ex-presidente do Senado não se filiar ao MDB, integrantes do partido em Minas ainda avaliam estratégia junto com Pacheco e outros partidos de centro para formar chapas de deputados federais nas eleições.
O parlamentar avalia disputar o governo de Minas Gerais e dar palanque no estado para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O MDB de Minas tem no entanto um perfil de oposição ao PT e já contava com a pré-candidatura de Azevedo, que descarta desistir para apoiar Pacheco.
Em um sinal de tentativa de enfraquecer a ala lulista do partido, 16 diretórios estaduais, inclusive o de Minas, entregaram uma carta à direção nacional do MDB pedindo que a legenda ficasse neutra nas eleições presidenciais.
Segundo relatos de interlocutores do parlamentar, Pacheco destacou durante a conversa que respeita a pré-candidatura de Azevedo — de quem afirmou ser amigo — e ponderou que não faria sentido ingressar na legenda enquanto esse cenário estiver colocado.
O senador também reafirmou aos dirigentes que ainda não tomou uma decisão sobre disputar ou não o governo mineiro, mas que gostaria de não descartar a hipótese neste momento.
De acordo com participantes do encontro, Pacheco disse que pretende seguir conversando com diferentes partidos nos próximos dias, dentro do período da janela partidária, antes de definir tanto uma eventual mudança de sigla quanto seu futuro eleitoral.
O movimento ocorre em meio às articulações em torno de uma possível saída do PSD e ao esforço de diferentes legendas para atrair o senador. Além do MDB, o União Brasil também aparece no radar de interlocutores envolvidos nas negociações.
A alternativa, porém, vinha enfrentando obstáculos nas últimas semanas diante de entraves internos da legenda em Minas Gerais. Um dos principais fatores é a federação com o PP e a presença do secretário de Governo de Romeu Zema (Novo), Marcelo Aro, como uma das principais lideranças do partido no estado, o que reduz o espaço político para uma eventual chegada de Pacheco.
Nos últimos dias, contudo, passou a crescer entre aliados do senador a avaliação de que esse cenário pode mudar. Interlocutores afirmam que Aro avalia deixar o União Brasil e migrar para o Podemos, outra sigla controlada por seu grupo político em Minas. Caso o movimento se confirme, as portas do União Brasil voltariam a se abrir para Pacheco.
As conversas sobre uma eventual migração partidária ganharam força após o PSD filiar o vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões, aliado de Zema. Movimento que reduziu o espaço político de Pacheco dentro da legenda no estado.
Nos bastidores, o senador tem adotado um discurso de cautela e evitado assumir compromisso eleitoral neste momento. Interlocutores afirmam que ele mantém a hipótese de disputar o governo mais como instrumento de articulação política enquanto reorganiza seu campo de alianças em Minas.
A postura contrasta com a leitura feita no Palácio do Planalto. O presidente Lula tem afirmado a aliados, em conversas reservadas, que Pacheco será seu candidato ao governo mineiro em 2026 e passou a tratar o cenário como praticamente definido.
No último sábado, os dois estiveram juntos em Juiz de Fora. Na ocasião, segundo relatos de interlocutores, Pacheco ponderou que, caso decida disputar o governo, não poderá estar em um partido que mantenha alinhamento nacional com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nesse contexto, pediu a ajuda de Lula para evitar que o União Brasil caminhe nessa direção.
No entorno do senador, contudo, a avaliação é de que o tabuleiro político em Minas ainda está “em construção”. A estratégia, segundo aliados, é manter abertas as possibilidades de alianças e de filiação partidária enquanto o cenário eleitoral no estado se reorganiza nos próximos meses.
Além de Lula, o senador Flávio Bolsonaro, principal rival do petista na disputa pelo Palácio do Planalto, também não está com o palanque fechado em Minas. A direita se divide entre as pré-candidaturas de Simões, do senador Cleitinho (Republicanos) ou lançar um nome próprio do PL.