Em uma tentativa de atrair parte do Centrão para a campanha à reeleição no ano que vem, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deu posse nesta terça-feira ao novo ministro do Turismo, Gustavo Feliciano. A escolha também foi um aceno ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que deu aval à indicação e compareceu à solenidade. Em paralelo, o Planalto montou uma força-tarefa neste fim de ano para garantir os empenhos — primeiro passo para garantir o pagamento — de emendas parlamentares até o dia 31 de dezembro e, assim, evitar novas instabilidades políticas com o Congresso.
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O novo titular do Turismo é filho do deputado Damião Feliciano (União-PB) e vai substituir Celso Sabino. A troca foi anunciada por Lula na semana passada, após Sabino ser expulso do União Brasil por desobedecer a ordem da legenda de deixar o cargo.

Feliciano e Motta são aliados, o que fez o presidente da Câmara participar da cerimônia após semanas de tensão com o Executivo. Um dos motivos da crise foi a aprovação do projeto que beneficia o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados com redução de pena na trama golpista, medida que Lula já disse que vai vetar.
Menções ao padrinho
Empossado, Feliciano fez exaltações diretas a Motta:
— Um destaque especial que eu gostaria de fazer para o maior líder do meu estado, que neste momento não é só da Paraíba, mas do Brasil, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta. Presidente Hugo, um paraibano assumir um ministério da República é um reflexo incontestável da sua discreta, mas inegável, forte liderança. O Ministério do Turismo é a sua casa, porque a Paraíba é grata pelo seu apoio.
Integrantes do governo com assento no Planalto dizem que a nomeação de Feliciano é resultado do entendimento do governo com uma ala do União Brasil que se comprometeu a apoiar a reeleição de Lula. De acordo com um integrante da executiva do partido, essa costura teve aval do presidente da legenda, Antonio Rueda, e foi articulada por um grupo de parlamentares da sigla que está mais alinhado ao governo. O partido tem 59 deputados, e esse grupo reúne cerca de 20 deles.
O agora ministro foi secretário de Turismo da primeira gestão do governador da Paraíba, João Azevêdo (PSB), de quem Motta é aliado. O presidente da Câmara espera contar com o apoio dele e de Lula para eleger o pai, Nabor Wanderley (Republicanos-PB), para o Senado em 2026.
Na cerimônia de posse, Motta afirmou que a gestão do novo ministro terá apoio e será construída junto com o Congresso:
— Gustavo terá o apoio do parlamento, da Câmara, dos deputados, para ajudar a sua gestão com recursos, com ações, para que juntos possamos cada vez mais fortalecer as ações para que o Brasil possa ser esse destino turístico buscado por todos — disse.
Em outubro, o presidente da Câmara foi procurado por integrantes do governo para ser incluído no processo de recomposição da base aliada, após a Câmara impor derrota ao Executivo com a não apreciação de uma medida provisória que aumentava impostos.
De lá para cá, no entanto, o entorno de Motta se queixava que o Planalto não estava dando andamento às costuras e afirmava que o presidente da Câmara não tinha um espaço no primeiro escalão de Lula, diferentemente de seu antecessor, Arthur Lira (PP-AL), e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Um dia antes de anunciar a troca de Sabino por Feliciano, Lula conversou com Motta por telefone e avisou da substituição.
Durante a posse do aliado, Motta alegou ainda que, apesar dos “desafios e dos embates”, o “Congresso não faltou ao governo”:
— Não tivemos um ano fácil, foi um ano de muitos desafios, um ano de embates, mas o ano que o Congresso Nacional não faltou ao governo do senhor. Nós tivemos aprovações importantes que dão ao senhor a certeza de que o governo encerra o ano muito melhor do que o que iniciou.
Um dos principais pontos de atrito entre o governo e o Congresso este ano foi o ritmo de liberação das emendas. Para tentar reverter o cenário neste fim de ano, a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência (SRI) montou uma força-tarefa, em articulação com outros ministérios, para garantir os empenhos até 31 de dezembro.
Como o Orçamento de 2025 foi sancionado só em abril, o ritmo de trabalho, que costuma ser intenso nos últimos dias do ano, deve ser ainda mais acelerado.
A pouco mais de uma semana do fim de 2025, cerca de 56% dos recursos destinados a emendas foram efetivamente pagos, um desempenho que acendeu sinal de alerta tanto no Congresso quanto na SRI.
Maior bancada da Câmara, o PL concentra cerca de R$ 3,3 bilhões pagos, seguido pelo PSD, União e PT, com pouco mais de R$ 2,2 bilhões. Siglas tradicionalmente fortes no Congresso, como MDB, PP e Republicanos, figuram entre as maiores beneficiadas, todas com valores acima de R$ 1 bilhão. Já partidos de menor representação, como PSOL, Rede e PCdoB, aparecem com valores significativamente inferiores.