A escolha de quem disputará a segunda vaga ao Senado em São Paulo na chapa do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) tem dividido opiniões entre as principais lideranças bolsonaristas. Nesta quarta, a primeira pesquisa Datafolha sobre o tema mostrou que os ministros de Lula (PT) cotados para a disputa aparecem melhor colocados do que os nomes da direita.
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De um lado, o ex-presidente Jair Bolsonaro prefere o nome do vice-prefeito paulistano, Mello Araújo (PL), de quem é próximo desde os tempos da Presidência da República. Já o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, que seria o candidato caso não tivesse deixado o país, tem como atual favorito o deputado federal Mário Frias (PL) — anteriormente, seu indicado era o deputado estadual Gil Diniz (PL). Tarcísio, por sua vez, que esteve com Bolsonaro no mês passado, não quer nenhum dos três e defende um nome mais ao centro para a composição.
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O primeiro candidato conservador ao Senado está definido e será Guilherme Derrite (PP), ex-secretário de Segurança Pública do estado. Seu suplente será o advogado Vicente Santini, que deixará nas próximas semanas o cargo de assessor especial de Tarcísio em Brasília. Além disso, Santini será o coordenador da agenda de campanha à presidência do senador Flávio Bolsonaro (PL). No próximo dia 18, o assessor estará com Bolsonaro na Papudinha, em Brasília, após o ministro Alexandre de Moraes autorizar a visita. Entre os assuntos tratados estará justamente o do segundo candidato da direita paulista ao Senado.
A demora para a definição ocorre no momento em que o campo do presidente Lula (PT) mira nas ministras Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (MDB) como seus nomes favoritos para a empreitada, embora a decisão não tenha sido tomada. Mesmo assim, a possibilidade da chapa feminina e de perfil mais centrista fez o entorno de Tarcísio se movimentar para que o escolhido seja não apenas um nome de centro, mas também competitivo.
Em visita a Bolsonaro, há um mês, o governador paulista fez a defesa de seu ponto de vista. Para Tarcísio, segundo aliados, há o risco de o grupo político não eleger senadores em 2026, embora Derrite esteja bem colocado nas pesquisas. Mas a aposta em uma dobradinha bolsonarista, na avaliação de pessoas próximas a Tarcísio, poderia dispersar os votos, sobretudo do eleitor conservador moderado.
No fim de fevereiro, durante evento na Alesp em homenagem a Valdemar Costa Neto, o senador Flávio Bolsonaro afirmou que a decisão será tomada em consenso e divulgada em 30 de março.
– Com relação ao Senado, a gente está aguardando ainda mais informações, tem que conversar, essa é uma decisão que passa pelo Eduardo Bolsonaro e pelo presidente Bolsonaro, e vamos fazer questão de estar alinhado com o governador Tarcísio também. É um palanque em muita sintonia e com muita vontade de todo mundo se ajudar — disse Flávio.
As "informações" citadas pelo senador-presidenciável podem ser traduzidas, segundo um conhecedor do entorno bolsonarista, como "o nome viável leva a vaga", ou seja, quem estiver mais bem colocado nas pesquisas de intenção de voto. Esse teria sido, inclusive, o motivo de Bolsonaro ter pedido mais tempo, no mês passado, para definir o ocupante da vaga.
Um desses nomes estudados é o da deputada federal Rosana Valle (PL-SP). Ligada à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, a parlamentar diz que seu foco é a campanha à reeleição, mas não descarta a empreitada caso seu nome seja viável.
– Michelle pediu para meu nome ser testado na pesquisa. Não fez só comigo, fez com outras mulheres no Brasil todo. E quando ela vê que tem uma possibilidade de uma mulher que está se destacando pleitear um cargo importante, é lógico que ela vai puxar a sardinha para o lado das mulheres, porque ela está ali no partido com a função de dar protagonismo paras mulheres. [Minha candidatura] vai depender da avaliação que o partido vai fazer. Não é uma coisa que eu esteja pedindo. Eu iria se houvesse um consenso. Se houvesse um convite, um consenso. Mas é importante eu deixar claro que eu estou focada na minha reeleição para deputada federal – afirma Rosana.
Outro postulante da direita, mas atualmente distante do campo bolsonarista, o deputado federal Ricardo Salles (Novo) foi anunciado pelo partido como pré-candidato ao Senado e gostaria de ser o escolhido por Bolsonaro e aliados, o que é considerado difícil até por ele. Eleito em 2022 pelo PL, com 640 mil votos, Salles é hoje o deputado paulista em exercício mais votado na eleição passada. Ele fica atrás de Guilherme Boulos (PSOL, 1 milhão de votos), que está licenciado, e de Carla Zambelli (PL, 946 mil votos) e Eduardo Bolsonaro (PL, 741 mil votos). Ambos tiveram seus mandatos cassados — Zambelli está presa na Itália.
– Dos nomes que estão propostos, eu sou o que teve mais votos, então não tem motivo de eu não me candidatar ao Senado. Mas eu acho ruim ter três candidatos [do campo da direita], pois vai dividir votos. Mas, se tiver, paciência – afirma Salles.
Além dos nomes citados, outros também estão no jogo, como os deputados federais Cezinha de Madureira (de mudança do PSD para o PL), Marco Feliciano (PL) e Baleia Rossi (MDB).
Datafolha mostra ministros à frente
A primeira pesquisa Datafolha do ano para o Senado em São Paulo, divulgada na noite de segunda-feira (10), mostrou quatro ministros do presidente Lula à frente dos candidatos da direita. São eles: Fernando Haddad (Fazenda), Geraldo Alckmin (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), Simone Tebet (Planejamento) e Márcio França (Empreendedorismo). O mesmo ocorre com Marina Silva (Meio Ambiente) em um cenário testado, mas ela empata no limite da margem de erro em outro.
Desses, os três últimos têm mais chances de concorrer às duas vagas disponíveis. O levantamento foi feito antes de Haddad admitir candidatura ao governo do estado, o que era negado até então. Alckmin, por sua vez, já afirmou publicamente que pretende apenas disputar a eleição se for mantido como vice na chapa presidencial de Lula.