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Julgamento que evitou que Lula fosse transferido para presídio de Tremembé manteve Bolsonaro preso na PF

Julgamento que evitou que Lula fosse transferido para presídio de Tremembé manteve Bolsonaro preso na PF

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, utilizou como precedente para manter o ex-presidente Jair Bolsonaro na Superintendência Regional da Polícia Federal em Brasília uma decisão que, há seis anos, beneficiou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Expeça-se o mandado de prisão, que deverá ser cumprido na Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal (SAIS Quadra 7, Lote 12 s/n, Estr. St. Policial Militar - Sul, DF, CEP 70610-902), devendo permanecer o réu naquela sala de Estado-Maior (PET 8.213/PR - MC, Rel. Min. EDSON FACHIN, j. 07/08/2019), onde se encontra custodiado em virtude de prisão preventiva", determinou o ministro na decisão desta terça-feira que deu início ao cumprimento da pena do ex-presidente.

O julgamento citado por Moraes, relatado pelo ministro Edson Fachin, foi uma decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal após a 12ª Vara Criminal da Justiça Federal do Paraná determinar a transferência de Lula da carceragem da PF em Curitiba para um presídio em São Paulo. A Justiça de São Paulo determinou que Lula deveria cumprir o restante de sua pena na Penitenciária II de Tremembé. Naquele momento, o presídio tinha como detentos condenados em crimes de expressão como Alexandre Nardoni, Cristian Cravinhos, Lindemberg Alves e Roger Abdelmassih.

A Justiça Federal do Paraná tomou a decisão após pedido da Polícia Federal, que alegou que a Superitendência em Curitiba não comportava a prisão do ex-presidente em razão da necessidade de escalas de reforço na segurança e no seu entorno, gerando sobrecarga de gastos e que representantes do PT pretendiam permanecer durante a prisão de Lula em vigília. À época, militantes do PT montaram em frente à Superintendência um acampamento, batizado de "Lula Livre".

A defesa do presidente impetrou um pedido de habeas corpus no Supremo Tribunal Federal, que julgou a questão no mesmo dia e suspendeu os efeitos da decisão.

No seu voto, referendado em sessão presencial no plenário do Supremo Tribunal Federal, Fachin votou pela suspensão da eficácia da decisão da Justiça do Paraná e assegurou a Lula "o direito de permanecer em sala de Estado Maior, tal como se encontra neste momento".

Conforme o GLOBO mostrou, a sala em que Bolsonaro está preso tem 12 metros quadrados e passou a contar com banheiro privado, cama, cadeira, armário, escrivaninha, televisão, frigobar e ar-condicionado. Tem características parecidas com a sala onde ficou detido o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Superintendência da PF em Curitiba. Na época, o petista cumpria pena de 12 anos por condenação no caso do tríplex do Guarujá (SP), que depois foi anulada pelo Supremo.