Governadores brasileiros se manifestaram neste sábado, por meio de redes sociais, sobre o ataque realizado pelos Estados Unidos à Venezuela e a captura do o líder chavista Nicolás Maduro. Enquanto os governadores de oposição celebraram a ação americana, aliados do governo federal condenaram o ataque e alertaram para violações ao direito internacional.
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O governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), pré-candidato à Presidência da República, afirmou que a data deve marcar um momento histórico para o país vizinho, "como o dia da libertação do povo venezuelano". "Que a democracia, a liberdade e a prosperidade se instalem no país”, escreveu.
No Paraná, o governador Ratinho Junior (PSD), que buscou não se alinhar a Donald Trump durante o tarifaço no ano passado, elogiou diretamente o presidente dos Estados Unidos, chamando a decisão de "brilhante". "um povo que estava sendo oprimido há décadas por tiranos antidemocráticos”, afirmou.
Assim como Caiado e Ratinho, outro presidenciável que comentou foi o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), que declarou que a queda de Maduro pode representar um novo caminho de paz e estabilidade para a Venezuela. “O chavismo isolou a Venezuela do mundo, destruiu a economia, expulsou milhões do próprio país e mostrou os efeitos trágicos de regimes autoritários”, pontuou.
Já o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), que já se lançou como pré-candidato à Presidência, criticou o regime de Maduro, mas ponderou que a invasão dos EUA e a captura do líder chavista é grave e manifestou preocupação com "a escalada de tensão em nossa região".
"O regime ditatorial de Maduro é inadmissível. Viola direitos humanos, sufoca liberdades e impõe sofrimento ao povo venezuelano. No entanto, a violência exercida por uma nação estrangeira contra outra soberana, à margem dos princípios básicos do direito internacional, em especial o de não intervenção, é igualmente inaceitável", pontuou.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se manifestou por volta da 16 horas, por meio de um vídeo publicado nas redes sociais. Ele comemorou a ação dos EUA e afirmou que a manutenção do regime chavista só foi possível ao longo dos anos por apoio externo, com conivência e omissão de figuras políticas, fazendo referência ao presidente Luz Inácio Lula da Silva (PT).
— Uma ditadura não cai da noite paro dia. Ela corrói lentamente, apodrece por dentro, as instituições vão morrendo aos poucos e o preço é altíssimo. Custou a liberdade de inocentes, os direitos políticos de opositores, a prosperidade da Venezuela e do seu povo. E tudo isso só foi possível ao longo do tempo porque houve conivência, omissão e até apoio explícito de quem insistiu em chamar um ditador de companheiro — disse em um vídeo publicado nas redes sociais.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que também está entre os pré-candidatos à Presidência, comentou o ataque dos EUA, dizendo que "a Venezuela tornou-se um dos exemplos mais extremos de como um regime autoritário pode destruir uma nação". "Que Deus fortaleça cada família venezuelana, conforte os que sofrem e proteja todos aqueles que lutam pela liberdade. A Venezuela voltará a ser livre!", escreveu ele no X.
Do lado dos governadores aliados ao governo federal, as manifestações foram de condenação ao ataque. O governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT), classificou a ação como grave e diz que "representa precedente extremamente perigoso". "Ataques a nações violam as regras do direito internacional e contribuem para o surgimento de novas guerras, que só trazem mortes, sofrimento e destruição”, escreveu.
O governador do Pará, Helder Barbalho (MDB), publicou uma longa manifestação em que ponderou sobre os riscos do regime de Maduro, mas criticou a atuação de uma potência estrangeira em um país latino.
"A América do Sul vive um retrocesso histórico no dia de hoje. (...) A permanência inadmissível de Nicolas Maduro - e sobretudo sua última ratificação autoritária no poder - levantou todos os piores sinais de aversão e repulsa daqueles que cultuam a democracia plena na Venezuela e no mundo. Que Maduro não deveria nem poderia mais permanecer, como ditador, não há dúvida. A questão não é essa. A questão é se os fins justificam os meios e se somos na América Latina meras colônias como quando os primeiros europeus chegaram por aqui", pontuou.
Barbalho ressaltou que "quando uma potência estrangeira captura e sequestra o chefe de Estado de um país soberano estamos diante de uma agressão à toda ordem internacional".
"A violência extrema de uma nação estrangeira nas fronteiras de nosso continente é também uma agressão sobre outra agressão, a da ditadura de Maduro, mais uma na histórica da sofrida América do Sul", disse.
Outro aliado do governo federal, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues (PT), também se manifestou pelas redes sociais e classificou a ação como uma agressão estrangeira. "Alinho-me ao posicionamento do governo brasileiro, que, por meio do presidente Lula, manifestou sua oposição firme em relação ao ocorrido”, escreveu.
O governador afirmou que o governo estadual acompanha a situação de baianos que estejam na Venezuela.
Lula condena ataques
O presidente Lula condenou neste sábado os ataques à Venezuela anunciados pelos Estados Unidos. Em comunicado, o brasileiro afirmou que os atos "representam uma afronta gravíssima à soberania da Venezuela e mais um precedente extremamente perigoso para toda a comunidade internacional".
"Atacar países, em flagrante violação do direito internacional, é o primeiro passo para um mundo de violência, caos e instabilidade, onde a lei do mais forte prevalece sobre o multilateralismo. A condenação ao uso da força é consistente com a posição que o Brasil sempre tem adotado em situações recentes em outros países e regiões", diz a nota.
Segundo Lula, "a ação lembra os piores momentos da interferência na política da América Latina e do Caribe e ameaça a preservação da região como zona de paz".
"A comunidade internacional, por meio da Organização das Nações Unidas, precisa responder de forma vigorosa a esse episódio. O Brasil condena essas ações e segue à disposição para promover a via do diálogo e da cooperação",