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Fundação do PT propõe criar 'guarda nacional civil' para 'gradativamente' substituir atuação de militares em GLO

Fundação do PT propõe criar 'guarda nacional civil' para 'gradativamente' substituir atuação de militares em GLO

A fundação Perseu Abramo, vinculada ao PT, divulgou nesta segunda-feira uma cartilha com "subsídios para o debate de segurança pública" que sugere a criação de uma nova força de segurança, a "Guarda Nacional Civil", para "gradativamente" substituir a atuação das Forças Armadas em operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO). O documento, voltado para filiados ao partido, também defende a recriação do Ministério da Segurança Pública, que hoje faz parte da estrutura do Ministério da Justiça.

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O documento foi divulgado na abertura de um seminário de segurança pública do PT, no Rio, com a presença do presidente do partido, Edinho Silva. Segundo a cartilha, a criação da "Guarda Nacional Permanente de Caráter Civil" ocorreria a partir do envio de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC). A proposta difere da Força Nacional, que existe atualmente, e que é composta por membros das polícias militares de forma temporária, mediante convocações específicas.

No início do governo Lula, em janeiro de 2023, o então ministro da Justiça Flávio Dino, hoje no Supremo Tribunal Federal, chegou a sugerir uma Guarda Nacional para proteger prédios públicos em Brasília, na esteira dos atos golpistas do 8 de Janeiro. O projeto, porém, sequer foi enviado ao Congresso. Na ocasião, o governo federal hesitou em decretar uma GLO para reagir às invasões dos prédios dos três Poderes, em meio a desconfianças sobre a atuação dos militares após a larga presença de membros da caserna no governo Bolsonaro.

"Até hoje a Força Nacional é um programa, não tem estrutura hierárquica adequada, código de conduta, órgão corregedor e é formada por policiais dos estados e do DF. A criação da Guarda Nacional Permanente de Caráter Civil, uniformizada, portanto, ostensiva, (...) seria a ampliação dos órgãos que compõem a segurança pública, com a criação de uma nova instituição policial da União para atuar em todo o território nacional, em especial nas fronteiras e na Amazônia Legal. Com a Guarda Nacional, gradativamente não será mais necessário o emprego das Forças Armadas por meio das operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO)", diz o documento da fundação Perseu Abramo.

A cartilha petista também frisa que a criação de um ministério específico para a segurança pública foi um "expresso compromisso" do programa da candidatura presidencial de Lula em 2022. O Ministério da Segurança chegou a existir no governo Michel Temer, entre 2016 e 2018, mas depois foi extinto na gestão Bolsonaro.

A proposta voltou a ganhar força dentro do PT após a megaoperação policial no Rio, no fim de outubro, que deixou 121 mortos e se tornou a mais letal da história do país. Com a constatação de que a segurança tende a ser um dos principais temas da campanha eleitoral de 2026, aliados de Lula passaram a defender a instalação de um ministério através de medida provisória ou, como alternativa, a criação de uma secretaria temática, vinculada à Presidência, com status ministerial.

Segundo o presidente da fundação Perseu Abramo, Paulo Okamotto, a criação da cartilha foi um pedido da ex-presidente do PT, Gleisi Hoffmann, hoje ministra de Relações Institucionais, para "atualizar a política de segurança" do partido.

— Não podemos admitir que, numa iniciativa para combater criminalidade, morram policiais. Nem que possa se matar gente inocente com bala perdida. Mas também temos clareza que o malfeito deve ser punido. E que as punições devem aumentar. A impunidade nesse país muitas vezes é uma motivação para as pessoas cometerem crimes — afirmou Okamotto.

Mudanças em polícias

O documento divulgado nesta segunda-feira pela fundação do PT também propõe mudanças, através de PEC, na organização das polícias militares. A sugestão é de que as PMs deixem de ser "força auxiliar e reserva do Exército", como estabelece hoje o artigo 144 da Constituição, além de acabar com a separação entre polícia "investigativa" — atribuição das Polícias Civis nos estados — e "ostensiva", papel desempenho pelos policiais militares na atual formatação.

A cartilha argumenta que o formato atual faz com que "as PMs tenham dois comandos, um dos(as) governadores(as) e outro das Forças Armadas".

"Como as Polícias Militares não têm atribuição de investigar (atribuição esta que cabe à polícia judiciária), elas priorizam uma atuação voltada para o flagrante delito, e o fazem imbuídas de um preconceito histórico contra pobres e negros. Soma-se ainda a cultura de combate ao inimigo interno, criada no período da ditadura e fortalecida pela política de guerra às drogas, que fortalece a política do confronto", aponta um trecho do relatório.

Outro trecho do documento sugere que os repasses do Fundo Nacional de Segurança Pública aos estados, também previstos na Constituição, sejam condicionados a mudanças na atuação da PM, como a criação de batalhões de policiamento de proximidade pelos governos estaduais.

"O policiamento de proximidade é antagônico ao policiamento com a lógica do confronto, que tem como uma de suas marcas a incursão policial sistemática nas periferias, com operações com blindados e 'caveirões'", diz o documento do PT.

Outra proposta do PT é rever a lei, de 2018, que destina recursos arrecadados com loterias federais para o Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP). A sugestão é redirecionar parte dos recursos para o Fundo Penitenciário Nacional, contemplado com 0,81% da arrecadação da loterias, conforme a legislação atual — já o FNSP recebe uma fatia de 5%.

A fundação ligada ao PT também sugeriu a criação de mais cinco presídios federais, dobrando o atual contingente. As penitenciárias federais existentes hoje são as de Brasília (DF), Catanduvas (PR), Porto Velho (RO), Campo Grande (MS) e Mossoró (RN).