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Gilmar Mendes defende tramitação do inquérito das fake news após OAB pedir fim de apuração 'perpétua'

Gilmar Mendes defende tramitação do inquérito das fake news após OAB pedir fim de apuração 'perpétua'

O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), defendeu a continuidade da tramitação do inquérito das fake news, chamado pela oposição de "inquérito do fim do mundo". O decano da Corte saiu em defesa da investigação sob relatoria do colega Alexandre de Moraes, iniciada em 2019 para apurar ataques a ministros e depois ampliada para englobar outras apurações. Durante manifestação sobre os 135 anos do Supremo, Mendes destacou a "importância histórica" do inquérito.

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— Devo falar da importância histórica do inquérito das fake news. Vivemos esse momento dramático, convivemos com isso no início do governo Bolsonaro. Foi uma posição difícil a decisão do ministro Dias Toffoli, designando o ministro Alexandre de Moraes para essas funções — destacou durante a sessão plenária desta quinta-feira. — Não quero fazer a especulação do "se" na história: o que seria do Brasil se não fosse o inquérito das fake news. Mas estou muito tranquilo porque aqui apoiei desde o início.

As declarações de Gilmar Mendes vêm depois de o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) enviar ofício ao presidente do STF, ministro Edson Fachin, pedindo providências para a conclusão do inquérito das fake news. No documento, a entidade manifesta “extrema preocupação institucional com a permanência e conformação jurídica de investigações de longa duração".

A OAB sustentou que, embora a investigação tenha sido criada em contexto excepcional, com instauração de ofício (ou seja, partiu do próprio STF, sem pedido), sua continuidade exige observância estrita dos limites constitucionais, e ainda registrou preocupação quanto à ampliação do escopo da apuração.

O inquérito voltou ao centro do debate nos últimos dias, após a Polícia Federal realizar uma operação contra quatro servidores da Receita Federal sob suspeita de acesso e vazamento de dados fiscais de ministros do STF e de seus familiares. O Supremo informou que a petição foi autuada por prevenção ao inquérito das fake news.

Mendes ironiza Moro

Em outro momento do discurso pelos 135 anos do STF, Mendes ironizou o senador Sergio Moro (União-PR) ao criticar o que considera ser um foco excessivo da imprensa no Supremo. Ele disse que, se "um alienígena" chegasse ao país neste momento, poderia pensar que todos os problemas nacionais se restringem à Corte.

O ministro apontou "perplexidade" com o fato de veículos de mídia que apoiaram a Operação Lava-Jato não terem feito um "mea-culpa" após o reconhecimento judicial de abusos em ações de procedimentos de envolvidos.

Mendes disse que "jornalistas importantes" eram ghostwriters — profissionais contratados para escrever textos em nome de um contratante, que então assina as obras — do ex-juiz da Lava-Jato em Curitiba e aproveitou para alfinetar o atual senador.

— Precisava de ghostwriters porque talvez não soubesse escrever com G ou com J a palavra 'tigela' — destacou o decano.

Em resposta, Moro disse pelas redes sociais que Mendes "quer desviar a atenção da opinião pública" sobre a matéria da revista britânica The Economist na qual, apontou o senador, o magistrado "foi retratado de maneira bem negativa". "Devia falar sobre ela e não sobre bobagens", complementou, antes de destacar um trecho da reportagem que trata de festas oferecidas pela universidade privada fundada pelo decano a políticos, magistrados e empresários em Lisboa.