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Com cerca de 16 mil habitantes, Pouso Redondo é um dos 295 municípios de Santa Catarina onde Carlos Bolsonaro pretende buscar votos para senador no ano que vem. Há duas semanas, um vídeo gravado por Rafael Tambosi — prefeito da cidade e filiado ao PL do filho do ex-presidente — sintetizou o sentimento de parte considerável da direita local com a transferência do domicílio eleitoral do vereador carioca para o estado.
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Dentro de um curral, com bois e vacas ao fundo, Tambosi abriu a câmera do celular e, durante dois minutos, disparou ataques contra o que se convencionou chamar entre os catarinenses de forçação de barra da família Bolsonaro:
— A gente gosta do nosso gadinho, trata bem os nossos bichinhos, mas o povo de Santa Catarina não é gado. E isso tem que ficar bem claro nesse momento em que as lideranças não se posicionam enquanto temos a imposição da candidatura do Carlos a senador.
A afirmação de Tambosi está em sintonia com declaração recente do prefeito de Joinville, a maior cidade de Santa Catarina, com 616 mil habitantes:
— Entendo isso como uma agressão ao Estado. Não conheço Carlos pessoalmente, mas essa crítica eu faria a qualquer outro que quisesse se mudar para um estado meramente por uma questão de oportunidade de voto — disse Adriano Silva (Novo), em entrevista ao podcast regional ‘Cabeça de Político’.
Dois dos prefeitos mais importantes de Santa Catarina aceitaram conversar sobre a revolta catarinense com a mudança de domicílio de Carlos — o vereador decidiu morar em São José, cidade com 270 mil habitantes. O pano de fundo para a gritaria na direita está no fato de a deputada federal Carol de Toni (PL) e do senador Espiridião Amin (PP) terem se colocado como candidatos antes. À frente de Chapecó, município com 254 mil habitantes, o prefeito João Rodrigues (PSD), ironiza o governador Jorginho Mello (PL), a quem caberá organizar a chapa da direita.
— O catarinense não tem aceitado muito bem o Carlos como candidato. Agora, por outro lado, essa gente só existe por causa do Bolsonaro. Não fosse o ex-presidente, não eram ninguém — afirma Rodrigues, minimizando pesquisas divulgadas recentemente que colocam Carlos competitivo para o Senado — As pessoas fora da bolha ainda não sabem direito que é o filho do ex-presidente que ainda não mora aqui que será candidato, só estão vendo o sobrenome da família sem entender.
Responsável por administrar Florianópolis, com população de 537 mil habitantes, Topázio Neto (PSD) reconhece que não é bom para a direita ir dividida para as urnas com três candidatos, enquanto a esquerda pode se unir em apenas um nome — hoje, o mais cotado é Décio Lima, presidente do Sebrae e segundo colocado nas eleições para governador em 2022 contra Jorginho.
— A resistência ao nome do Carlos é natural neste momento. Mas ainda há muita água para rolar, falta um ano para a eleição e não sabemos qual será o impacto da prisão de Bolsonaro no eleitor catarinense. Os sentimentos estão muito misturados. Mas o ideal é que haja apenas dois nomes para o Senado, tenho certeza que haverá uma composição — diz Topázio.
Antes de ser preso e sem clareza da rejeição a Carlos em Santa Catarina, Bolsonaro tinha certeza que resolveria o problema com uma estratégia machista. O colunista Tales Faria, do jornal Correio da Manhã, revelou que o ex-presidente procurou o marido de Carol de Toni, o ex-prefeito de Xanxerê, de 52 mil habitantes, Matheus Bortoluzzi, para ajudar a convencer a parlamentar a desistir de concorrer. Na conversa, Bolsonaro encontrou um homem incomodado com a possibilidade da mulher passar oito anos como senadora, em constantes deslocamentos para Brasília. O casal tem duas filhas — uma delas, recém-nascida.
A família Bolsonaro tem certeza que Santa Catarina e seus 8,1 milhões de habitantes aceitarão tudo que a família mandar baseada em dois números: em 2022, o ex-presidente teve 69% dos votos no estado contra Lula. Dois anos depois, Balneário Camboriú, de 139 mil habitantes, consagrou Jair Renan, seu quarto filho na política, como o vereador mais votado da cidade.
Assim como Carlos, o jovem de 27 anos, mais conhecido como “04”, também vem sendo rejeitado pela classe política local. Em agosto, o presidente da Câmara de Vereadores do município, Marcos Kurtz, o chamou de “Tiririca de Balneário Camboriú” após uma discussão no plenário. Em setembro, foi a vez da prefeita Juliana Pavan (PSD) dizer que o filho do ex-presidente precisava “ler mais”. Jair Renan virou chacota na cidade no segundo semestre após gravar um vídeo e utilizar erradamente a palavra "cidadões" ao se referir ao plural de "cidadão".
— Ele quase nunca se posiciona sobre nada, e quando o faz, não consigo entender o que fala — alfinetou a prefeita Juliana Pavan, na semana passada, em entrevista ao Canal do Paulo Mathias, no Youtube.
Recomendo
- “Meu Ayrton, por Adriane Galisteu”
Achei que o tema Ayrton Senna estaria esgotado devido ao excesso de produções recentes, mas me enganei. Depois do documentário "Senna por Ayrton", no Globoplay, e da série "Senna", na Netflix, estrelada pelo gigante Gabriel Leone, a HBO também colocou na rua o seu produto. Em dois episódios, "Meu Ayrton, por Adriane Galisteu" traz o ponto de vista da ex-namorada do piloto sobre os momentos que antecederam e sucederam o acidente fatal durante o Grande Prêmio de San Marino, em Ímola, em 1994.
Galisteu nunca teve boa relação com a família Senna, e os atritos ficaram evidentes na série da Netflix, supervisionada pelos parentes do automobilista. A produção dedicou um capítulo inteiro a Xuxa, mas passou de maneira relâmpago por Galisteu, namorada de Senna na época da morte. O documentário da HBO mostra que, no dia do enterro do piloto, Adriane ficou distante dos familiares e teve dificuldades até de se aproximar do caixão.
Mas, afinal, qual o motivo da briga? Alerta para spoiler: Luiza Almeida Braga, viúva de Antonio Carlos de Almeida Braga, o Braguinha, que acompanhou de perto a relação do casal na residência que tinham em Portugal, confirma no documentário uma história que sempre circulou como rumor: o de que a família do automobilista havia conseguido grampear o telefone da casa e gravar conversas supostamente comprometedoras de Galisteu com um ex-namorado. Embora o documentário seja todo baseado em entrevistas feitas com a atriz e apresentadora, ela não foi provocada a falar do tema pela HBO.
A produção também mostra como Galisteu foi julgada de maneira machista ao lançar, aos 21 anos, o livro "O caminho das borboletas", sobre a sua relação com Senna. Profissionais experientes como Marília Gabriela e Jô Soares compraram a narrativa da ocasião, e deram a entender no jeito de perguntar em entrevistas que a atriz e apresentadora buscava faturar no papel de "viúva" do grande ídolo brasileiro.
Em 1995, um ano depois da morte de Senna, Galisteu acabou posando nua para a revista Playboy. Ela já havia feito fotos para a revista antes do acidente, mas o piloto teve ciúmes e agiu para impedir a publicação. Segundo o documentário da HBO, Senna ligou para o jornalista Juca Kfouri, então diretor de redação da revista, e conseguiu derrubar a divulgação das imagens.
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