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Kassab oficializa saída do governo de São Paulo

Kassab oficializa saída do governo de São Paulo

O secretário de Governo de São Paulo e presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, anunciou nesta quarta-feira (25) que vai deixar a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos). A saída do Palácio dos Bandeirantes era esperada desde dezembro do ano passado, quando ele próprio anunciou a intenção de se afastar e depois recuou por não ter combinado antes com o chefe.

– Diante das intensas atividades nos campos partidário e eleitoral que se apresentam no calendário político de 2026, com eleições para presidente, governadores, senadores e deputados em outubro, a minha atuação como secretário torna-se incompatível com minha atividade política e eleitoral neste período. Desta forma, deixo o secretariado do governador Tarcísio de Freitas, que tive a honra de integrar desde o primeiro dia de seu mandato – afirmou Kassab, em nota publicada em redes sociais.

A saída da secretaria serve também para fins eleitorais. Para concorrer nas eleições de outubro, ele não deve ocupar cargo no Executivo nos seis meses anteriores ao primeiro turno. Na prática, significa que precisa desincompatibilizar da secretaria até o dia 4 de abril para estar apto. Kassab já havia confirmado ontem que não ficaria no cargo, alegando a necessidade de liderar as articulações políticas no ano eleitoral. E garantiu, neste momento, que não pretende ser candidato.

Ainda não está claro quando a exoneração será publicada no Diário Oficial do Estado. A assessoria de Kassab informa que ele encaminhou o pedido hoje, com previsão de se concretizar nos próximos dias. No momento da publicação da nota, Tarcísio estava em uma série de reuniões no Palácio dos Bandeirantes. Os dois têm uma conversa pendente para alinhar a chapa estadual e o futuro da pasta, responsável pela interlocução com prefeitos e organizações públicas e privadas.

O secretário-executivo da pasta, Marcos Penido, é o primeiro da fila para assumir a função.

— A data é sexta, ainda a definir a substituição — informou ao GLOBO.

A arrumação da secretaria era um dos pontos que Kassab e Tarcísio deveriam tratar esta semana, além da manutenção do vice-governador, Felício Ramuth (PSD), na chapa à reeleição, assunto mais espinhoso. O correligionário cogita trocar de partido caso Kassab, interessado no posto, crie obstáculos para a recondução. Tarcísio já manifestou a escolha por Ramuth a interlocutores, incluindo o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, que tentava emplacar o presidente da Assembleia, André do Prado (PL).

O posto é considerado estratégico pela expectativa de assumir o comando do estado em 2030, numa eventual participação de Tarcísio na corrida por outro cargo eletivo. A nota de despedida de Kassab agradece a outros integrantes do governo, mas não a Ramuth, com quem não tem mantido boa relação.

O anúncio de Kassab também ocorre em meio a uma série de indefinições dentro e fora de seu partido. Após a negativa do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), de concorrer à Presidência da República, deu-se início a uma disputa entre os governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, pelo posto de presidenciável. O dirigente partidário passou a semana costurando a estratégia eleitoral após a desistência de Ratinho. Recebeu em seu apartamento, na Zona Oeste de São Paulo, entre ontem e hoje, Caiado e Leite.

O goiano é o favorito para ir às urnas, segundo integrantes do núcleo duro do PSD. Kassab, porém, ainda evita anunciar a decisão, prometendo concluir o trâmite até a próxima terça-feira, 31 de março.

Influência e atritos

Kassab era um dos políticos mais influentes do governo Tarcísio. Nas eleições de 2022, firmou uma aliança com o ex-ministro da Infraestrutura de Jair Bolsonaro quando ele ainda era um "azarão" nas pesquisas contra o então governador de São Paulo, Rodrigo Garcia, que representava nas urnas o PSDB, à frente do estado por 28 anos. Kassab e Garcia são rivais desde os tempos que o cacique do PSD decidiu fundar o partido a partir de uma dissidência do Democratas.

Tarcísio foi eleito e delegou uma das secretarias mais cobiçadas do estado ao aliado. Boa parte da articulação com os municípios é executada pela Secretaria de Governo. Na primeira metade do mandato, o secretário teve protagonismo na liberação de caixa com o interior paulista, o que gerou ciúmes em lideranças de outros partidos devido a uma suposta estratégia de cooptação de prefeitos com vistas às eleições municipais de 2024. Kassab sempre negou essa partidarização da secretaria.

Após as eleições, devido a reclamações cada vez mais frequentes na base aliada, a influência do secretário foi reduzida dentro do Palácio, segundo diversas fontes consultadas pelo GLOBO que apresentam críticas à atuação de Kassab. Ele também passou a ser visto como uma opção menos provável para a vice de Tarcísio, mesmo depois de costurar uma reaproximação com Bolsonaro e cogitar apoio ao projeto de lei da anistia aos envolvidos nos ataques de 8 de Janeiro.

Declarações públicas também incomodaram Tarcísio. Entusiasta da candidatura presidencial do governador de São Paulo, Kassab demonstrou uma certa irritação com os rumos eleitorais, antes de lançar o trio de governadores presidenciáveis do PSD com a promessa de escolher o protagonista em algumas semanas a partir de diálogo interno.

Numa entrevista este ano, Kassab afirmou que aconselhava Tarcísio a demonstrar gratidão a Bolsonaro, mas não se mostrar submisso. A fala rendeu uma réplica do governador em duas ocasiões diferentes. "Acho interessante que as pessoas, às vezes, querem rotular lealdade como submissão", disse em uma delas. "Infelizmente, amizade e lealdade na política viraram atributos raros. As pessoas agem por interesse próprio, deixam de ter o pé no chão."

O governador decidiu trocar, em janeiro, o secretário-chefe da Casa Civil, Arthur Lima, pelo presidente estadual do Republicanos, Roberto Carneiro, sob o argumento de que era preciso um perfil mais político após a estruturação da pasta. Políticos com trânsito no governo dizem, sob reserva, que a nomeação foi lida como uma espécie de recado de que Carneiro, e não Kassab, concentraria a articulação no ano eleitoral, sob a promessa de menor influência partidária.

Kassab chega ao fim de sua gestão como secretário de Tarcísio ostentando uma capilaridade inédita com seu partido no interior de São Paulo. A sigla elegeu 207 prefeitos paulistas em 2024 e também se consagrou como a mais bem-sucedida do país, com 885, desbancando o MDB. O cenário autoriza o PSD a tentar um voo presidencial inédito. Sem Ratinho, Leite e Caiado precisam partir de um patamar de 3% ou 4% dos votos para furar a polarização e desbancar o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), do Rio de Janeiro, atuais favoritos.

Nesta quarta-feira, 25, Kassab deve participar da cerimônia de lançamento de um livro de memórias de Guilherme Afif Domingos, um dos conselheiros políticos do PSD e atual secretário especial de Projetos Estratégicos de São Paulo. Afif é o responsável, dentro da gestão, pelo projeto de transferência da sede do governo do estado para o centro da cidade, cujas obras devem iniciar ainda este ano. Tarcísio se comprometeu com a ideia na campanha eleitoral passada e mandou exibir uma maquete do projeto num dos acessos do Palácio.

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