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Jogo Político: Nikolas e a direita que se divide sobre atacar Toffoli e o caso Master

Jogo Político: Nikolas e a direita que se divide sobre atacar Toffoli e o caso Master

Bom dia, boa tarde, boa noite, a depender da hora em que você abriu esse e-mail. Sou o editor de Política e Brasil do GLOBO e nessa newsletter você encontra análises, bastidores e conteúdos relevantes do noticiário político.

Nikolas Ferreira, do PL, percorreu na quarta-feira cerca de 200 quilômetros para anunciar investimentos de R$ 54 milhões em pavimentação nas cidades de Juiz de Fora e Ponte Nova. Ao seu lado estava o vice-governador Mateus Simões (PSD), o candidato preferido do deputado à sucessão de Romeu Zema, mas que o bolsonarismo mineiro tem dificuldades de abraçar.

A escolha de quem a direita vai apoiar para governador no estado é mais uma das divergências recentes do parlamentar com os seus aliados, que insistem em ter o número “22” nas urnas.

Em 15 de janeiro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro esteve no STF e pediu a migração do marido para o regime domiciliar. Duas semanas depois, foi a vez de o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), se reunir com ministros e apresentar a mesma demanda. Em um mês, a família do ex-presidente interrompeu o ritmo de ataques a Alexandre de Moraes e ao Supremo, o oposto do que Nikolas tem feito nas redes.

— Qual escândalo precisa acontecer para que você diga “chega”? Nos últimos meses foi descoberto contrato de R$ 129 milhões entre a esposa do ministro Alexandre de Moraes e o Banco Master, que está afundado em escândalos (...). E esse ministro Toffoli viajando de jatinho junto com o advogado do banco? Alguém pode dizer: ‘Nikolas, se a gente tirar um ministro, o Lula vai indicar outro e não vai mudar nada’. Eu não vejo dessa forma. O objetivo do impeachment é mostrar que até os deuses de toga não são intocáveis — diz Nikolas, no popular vídeo que já alcançou 2,4 milhões de curtidas.

Embora tenha assinado o pedido de impeachment de Toffoli e diga que estará nos atos de março, Flávio Bolsonaro não postou nenhum ataque contra o ministro desde que relações dele com o banqueiro Daniel Vorcaro vieram à tona.

Em 2019, foi Toffoli que deu o pontapé inicial para o arquivamento das ações sobre rachadinha envolvendo Flávio no STF. Naquele ano, ele suspendeu os processos judiciais em que dados bancários de integrantes do gabinete do senador, como o ex-assessor Fabrício Queiroz, foram compartilhados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Toffoli acabou acatando a tese da defesa de Flávio de que o acesso às informações dos investigados ocorreu sem autorização do Poder Judiciário.

Nikolas e Flávio mantêm boa relação, mas quando o assunto é Minas não está havendo consenso na estratégia. O senador queria o deputado federal como candidato a governador pelo PL, mas ele não aceitou o convite. Nikolas chegou a prometer construir um outro nome no estado, mas até agora a opção mais competitiva para a direita em Minas não vem sendo endossada pelo deputado — o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), hoje líder nas pesquisas para o governo.

Embora haja bolsonaristas que defendam a candidatura do senador à sucessão de Zema, Nikolas diz a interlocutores que não o considera confiável. Cleitinho é capaz de gravar vídeos em defesa da anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro ao mesmo tempo em que posta mensagens de apoio ao ministro do STF Flávio Dino na agenda de combate aos penduricalhos no serviço público. Cleitinho também é favorável ao fim da escala 6x1, agenda que o governo vem encampando e que Nikolas já se mostrou contrário.

Flávio vê Minas como peça-chave na eleição deste ano, mas seu entorno ainda tem dúvidas sobre como vencer no estado. Embora o nome da senadora Tereza Cristina (PP) tenha força na corrida pela vice, há quem defenda a escolha do nome de Romeu Zema para reverter o resultado da eleição de 2022 (Lula teve 50,20% dos votos contra 49,80% de Bolsonaro).

Também pode vir de Minas o marqueteiro do filho do ex-presidente. Flávio tem interesse na contração do mineiro Paulo Vasconcelos, responsável pela campanha de Cláudio Castro ao governo do Rio, em 2022. Ele tem contrato para tocar a pré-campanha presidencial do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (PSD).

Recomendo

  • "F1 - O Filme"

"F1" com Brad Pitt já está sendo considerado o "Top Gun" do automobilismo. Primeiro, por ser dirigido pelo mesmo diretor (o americano Joseph Kosinski). Segundo, por ser, de fato, muito impressionante nas cenas de ação assim como o filme com Tom Cruise. Eu gostei muito de ambos.

Rapidamente, para você, leitor, um resumo da história: o dono de uma equipe da Fórmula 1, interpretado por Javier Bardem, contrata Sonny Hayes (Brad Pitt), um ex-prodígio da modalidade cuja ascensão à fama foi interrompida trinta anos antes por um grave acidente. Hayes tem que lidar com a desconfiança do seu parceiro de equipe e essa rivalidade é um dos grandes molhos da trama.

O bonequinho do GLOBO ficou apenas olhando na crítica: “F1: O Filme” equilibra com habilidade drama e ação numa história calcada na redenção, algo de que o cinema americano já deveria até ter a patente, dadas as inúmeras vezes em que esse contexto é o combustível que alimenta a narrativa. Desta vez, a produção conta com cenas que conseguem colocar o espectador dentro do carro, com o adendo de também desenvolver os personagens. Apesar de todos esses predicados, ainda resta a dúvida sobre se o projeto vai quebrar a maldição de filmes sobre a Fórmula 1."

Em seu canal no YouTube, a jornalista Isabela Boscov definiu bem o que penso: "Eu me diverti tanto que perdoo aquela dose de praxe de clichês e diálogos forçados que o filme tem".

  • "Marty Supreme"

Outro filme ligado a esportes na lista de finalistas do Oscar. Desta vez, o tema é o tênis de mesa e, ao contrário de Sonny Hayes, personagem totalmente fictício de "F1", agora o protagonista é inspirado no nova-iorquino Marty Reisman. Ele foi estrela do esporte que brasileiro gosta de chamar de pingue pongue a partir do fim dos anos 40.

Desde os seus tempos como vendedor de sapatos, Marty mostra ambição, vaidade e, muitas vezes, arrogância. Tipo de personagem que cativa no cinema, mas é detestável no nosso dia a dia, como bem definiu o colega André Miranda:

"Hollywood adora filmes sobre gênios atormentados, aquelas figuras egocêntricas que não se importam muito com regras, simplesmente porque se consideram acima do bem e do mal. São personagens irritantes, com quem a gente não aguentaria dez minutos de conversa se eles fossem reais — como o jogador de sinuca de “Desafio à corrupção” (1961), o boxeador de “Touro indomável” (1980) ou o baterista de “Whiplash” (2014). Mas, para o cinema, seus excessos costumam encaixar bem nas mãos de bons roteiristas e diretores".

O vício em jogos de azar e o comportamento sem limites de Marty leva o filme a ter muitas cenas caóticas com brigas, tiros e perseguições policiais. O filme me pegou menos que "F1", mas é também ótimo entretenimento. Achei divertido e me prendeu especialmente nas cenas de ação de disputa de tênis de mesa entre o protagonista e seu rival japonês.

Crítica da Folha de S. Paulo deu o tom do que penso sobre o desfecho do filme: "As constantes concessões ao gosto médio do público atual inclui um final bonito, mas forçado. O cinema americano atual não permite vermos protagonistas num beco sem saída".

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