No momento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa se declara a suspeição do ministro Dias Toffoli no caso Master, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu o procurador-geral da República, Paulo Gonet, no Palácio do Planalto. Na conversa, de acordo com interlocutores, o presidente defendeu que investigações envolvendo irregularidades supostamente cometidas por bancos e bets sejam conduzidas "com rigor e de forma técnica".
O Palácio do Planalto confirmou o encontro, que ocorreu fora da agenda oficial de Lula, mas não divulgou o teor da conversa, que ocorreu após a Polícia Federal ter enviado ao STF um relatório que indica a suspeição de Toffoli, relator do caso que envolve o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Nesta quinta-feira, o presidente do STF, Edson Fachin, enviou o pedido fundamentado por informações da PF ao órgão a Gonet, a quem caberá se manifestar. Antes, o próprio Toffoli negou o pedido de suspeição após qualificar os dados da PF como "ilações".
Gonet já analisava outros dois pedidos de suspeição de Toffoli que poderiam resultar no afastamento do magistrado da relatoria do caso Master. Além da provocação que tem origem em relatório elaborado pela PF, há uma requisição do senador Eduardo Girão (Novo-CE) e outra do também senador Alessandro Vieira (MDB-SE).
Na reunião com Gonet, Lula, segundo esses interlocutores, defendeu que apurações sobre o sistema financeiro sejam realizadas com independência, rigor técnico e imparcialidade. Além do inquérito que apura o Master, a PF deflagrou nos últimos meses operações que miram em irregularidades cometidas por instituições financeiras e sua eventual conexão com o crime organizado. São os casos de operações como Carbono Oculto, Barco de Papel, Spare, Quasar e Tank.
Toffoli iniciou a carreira pública em cargos ligados ao PT e foi indicado ao STF em 2009, no segundo mandato de Lula, após ocupar o cargo de Advogado-Geral da União da gestão petista.
- Brasília