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Irmão de Michelle leva refeições para Bolsonaro, preso na PF

Irmão de Michelle leva refeições para Bolsonaro, preso na PF

Irmão da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), Eduardo Torres foi à Superintendência da Polícia Federal (PF) em Brasília, neste domingo, entregar refeições para o cunhado Jair Bolsonaro (PL). Desde que foi preso e levado para o local, após danificar a tornozeleira eletrônica com um ferro de solda, o ex-presidente tem se alimentado com alimentos enviados pela família, em vez dos preparados pela corporação. Eduardo Torres é uma das pessoas autorizadas a levar as refeições até Bolsonaro, além do ex-assessor presidencial Antonio Machado Ibiapina e do tenente militar Kelso dos Santos.

O político optou por por um cardápio que segue recomendações médicas, com baixo teor de gordura. Torres chegou à PF por volta das 13h deste domingo, segundo o Metrópoles. Sua irmã Michelle está em viagem pelo Ceará.

Ao lado de revistas de palavras cruzadas e de uma TV, o livro “Metanoia — A chave está em sua mente”, do bispo americano JB Carvalho, é um dos passatempos disponíveis ao ex-presidente na sua primeira semana preso em uma sala da Superintendência Regional da Polícia Federal, em Brasília.

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O livro de autoajuda foi levado pelo filho mais velho, Flávio Bolsonaro, ao visitá-lo na terça-feira, como forma de aliviar o isolamento imposto pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, no sábado anterior.

Horas após ver o primogênito, Bolsonaro chorou ao saber que a prisão, até então em caráter preventivo, havia se tornado definitiva, com o fim do processo da trama golpista no STF.

Sair por um breve momento da sala de 12m² em que está confinado é o momento de maior animação do ex-presidente. Isso ocorre quando há visitas da família. Michelle esteve na PF no domingo e na quinta-feira; Carlos e Flávio, na terça; Jair Renan, na quinta.

O clã montou uma operação paralela para organizar a rotina do ex-presidente, que ocupa um espaço com frigobar, cama, mesa, ar-condicionado e uma televisão que permanece ligada praticamente o dia inteiro.

Para tentar estabilizar o humor do ex-presidente, a família recorreu a referências afetivas. Jair Renan levou palavras cruzadas, um dos passatempos preferidos do pai. O hábito remonta aos anos 1970, quando Bolsonaro teve 21 cruzadinhas publicadas no “Estado de S.Paulo”, enquanto trabalhava como entregador do jornal em Eldorado Paulista, no interior de São Paulo.

Ele montava os diagramas à mão, os enviava pelo correio e, quando publicados, percorria as casas dos assinantes avisando em que página estavam.

Já o livro de autoajuda incentiva o abandono de “narrativas internas que aprisionam” e propõe uma jornada de 21 dias para reorganizar padrões emocionais.

A leitura pode ser um ativo para o ex-presidente, já que a legislação brasileira permite remição de pena por estudo e leitura.

Dentro da cela, Bolsonaro tenta estabelecer uma rotina. Passa longos períodos diante da televisão, alternando entre telejornais e partidas de futebol na TV aberta. Aliados dizem que ele reage com brevidade às notícias e oscila entre momentos de introspecção e outros um pouco mais conversativos.

As crises de soluço, relatadas desde o fim de semana, intensificaram-se na quinta-feira, quando uma delas exigiu atendimento médico dentro da cela; não houve necessidade de deslocamento ao hospital. O episódio renovou a defesa, entre aliados, pelo retorno à prisão domiciliar.

Embora não haja qualquer indício de perseguição nas dependência da PF, pessoas próximas a Bolsonaro nutrem a desconfiança de que seria possível ocorrer um envenenamento a partir da comida da prisão. Até agora, portanto, o ex-presidente só ingeriu itens acomodados na “quentinha da dona Michelle” ou levados pelo irmão da primeira-dama, Eduardo Torres.

— Meu pai sempre se preocupou (com a comida). Não se sabe a origem, nas mãos de quem passa — disse Flávio.

Do lado de fora, enquanto tentam se reorganizar emocionalmente, aliados lidam com um Congresso reticente e um ambiente político que se tornou desfavorável ao avanço da anistia, eleita por eles como principal bandeira de reação.

Momento de alívio

Apesar do impacto emocional com início do cumprimento da pena de 27 anos e três meses de prisão, houve um sentimento de alívio quando Moraes determinou a permanência de Bolsonaro na PF, descartando a transferência para o Complexo Penitenciário da Papuda; foi considerado um desfecho “menos pior” que o esperado.

— Foi uma faísca de justiça, porque (Moraes) viu que não tinha condições pelo estado de saúde do Bolsonaro — afirmou o deputado Bibo Nunes (PL-RS).

A PF reforçou a segurança Superintendência de Brasília desde o primeiro dia de prisão do ex-presidente. Uma película de proteção foi instalada nos vidros da sede para impedir a captura de qualquer imagem da cela ou dos corredores.

O fluxo de servidores foi restringido, e uma viatura permanece estacionada em frente ao prédio. Apesar da pressão de aliados, como Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), Carlos Viana (Podemos-MG) e o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), o protocolo de visitas segue rígido: apenas familiares, advogados e equipe médica têm acesso.

  • Alexandre de Moraes
  • Bibo Nunes
  • Carlos Viana
  • Flávio Bolsonaro
  • Jair Bolsonaro
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  • Michelle Bolsonaro
  • Sóstenes Cavalcante
  • Tarcísio de Freitas