A Polícia Federal apreendeu, nesta quinta-feira, uma Ferrari e cinco Porsches — avaliados em mais de R$ 5 milhões —, uma motocicleta Ducati de R$ 150 mil, além de outros 21 veículos, dinheiro em espécie e uma arma de fogo, durante a nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema bilionário de fraudes em aposentadorias e pensões do INSS.
A ação cumpriu 66 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sete estados e no Distrito Federal. Os objetos foram encontrados nos endereços de representantes das entidades envolvidas no escândaço.
O dinheiro vivo apreendido soma R$ 135.800,00. Também houve o confisco mais de 30 relógios, entre eles peças de luxo avaliadas em até R$ 100 mil, além de diversos aparelhos eletrônicos, como celulares e notebooks.
- Fraude do INSS: Sindicato deu informação falsa ao negar presença de irmão de Lula na organização, aponta CGU
- Após ser suspenso: Sabino troca farpas com Caiado e diz que permanência no União Brasil 'ficou insustentável'
Um dos alvos da ação é o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), que tem como vice-presidente José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Frei Chico não consta como investigado no inquérito da PF.
Em nota, a defesa do Sindnapi afirmou ter sido pega de "surpresa" pela operação e manifestou "repúdio" às suspeitas levantadas.
"Esclareça-se que os advogados não tiveram acesso ao inquérito policial, ao conteúdo das razões da representação policial ou dos fundamentos da decisão que autorizou a deflagração da medida cautelar, mas reitera seu absoluto repúdio e indignação com quaisquer alegações de que foram praticados delitos em sua administração ou que foram realizados descontos indevidos de seus associados", diz a associação, acrescentando que "comprovará a lisura e legalidade de sua atuação, sempre em prol de seus associados, garantindo-lhes a dignidade e respeito que são devidos".
As sedes de outras associações, como Amar Brasil, Andap e Masterprev também foram alvos de buscas.

O presidente do Sindnapi, Milton Baptista de Souza Filho, conhecido como Milton Cavalo, depõe nesta quinta-feira à CPI do INSS. Segundo relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o sindicato movimentou cerca de R$ 1,2 bilhão em seis anos. A sede da entidade fica em São Paulo.
De acordo com a PF, o objetivo desta nova fase é "aprofundar as investigações e esclarecer a prática de crimes como inserção de dados falsos em sistemas oficiais, constituição de organização criminosa e ocultação patrimonial."
Os crimes em apuração são de estelionato qualificado, peculato, corrupção ativa, uso de documento falso, lavagem de capitais e organização criminosa. A ação conta com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU).
A primeira fase da operação foi deflagrada em abril de 2025, quando a PF e a CGU revelaram que sindicatos e associações de aposentados faziam descontos indevidos e sem autorização nos contracheques de beneficiários, o que totalizou R$ 6,3 bilhões. Na ocasião, a cúpula do INSS foi afastada suspeita de envolvimento no esquema.
As entidades envolvidas afirmavam oferecer serviços como planos de saúde, academia e assistência jurídica, mas, segundo a CGU, não possuíam estrutura real para executar o que prometiam. Em muitos casos, os aposentados sequer tinham conhecimento de que haviam sido filiados, descobrindo as cobranças apenas ao consultar seus extratos de benefício.
Em setembro, a PF prendeu os empresários Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, e Maurício Camisotti, apontados como principais operadores do esquema. Segundo os investigadores, eles coordenavam empresas que funcionavam como intermediárias financeiras entre as associações e os servidores públicos. Parte dos recursos desviados era repassada a funcionários do INSS responsáveis por autorizar os convênios e validar os descontos. Eles negam todas as irregularidades.
Segundo a PF, os bens foram localizados em endereços ligados a empresários e intermediários financeiros suspeitos de participar do esquema de descontos associativos irregulares aplicados a beneficiários da Previdência Social entre 2019 e 2024. As autoridades suspeitam que os veículos de luxo e o dinheiro apreendido tenham sido adquiridos com recursos desviados do sistema previdenciário.
A Operação Sem Desconto apura a atuação de sindicatos e associações que cobravam mensalidades sem autorização de aposentados e pensionistas, causando prejuízo estimado em mais de R$ 6 bilhões. Parte dos valores era repassada a empresas de fachada e, posteriormente, lavada por meio da compra de carros de luxo, imóveis e outros bens de alto valor.
Nas fases anteriores da operação, a PF prendeu o empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, apontado como principal operador financeiro do grupo, e o empresário Maurício Camisotti. Ambos são investigados por lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e formação de organização criminosa.
A nova etapa da investigação busca rastrear o destino dos recursos desviados e identificar novos beneficiários do esquema, incluindo pessoas físicas e jurídicas que teriam colaborado para ocultar os valores.