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Guerra no Rio: após derrotas, direita volta a engajar nas redes com união de governadores e apoio a Castro

Guerra no Rio: após derrotas, direita volta a engajar nas redes com união de governadores e apoio a Castro

A operação policial que deixou ao menos 121 mortos anteontem, a mais letal da história do país, ajudou a reorganizar o discurso de políticos de direita após sinais de desalinhamento nas últimas semanas. Governadores cotados para concorrer à Presidência em 2026 contra Lula — como Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, Romeu Zema (Novo), de Minas, e Ronaldo Caiado (União), de Goiás — acenaram com apoio à medida e, no caso dos dois últimos, usaram o episódio para criticar o governo federal. Nas redes sociais, parlamentares e lideranças do campo conservador conseguiram mais engajamento do que a esquerda sobre o tema.

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O movimento mais coeso da direita após a megaoperação contrasta com o silêncio dessas lideranças após o encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o líder dos EUA, Donald Trump, no domingo, que foi interpretado como um revés para o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Aliados de Bolsonaro também haviam ficado na defensiva após a repercussão negativa da PEC da Blindagem, que foi apoiada pela bancada bolsonarista na Câmara, mas depois enterrada pelo Senado diante de manifestações populares.

Levantamento do Instituto Democracia em Xeque mostrou que, entre anteontem e ontem, em meio ao ápice do debate sobre a crise de segurança do Rio nas redes sociais, perfis de direita totalizaram 57 milhões de interações em cinco plataformas (Facebook, Instagram, X, Youtube e TikTok). Foi mais do que o triplo das 17 milhões angariadas pelo campo denominado “progressista”.

Em todas as plataformas, o maior volume de postagens também foi de perfis conservadores, de acordo com o levantamento. Foram, ao todo, 872 publicações identificadas pelo levantamento no campo da direita, o dobro do realizado por perfis mais alinhados à esquerda (438).

— A operação, marcada pela altíssima letalidade, se transformou, nas redes sociais, em um campo de batalha narrativo. Para a direita, é uma tentativa de retomar o protagonismo no debate público, após dados e ações positivas para o governo federal — afirmou o diretor-executivo do Instituto Democracia em Xeque, Fabiano Garrido.

Entre as postagens de maior alcance estava uma publicação do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que havia obtido 17 milhões de visualizações no Instagram até o fim da tarde de ontem. Nela, o parlamentar classifica a operação como “a maior faxina” da história do Rio.

Nikolas, que tinha evitado comentar o encontro entre Lula e Trump, também acusou a esquerda de defender a “soberania” de facções criminosas, numa tentativa de contrapor o mote adotado pelo Planalto desde o tarifaço dos EUA. O discurso em defesa da soberania nacional foi vinculado por especialistas ao crescimento de popularidade de Lula nos últimos meses.

Outros parlamentares, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), resgataram declaração de Lula durante viagem à Ásia, na qual se referiu a traficantes como “vítimas dos usuários” — ele posteriormente se desculpou pela frase. “Diferente do Lula, nós entendemos que essas facções são grupos terroristas”, disse o senador.

A consultoria Bites apontou que, das 100 mensagens com mais interações no Twitter, Facebook e Instagram, 40 foram da direita, 32 da esquerda ou críticos da direita e 28 neutras. Políticos da direita têm tido mais sucesso em repercutir suas mensagens sobre os acontecimentos, comemorando a operação, criticando o governo Lula por causa do que acusam como falha em combater o crime, ou criticando a esquerda por defender traficantes.

Debate sobre a operação nas redes — Foto: Editoria de arte
Debate sobre a operação nas redes — Foto: Editoria de arte

Reunião de governadores

A ofensiva também uniu governadores de direita que buscam se credenciar para a próxima corrida presidencial. Eles se solidarizaram ao governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), que travou desde anteontem uma queda de braço com integrantes do governo Lula sobre o planejamento e o saldo da operação.

Nas redes sociais, Zema repetiu o argumento de Castro de que o governo Lula “se recusou a mandar blindados” para ajudar a polícia — embora o próprio governador do Rio tenha reconhecido, posteriormente, que não fez tal pedido para esta operação, e sim em eventos anteriores. O governador de Goiás também elogiou a atuação dos policiais “mesmo sem a participação do governo federal”.

Já o secretário estadual de Segurança de São Paulo, Guilherme Derrite (PP), disse ontem que sugeriu ao governador Tarcísio de Freitas oferecer parte do efetivo policial do estado para realizar patrulhamento de rotina no Rio. A proposta foi abordada em uma reunião entre governadores, que contou com a participação de Castro, Tarcísio, Zema e Caiado, além de Jorginho Mello (PL), de Santa Catarina, e Mauro Mendes (União), de Mato Grosso.

A sugestão de Derrite também marca uma tentativa de se contrapor ao governo Lula, que ainda não decidiu medidas a serem tomadas em relação à crise de segurança no Rio. O Palácio do Planalto tem resistido à ideia de decretar uma operação de Garantia da Lei e da Ordem (GLO) na área de segurança no estado.

— Os esforços para contenção dessa crise em áreas deflagradas e ocupadas vão acontecer por parte das forças estaduais do Rio. Eventualmente se houver necessidade do apoio das forças de segurança (de São Paulo) para patrulhamento em outras áreas, para que não haja prejuízo da atividade policial, isso pode ser feito — afirmou Derrite.

Após o encontro, Caiado também disse ao GLOBO que colocaria as “tropas” de seu estado à disposição. A mesma sinalização foi repetida por Jorginho em um post publicado em suas redes sociais, no qual disse que “Santa Catarina se coloca à disposição, caso precisem“.

O grupo também planeja uma reunião com Castro no Rio, hoje, para debater novas ações. Além daqueles que participaram do encontro virtual, poderão estar presentes os governadores do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), e do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), além da vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão (União).

Em entrevista coletiva no Guanabara, ontem, Castro agradeceu o apoio dos outros governadores e disse que eles perceberam a necessidade de agir em conjunto para “dar um duro golpe na criminalidade”.

— Vejo esse como o início de um novo momento em que poderemos livrar os fluminenses, mas também os brasileiros, da criminalidade — afirmou.

Postagens sobre o tema — Foto: Editoria de arte
Postagens sobre o tema — Foto: Editoria de arte

Reação da esquerda

Aliados do governo Lula, por sua vez, criticaram o grupo de governadores e lembraram que as mesmas lideranças já se posicionaram de forma contrária à PEC da Segurança, apresentada pelo Ministério da Justiça e que busca integrar órgãos federais e estaduais no combate à criminalidade.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (PT-RJ), afirmou que Castro “precisa explicar por que é contra a PEC”. A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou que “os episódios violentos no Rio ressaltam a urgência do debate e da aprovação da proposta no Congresso”.

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