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Kassab diz que desistência de Ratinho se deu por 'questões locais de política' e elogia domiciliar de Bolsonaro

Kassab diz que desistência de Ratinho se deu por 'questões locais de política' e elogia domiciliar de Bolsonaro

A definição do candidato a presidente do PSD, ao menos oficialmente, não será feita nesta quarta-feira, 25, como era esperado. O presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, promete anunciar a escolha até o fim do mês, mantendo os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, e Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, no páreo.

Kassab recebeu Caiado, nesta terça-feira, 24, por mais de quatro horas em sua residência, em São Paulo. O encontro ocorreu no dia seguinte à desistência do governador do Paraná, Ratinho Júnior, da corrida presidencial. Nesta quarta, 25, à tarde, será a vez de Eduardo Leite, que viaja para a capital paulista para o lançamento de um livro de memórias de Guilherme Afif Domingos.

Até então, o filho do apresentador Ratinho era o favorito para enfrentar o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas urnas. Apesar disso, Kassab evitou declarar que teria sido pego de surpresa pela decisão, que ele atribuiu a “questões locais”, e não apenas familiares, como justificou o paranaense em nota.

— Ele entendeu que deveria declinar por motivos familiares, questões locais de política. Não é que pegou de surpresa: é natural isso, as pessoas vão se definindo e às vezes mudam (de posição) — disse.

Nos bastidores, o reforço de Flávio Bolsonaro à candidatura do senador Sérgio Moro, agora filiado ao PL, ao governo do Paraná tem sido apontado como um ponto de preocupação de Ratinho. Ele decidiu concluir o mandato, pavimentando a campanha de um aliado, possivelmente o secretário de Cidades, Guto Silva (PSD), contra o ex-juiz da Lava Jato.

Kassab não quis dar detalhes da reunião com Caiado, limitando-se a dizer que ele “só manifestou a sua disposição, a sua motivação em ser candidato, o que é muito bom”. Segundo o colunista Lauro Jardim, do GLOBO, contudo, o goiano passou a ser o favorito pela vaga, e os dois discutiram estratégias de campanha, alianças possíveis e distribuição de verbas eleitorais.

— É uma boa pergunta, viu? — desconversou. — Será muito possivelmente até o final do mês.

Fontes ouvidas pelo GLOBO que conversaram com Caiado após o encontro dizem, porém, que a intenção de Kassab é resolver o assunto ainda esta semana. E que ele não pretende abrir mão da candidatura a presidente, mesmo com as investidas pelo lado de Flávio Bolsonaro e Valdemar Costa Neto, o líder do PL. Flávio ofereceu a posição de vice na chapa a Ratinho antes de fechar com Moro.

A jornalistas, Kassab disse que não tem preocupação em termos de aliança e que, particularmente, defende o fim das coligações mesmo em pleitos majoritários, como no caso da Presidência. Esse ponto leva a especulações sobre a possibilidade de um integrante da dupla ser o vice do outro, cenário que ele não descarta.

Impasse no estado

O dirigente não quis comentar sobre as chances de o vice-governador do estado, Felício Ramuth (PSD), deixar o partido em meio a um impasse derivado da intenção do próprio Kassab em compor com Tarcísio de Freitas (Republicanos) em um eventual segundo mandato.

Kassab, secretário estadual de Governo, disse que só se manifestará sobre questões partidárias após o dia 4 de abril, data em que termina o prazo para os candidatos estarem filiados à sigla pela qual concorrerão em outubro.

Por outro lado, o político declarou que a escolha seria exclusividade do governador de São Paulo. Os dois devem se reunir esta semana para encontrar uma solução. Tarcísio já comunicou o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que deseja manter Ramuth no cargo.

— É o nosso líder do Estado, faz uma extraordinária gestão. Caberá a ele no momento certo definir a composição da chapa majoritária e estaremos com ele. Não tem nenhum estresse.

De todo modo, Kassab pretende pedir exoneração nos próximos dias. A saída serve para fins eleitorais, cumprindo prazo de desimcompatibilização nos seis meses anteriores ao primeiro turno, mas ele garante que está preocupado apenas com a organização do partido.

Domiciliar de Bolsonaro

Kassab elogiou o Supremo Tribunal Federal (STF) pela decisão de conceder prisão domiciliar ao ex-presidente Jair Bolsonaro, dizendo estar “muito feliz” com a situação.

— Ele estava com problemas graves, não é? Acho que foi uma decisão muito adequada. Cumprimento o Supremo Tribunal Federal pela decisão. Eu mesmo estava defendendo também que isso acontecesse o mais rápido possível — disse.