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Empresário suspeito de operar esquema de fraudes no INSS negocia delação premiada com a PF

Empresário suspeito de operar esquema de fraudes no INSS negocia delação premiada com a PF

O empresário Maurício Camisotti iniciou as tratativas para fechar um acordo de delação premiada com a Polícia Federal. Apontado como um dos pivôs do suposto esquema de descontos indevidos a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ele está preso desde setembro do ano passado na Penitenciária II de Guarulhos (SP).

A informação foi revelada pela revista Piauí e confirmada pelo GLOBO. Camisotti foi preso preventivamente na Operação Sem Desconto, que também deteve o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS". Procurada, a defesa não se manifestou.

Os advogados que têm negociado a delação com as autoridades são Átila Machado e Celso Vilardi, que já defenderam os ex-presidentes Michel Temer e Jair Bolsonaro, respectivamente. Os defensores já atuaram em delações antes. Vilardi fez a colaboração da Hypera Pharma, e Machado, do doleiro Dario Messer — as duas no contexto da Operação Lava-Jato.

A delação de Camisotti precisa ainda ser homologada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do caso na Corte.

Camisotti e Antunes são suspeitos de serem os principais operadores do suposto esquema que desviava recursos de aposentadorias e pensões pagas pelo INSS por meio de acordos de cooperação técnica com a autarquia, segundo as investigações. Os valores eram cobrados sem o consentimento dos beneficiários.

Como mostrou a colunista Malu Gaspar, Camisotti sacou R$ 7,2 milhões em dinheiro vivo em 17 saques efetuados entre 2018 e 2025, segundo um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o que levantou suspeitas.

Para a PF, ele adotou “condutas graves relacionadas à dilapidação patrimonial, conforme apontado pelo Coaf”. Ele é investigado por lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e formação de organização criminosa.