Em meio à disputa interna do PSD pela pré-candidatura à Presidência da República, o presidente nacional da sigla, Gilberto Kassab, afirmou que a desistência de Ratinho Junior de se candidatar à presidência "surpreendeu", mas que o partido terá um nome definido até a próxima terça-feira. A fala foi ao lado do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, após uma reunião privada que durou cerca de duas horas no apartamento de Kassab, em São Paulo.
— Olha, eu diria que surpreendeu, porque ele (Ratinho Jr.) estava muito envolvido, muito determinado. Nós não tínhamos ainda uma decisão, mas ele foi muito honesto, muito correto com o partido, porque ele podia, se tivesse alguma dúvida, ter esperado um pouco mais e acabar atrapalhando o processo. Com isso, sobraram as duas candidaturas e agora nós vamos definir — avaliou Kassab, complementando de forma breve que "muito possivelmente até terça-feira" o debate estará encerrado.
O encontro com Leite ocorreu um dia após o dirigente partidário se encontrar com o governador de Goiás, Ronaldo Caiado. A cúpula pessedista agora afunila sua escolha entre os dois mandatários estaduais e busca um consenso para evitar desgastes internos.
Nos últimos dias, o cenário interno apontava para o favoritismo de Caiado. A consolidação do nome de Goiás ganhou força após a desistência do paranaense Ratinho Júnior, que optou por focar na sucessão estadual para conter o avanço do grupo político ligado a Sergio Moro (PL).
Ao detalhar o processo de escolha, o presidente da legenda elogiou o capital político dos dois governadores que restaram na mesa e confirmou o prazo apertado para a definição oficial.
— Eu não diria que o PSD é a terceira via. O Brasil precisa de uma alternativa. Não é possível que a gente tenha só duas candidaturas que já tiveram essa oportunidade e que não deram para o Brasil as respostas que o Brasil precisava. Mais uma vez o governador Eduardo Leite deixou clara a sua disposição de colocar o seu nome para ser examinado pelo partido. Isso é muito positivo. É um partido que tem dois quadros com essa dimensão e aprovação em seus estados — declarou Kassab.
O mandatário gaúcho, por sua vez, buscou afastar a narrativa de que estaria escanteado na disputa com Caiado. Ele reforçou a intenção de figurar como o quadro capaz de unificar o centro político e dialogar com diferentes espectros para romper a polarização.
— Quero deixar claro que saio muito animado da conversa com o presidente Kassab, no sentido de que está reafirmada não só a disposição como a determinação do PSD de ter candidatura. Um partido que, ao longo desses 15 anos, teve a habilidade de reunir lideranças políticas diversas, boas cabeças que querem pensar o país. A legenda está madura para apresentar um projeto nacional, além de ter o maior número de prefeitos e governadores e uma bancada expressiva no Congresso — pontuou Leite.
Sem plano B
Pressionado sobre o próprio futuro político caso o PSD opte por Caiado, Leite descartou uma candidatura ao Senado como plano B. O político argumentou que não trabalha com uma alternativa e garantiu que um revés o levará de volta à dedicação exclusiva ao governo gaúcho, afirmando que "quem admite o plano B é porque já perdeu".
— A eleição mais importante até aqui para mim foi a que me reelegeu governador. Pela primeira vez na história um governador foi reeleito no Rio Grande do Sul. Eu só vou deixar este mandato conferido se for para concorrer a algo que é ainda mais importante e maior, que não define apenas o próximo presidente da República, mas que tipo de política a gente vai fazer no Brasil — sentenciou o gaúcho.
O impacto nas ambições locais
O desenho nacional da sigla esbarra diretamente nas ambições locais em São Paulo. Gilberto Kassab trabalha para garantir que o PSD componha a chapa de reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), almejando o cargo de vice-governador. Apesar disso, o cacique se recusou a comentar o tema nesta quarta-feira, afirmando apenas que a decisão é exclusiva de Tarcísio.
A negociação estadual, no entanto, é complexa. O chefe do Executivo paulista comunicou ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que manterá o atual companheiro de chapa, Felício Ramuth, frustrando a ofensiva do dirigente aliado, que tentava emplacar o comandante da Assembleia Legislativa na vaga, nome agora avaliado para o Senado.
A oficialização desse arranjo, porém, estaria condicionada a um diálogo final entre Tarcísio e o líder nacional do PSD, remarcado para os próximos dias. A manutenção do atual vice contraria as intenções de Kassab, instaurando um clima de desconfiança mútua.