Com o governo já em modo eleitoral, a seis meses do pleito, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou em entrevista na manhã desta quarta-feira o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD), seus prováveis adversários. O petista recorreu à defesa da soberania nacional, um dos temas que pretende explorar na campanha, para atacar os adversários. Em outro momento, admitiu que precisará apresentar "algo novo" para pleitear um novo mandato.
O presidente está investindo na pré-campanha na estratégia de comparação entre o seu governo e o do ex-presidente Jair Bolsonaro. O ex-governador de Goiás, que entrou na corrida na semana passada, também virou alvo nesta quarta-feira.
— Ele (Flávio Bolsonaro) quer vender para os Estados Unidos uma coisa que é tão importante para o Brasil, é como se ele pegasse o petróleo e desse para eles. É uma vergonha inclusive o que o Caiado fez em Goiás, o Caiado fez um acordo com empresas americanas fazendo concessão do que ele não pode fazer, porque é da União, se a gente não tomar cuidado, essa gente vai vender o Brasil — disse Lula, em entrevista ao portal ICL Notícias.
No fim de março, durante participação na Conferência de Ação Política Conservadora (CPAC), no Texas, Flávio Bolsonaro afirmou que o Brasil pode ser “a solução” para reduzir a dependência americana da China em terras-raras. Já Caiado, em março, antes de deixar o governo de Goiás, assinou um memorando de entendimento entre seu estado e o governo dos EUA para estabelecer uma parceria na exploração de minerais críticos e terras raras.
Durante a entrevista desta quarta-feira, Lula reconheceu que precisará apresentar um programa de governo com novidades na campanha eleitoral. Há um reconhecimento entre parte dos aliados que o presidente enfrenta uma "fadiga de material" em razão de sua longa trajetória política.
— Eu falo que não decidi que vou ser candidato ainda, mas certamente vai ter uma convenção no mês de junho, e eu, para ser candidato, vou ter que apresentar um programa, alguma coisa nova para este país. Alguma coisa para que a gente não fique só no: "fica um mandato, acaba com a fome, sai, volta e acaba com a fome de novo".
Lula também afirmou que o Estado não pode ser "sequestrado" pelo orçamento secreto e criticou os penduricalhos pagos em salários no topo do funcionalismo público.
— Eu não quero um estado em que a gente fique subordinado, quase que sequestrado pelo orçamento secreto. Isso não é correto, nem para o Congresso nem para o Executivo. Temos que executar o orçamento porque a sociedade me deu mandato para executar. Não é possível que você não acabe com os penduricalhos na história desse país, é preciso acabar com a promiscuidade política — afirmou.
Ao todo, 16 ministros deixaram os cargos por causa da eleição. Também com esse foco, o governo debate medidas para conter o endividamento da população, que chegou a um patamar recorde.
Ministério da Segurança
O presidente voltou a dizer que aguarda a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança para criar um ministério dedicado à área.
— Na hora que aprovar a PEC, na semana seguinte será anunciada a criação do Ministério da Segurança Pública inclusive com orçamento, porque não dá para fazer segurança pública com esmola, se for necessário um orçamento novo, um orçamento robusto, a sociedade precisa que nós entremos em ação
O texto já foi aprovado pelo Senado e está em discussão na Câmara. Lula disse ainda que há uma tentativa de "consolidar a ultradireita" no próximo pleito.
— Há uma tentativa de consolidar um esquema de ultra direita nesse país que passa por colocar um fim na democracia, porque eles começam sonhando em fechar o STF, continuam falando que tem fraude nas urnas, desacreditando em tudo que é instituição da democracia. Essa eleição será decisiva para ver se queremos democracia ou não — complementou o presidente.
- Flávio Bolsonaro
- Lula
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