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Kassab anuncia desembarque da bancada tucana da Alesp rumo ao PSD na janela partidária

Kassab anuncia desembarque da bancada tucana da Alesp rumo ao PSD na janela partidária

O presidente do PSD, Gilberto Kassab, anunciou nesta quinta-feira, 5, o desembarque de sete dos 11 deputados que formam a bancada da Federação PSDB-Cidadania na Assembleia Legislativa do Estado (Alesp), rumo ao seu partido. O dirigente publicou uma foto nas redes sociais após um café da manhã com parlamentares em sua residência, em São Paulo, que teve como objetivo costurar uma chapa estadual para as eleições de outubro.

Analice Fernandes, Maria Lúcia Amary, Rogério Nogueira, Mauro Bragato, Barros Munhoz e Carlão Pignatari deixam o PSDB, enquanto Dirceu Dalben abandona o Cidadania. A troca deve se consumar durante a próxima janela partidária, espaço de 30 dias que se encerra em 4 de abril. Nesse período, a Justiça Eleitoral permite a migração de legenda sem o risco de cassação por infidelidade aos partidos pelos quais foram eleitos.

O número de baixas deve ser ainda maior, considerando que parlamentares como Carla Morando, que tem base eleitoral no ABC paulista, já disseram que não pretendem seguir no PSDB mesmo diante de tentativas de fusão com outros partidos. No ano passado, a direção tucana chegou a anunciar um acerto com o Podemos, mas a articulação acabou rompida por divergências entre os líderes.

Bruna Furlan é a oitava deputada tucana, enquanto o Cidadania conta, neste momento, com Ana Carolina Serra e Ortiz Júnior. Além da atual estrutura do PSDB, desidratado com a derrota ao governo do estado para Tarcísio de Freitas (Republicanos), existe o temor de que a sigla encampe uma candidatura de oposição no estado, como ocorreu com a insistência na candidatura de José Luiz Datena a prefeito de São Paulo.

Em publicação nas redes sociais, Kassab anunciou que os novos filiados estão "cada vez mais entusiasmados com a extraordinária gestão do nosso governador Tarcísio de Freitas e firmes no seu projeto de reeleição em 2026".

Reação

A CBN apurou que durante a tarde desta quinta, o presidente estadual do PSDB, Paulo Serra, ligou para o presidente da Alesp, André do Prado, do PL, na tentativa de preservar ao menos dois nomes na legenda. O PSDB também espera uma atuação direta de Tarcísio para conter as perdas. Ele, contudo, se apresenta como pré-candidato ao Executivo paulista nas próximas eleições.

"Lamento profundamente a forma desrespeitosa de cooptação de quadros. Esse tipo de canibalismo dentro da base do governador Tarcísio, ao meu ver, em nada ajuda na construção de um projeto nacional de centro", declarou o dirigente, em nota. Na sequência, lembrou que o PSD está na base aliada do presidente Lula e sugeriu que isso "poderá ser explorado na campanha eleitoral daqueles que escolhem o caminho temporariamente mais fácil".

Fratura

Na capital paulista, o PSDB não teve sequer um vereador eleito depois do falecimento do prefeito Bruno Covas e do abandono de toda a bancada, composta à época por oito parlamentares, na janela partidária de 2024. Eles reclamaram da falta de articulação política na construção da chapa e da negativa da direção nacional em apoiar o prefeito reeleito, Ricardo Nunes (MDB). Datena teve o pior desempenho da história do partido no pleito, com 1,84% dos votos.

No interior do estado, após um arrastão que deixou apenas 21 prefeituras sob o seu comando em 2024, os municípios mais proeminentes passaram a ser Santo André, no ABC Paulista, com Gilvan Júnior, e Marília, no centro-oeste paulista, governada pelo ex-deputado estadual Vinícius Camarinha. O prefeito andreense é aliado de Paulo Serra.

No ano passado, os tucanos perderam ainda seus três governadores: o gaúcho Eduardo Leite e a pernambucana Raquel Lyra, ambos para o PSD, e Eduardo Riedel, do Mato Grosso do Sul, para o PP.

O PSDB atualmente é comandado pelo deputado federal Aécio Neves, de Minas Gerais, que perdeu para Dilma Rousseff, no segundo turno, em 2014. O político tem pela frente o desafio de conseguir alianças e superar a cláusula de desempenho deste ano, que pode deixar os tucanos sem acesso ao fundo partidário, destinado à manutenção dos partidos, até 2030.

*Bruna Barboza é repórter da CBN

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